A Arte De Liderar Para Cima

O ditado diz: duas cabeças pensam melhor do que uma. Nem sempre, pois estas pessoas podem chegar a um resultado pior, dependendo de quem lidera nesta relação. Uso o termo liderar aqui como sinônimo de influenciar, o sentido cada vez mais utilizado nas organizações.

No momento de uma decisão, nem sempre o gestor é a melhor cabeça, ou o que tem todas as informações ou até a visão mais ampla da situação. E isto é natural. Estamos numa época de autodescoberta e liberação dos potenciais e eu vibro com isto! É uma fase em que o peso do super herói sobre os ombros do líder deve diminuir, porque todos, ao redor dele, são também capazes de criar, de ter idéias ótimas.

É por isto que se apregoa tanto o compartilhar, o trabalho em equipe e a maior participação dos liderados nas decisões. Não se trata absolutamente de puxar o tapete do gestor, de fazê-lo perder poder ou de competir pelo seu posto. Tudo isto também existe, mas se souber separar “o joio do trigo”, um líder pode obter resultados fantásticos pelo bom uso das sugestões dos seus colaboradores.

Por outro lado, nos momentos em que a melhor sugestão não é a do gestor, ele pode não se dar conta ou resistir a aceitar o fato. Quem já não passou por situações assim? Geralmente, o que os subordinados mais corajosos fazem é tentar argumentar uma vez, com muito cuidado e, percebendo a “parede da resistência que se levanta automaticamente”, desistem e jogam suas boas idéias no lixo.

Há um tabu enorme quando se pensa ou se discute sobre questionar o próprio líder. Por quê? Porque alguns chefes vivem o poder de forma melindrável, não suportam certos questionamentos, críticas, feedbacks que não sejam elogios, más notícias e idéias que fujam de certos padrões impostos. Assim, a idéia da diversidade humana gerando melhores resultados, apregoada nas solenidades ou no quadro de valores da empresa, se torna uma grande balela.

Por outro lado, eu não seria justa se parasse a resposta aqui. Outro motivo é que muitos liderados estão despreparados. Alguns se deixam dominar pelo medo e tendem a recuar passivamente para se proteger dos ataques. Outros, não sabendo dosar a ansiedade ou agressividade, escolhem o momento inapropriado, exageram na argüição e queimam qualquer chance de influenciar o líder. Nos dois casos, falta assertividade que é a capacidade de ser firme, objetivo, racional, sensato e forte diante de situações delicadas e estressantes. Por isto, os colaboradores perdem grandes oportunidades de fazer valer suas opiniões para maior ganho de todos.

Tenho dito aos meus clientes de coaching, ávidos por aprender a liderar para cima, que as pessoas respeitam a verdadeira força. Não estou falando de jogos de poder, da esperteza no sentido pejorativo e sim de um posicionamento consistente. Fico impressionada com o poder que tem uma pessoa quando argumenta bem, tranqüila e de maneira irrefutável.

Poucos nascem com esta competência, mas, felizmente, pode-se aprendê-la e os resultados são admiráveis. Para isto, é preciso aprimorar a inteligência emocional, começando por rever alguns modelos mentais, como por exemplo, a crença popular de que “se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi”. Esta frase cultua as emoções, colocando-as acima do bem-estar e da felicidade e isto pode ser um equívoco. As emoções podem ser bem-vindas e úteis, desde que bem escolhidas e gerenciadas.

Outro passo para liderar para o alto é desenvolver-se na arte da comunicação, para expressar-se na língua do gestor e conseguir argumentar adequadamente. As pessoas freqüentemente subestimam a complexidade da comunicação. Por isto, notam-se tantos mal-entendidos, confusões e conflitos no dia-a-dia. Muitos pensam que só quem fala com o público precisa de um treinamento nesta área. No coaching, é comum eleger-se esta competência para ser desenvolvida, pois os executivos e líderes logo percebem o quanto ela pode agregar nas relações interpessoais e nos seus resultados.

Uma terceira competência importante para liderar para cima é o pensamento e ações estratégicos. A comunicação só será bem-sucedida se alinhada a objetivos claros e ações pertinentes e planejadas.

E o líder, o que pode fazer para facilitar o acesso e a influência de seus subordinados, quando cabível? Ele pode trabalhar a visão de si mesmo neste papel, para se sentir forte nesta condição, revendo também seus modelos mentais e aprendendo a posicionar-se de forma a permitir a livre expressão dos liderados e dos pares.

Liderar para baixo, para cima e para os lados é preciso! Vivemos numa época em que, alguém já disse, ou todos se salvam ou ninguém se salvará. Para atingir a vitória, a empresa precisa de todas as suas cabeças interconectadas e funcionando no seu melhor! Dra. Elizabeth Zamerul – Fonte: HSM On-line

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