A Comunicação é a Essência da Qualidade

Qualidade é a expressão mais difundida atualmente no universo das empresas, em todos os setores de atividades. Afirma-se, com justificada razão, que este requisito, mais do que um diferencial de mercado, torna-se imperativo à própria sobrevivência das empresas, em ambientes econômicos cada vez mais seletivos e competitivos.
Praticar qualidade, porém, é uma tarefa complexa, que extrapola a retórica e abrange profunda mudança da cultura organizacional. Programas de qualidade mal conduzidos e que não contam com o efetivo engajamento da direção e de gerentes e funcionários de uma empresa tendem ao fracasso.
Para obter resultados positivos e mensuráveis de forma clara, por meio do grau de satisfação dos clientes, um programa de qualidade tem de contemplar alguns requisitos mínimos: soluções adequadas às características de cada organização; comprometimento efetivo e transparente da alta direção com os objetivos do projeto; envolvimento dos funcionários no processo, para que se sintam agentes e responsáveis pelas transformações; definição clara das metas e do negócio de privatização; treinamento e engajamento de todos os recursos humanos à filosofia da empresa.
Para que todos os requisitos de um programa de qualidade sejam assimilados de forma ampla e harmoniosa no ambiente de uma empresa, é imprescindível ter um projeto de comunicação interna eficiente. São jornais, revistas, murais, vídeos, cartilhas, correios eletrônicos em redes de micro e outros recursos modernos da informação, trabalhando em sintonia para que a cultura da qualidade se materialize em ações e atitudes de todos os membros da organização.
Este exemplo relativo aos programas de qualidade ilustra a importância crescente da comunicação no contexto da economia contemporânea. Cada vez mais, empresas, governos e entidades de classe incluem a comunicação – interna e externa – entre suas prioridades, passando a encará-la como ferramenta imprescindível de administração e área estratégica para a obtenção de resultados.
Da mesma forma que é vital para o sucesso de programas de qualidade, a comunicação contribui decisivamente para que uma empresa possa ampliar sua produtividade, reduzir custos e responder em tempo hábil às rapidas transformações de um mercado globalizado, em constante ebulição.
Não há nenhum exagero em afirmar que a comunicação é absolutamente indispensável para que uma empresa se reorganize internamente de acordo com as exigências da economia contemporânea, ou seja, com base numa forte sinergia entre todos os funcionários e departamentos e no seu real comprometimento com os resultados da organização e o sucesso de seus negócios.
Ferramenta eficiente da reengenharia, a comunicação também é fundamental para projetar externamente a imagem da empresa moderna na sociedade em que está inserida.
Num mundo cada vez mais sem fronteira, no qual a cidadania encontra-se devidamente valorizada, tornaram-se muito restritos os espaços para as organizações herméticas e incapazes de interagir com os diferentes segmentos. Valoriza-se, hoje, a figura da empresa cidadã, que se pauta não só pela qualidade, pela eficiência e pelo sucesso nos negócios, mas também pelos valores da ética e comprometimento com o bem-estar e o progresso da comunidade e da nação. A multiplicação dessa filosofia no parque empresarial brasileiro, meta cuja conquista tem na comunicação um fator condicionante, é o caminho mais curto para conduzir o País ao desenvolvimento.
Ruy Martins Altenfelder Silva é presidente da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) e diretor do Instituto Roberto Simonsen (IRS)

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