A Difícil Transição De Chefe Para Líder

Não é mais novidade que quase todas as empresas deixaram (ou estão deixando) para trás o organograma vertical, que seguia a estrutura hierarquizada do velho modelo militar. Hoje, inspiradas no mundo dos esportes, as estruturas estão cada vez mais horizontais. Projetos são implementados e problemas são solucionados pelas equipes multifuncionais, onde cada membro contribui com a sua especialidade, como os grandes times de futebol.

A associação com a área esportiva não pára por aí. O estilo de liderar também encontrou no esporte o modelo ideal: a figura do Líder.

Líder é o papel que uma pessoa assume quando se compromete a apoiar alguém a atingir determinadas metas. Ele não se compromete apenas com os resultados, mas também com o ser humano. A função do líder é dar poder para que cada pessoa produza, transforme suas intenções em ações, que por sua vez, traduzam resultados. É essencialmente empowerment, para que o outro adquira competências, promova mudanças e, principalmente, transforme-se. É um compromisso com a pessoa, acompanhando sua evolução, dando-lhe suporte nos momentos difíceis e estimulando-a a avançar.

A diferença fundamental é que o novo líder não é valorizado só pelo seu potencial individual, mas o que ele consegue que as pessoas façam e a sua capacidade para descobrir o talento oculto das pessoas.

Infelizmente, o verdadeiro líder ainda é uma figura escassa nas empresas. Ele não é necessariamente o chefe, mas alguém que tem talento para orientar pessoas. Hoje, essa figura ainda é um artigo de luxo. A mudança não é fácil e infelizmente ainda impera o “manda quem pode e obedece quem tem juízo”. Muitas vezes, o gerente, o diretor, chegou a esta posição pela sua capacidade técnica, por conhecer bem o mercado. O papel de desenvolver pessoas não era exigido. Pelo contrário, o cargo foi um prêmio, um reconhecimento por sua capacidade de ser autoritário. Mas agora, o novo cenário diz que ele precisa mudar o estilo de atuar, rever sua “fórmula de sucesso”, e isso não é fácil.

Características de um verdadeiro líder:

* Conhecer cada um de sua equipe: o verdadeiro líder, além da visão clara do mercado, conhece profundamente sua equipe. Ele enxerga o mercado e estuda como cada um do seu time pode responder às exigências do setor.

* Acompanhar e orientar: hoje, a Avaliação de Desempenho é quase uma regra nas empresas. Mas se o líder não oferecer suporte e não acompanhar sua equipe, não será possível cobrar ou analisar o desempenho do funcionário. Se o líder não apóia, não orienta, não tem como cobrar credibilidade.

* O líder segue o seu cliente, não o contrário: o líder é que deve ser o seguidor. Primeiro, ele deve questionar o seu cliente para onde ele quer chegar. A partir daí, ele traça, encaminha e motiva para que seu cliente alcance o resultado estabelecido. Outro diferencial: quem sobe ao pódio é o cliente, não o líder.

* Profundo respeito e vocação para lidar com pessoas: vocação para ser um líder é para poucos. Precisa ser alguém que valorize pessoas, goste de acompanhar, saiba respeitar, dê suporte, saiba ouvir, seja humilde e estimule o desenvolvimento, sem se colocar como chefe.

* Saber pedir ajuda: muitos líderes têm medo de ser rotulados como incapazes, pois aprenderam que pedir ajuda é falta de habilidade, de competência. Historicamente, as empresas sempre valorizaram quem sabe se virar sozinho. Hoje, estão mudando, preferem profissionais que sabem dividir problemas e buscar soluções conjuntas.

* Ser ético: ser ético nada mais é do que agir direito, proceder bem, sem prejudicar os outros. É ser altruísta, é estar tranqüilo com a consciência pessoal, é agir de acordo com os valores morais de uma determinada sociedade.   Vinicius Marineli  Graduado e Pós-Graduado na área de TI com MBA em Gestão de Pessoas.

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