A Equipe Dos Sonhos – Head Hunters Escalam Executivos Para O Dream Team Corporativo

No comando do time, Manoel Horacio Francisco da Silva, ex-Telemar. Entre os jogadores: Fernando Tadeu Perez, do Itaú, na posição de diretor de Recursos Humanos, Olga Monroe, da Editora Ática, para a área de finanças, João Rosário, da Perdigão, na direção de vendas, e Augusto Cruz, do Grupo Pão de Açúcar, ocupando a vaga de diretor de desenvolvimento e planejamento. Esta foi uma das escalações para o time dos sonhos corporativo em enquete realizada pelo Jornal do Commercio com head hunters do Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba.O mercado brasileiro oferece mão-de-obra qualificada o suficiente para deixar os caçadores de talento em dúvida na hora de citar apenas um ocupante para o cargo de presidente ou posições de diretoria de uma empresa de sucesso fictícia. A prova da situação: nenhum executivo foi citado mais de uma vez pelos head hunters. Embraer, Ambev e Souza Cruz, no entanto, foram empresas recorrentes.- Além de uma formação sólida, o executivo cobiçado por qualquer organização têm experiência, traços pessoais que combinam com a cultura da empresa e, principalmente, visão do negócio – diz o sócio da Transearch, Luiz Felipe de Souza Calanzan. Esta última característica é tida como a mais importante pelo diretor de Recursos Humanos da Gillette, Mauro Ney Lacerda Ferreira.

Estratégia e objetivos: O executivo seria o responsável pelo RH do dream team ideal comandado por Mauro Molchansky, da Globopar, com Guilherme Botelho da Costa, da Souza Cruz, no setor de finanças, Mauro Multedo, do McDonald’s, como responsável pela área de marketing, e Antonio de Azevedo Castilho Neto, Grupo Votorantim, na posição de vendas.- Minha experiência na área de sistemas da companhia, assim como no setor financeiro, foi fundamental para desenvolver os planos de RH da Gillette. Entender a estratégia e os objetivos da corporação permitem contratações certas e desenvolvimento dos traços ideais dos funcionários – diz Ferreira, formado em Economia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com especialização em finanças pela PUC-Rio.Há 23 anos na Gillette, o executivo passou dois anos na Argentina como diretor de sistemas para a América Latina, antes de assumir a diretoria de RH há três anos. “Comecei no setor de sistemas, passei pelos cargos de gerente de custos e planejamento de negócios, já na área de finanças, para então chegar ao setor de RH, voltar para a área de sistemas com a experiência internacional e retornar ao País para a diretoria de Recursos Humanos”, explica Ferreira.

Presidente da De Bernt, empresa de hunting, Bernt Entschev ressalta que executivos que permanecem muito tempo na mesma empresa podem agregar valor ao currículo se passarem por funções distintas. “Grandes empresas são o cenário ideal para isso”, acredita Bernt, destacando que outro traço comum aos jogadores do time dos sonhos corporativos é a noção exata de sua função para a companhia. Na Embratel desde 1971, o diretor de RH, Joaquim de Sousa Correia, destaca que a habilidade para lidar com pessoas deve ser comum a qualquer ocupante de diretoria. Segundo head hunters, na empresa fictícia em que Correia ocuparia a posição de RH, Amauri da Silva, da Tigre seria o presidente, Nilton Cabral, da Souza Cruz, responsável pela área de finanças, e Rogerio Mainartes, da Rede Globo, ocuparia a cadeira de diretor de Marketing.- O profissional de RH é aquele que dá suporte às operações da empresa, por isso precisa ser bom articulador, passando confiança para os funcionários – diz a presidente da Mariaca & Associates, Iêda Novais. O mais importante, segundo Correia, é estar em contato com todos os setores da empresa.

Capacidade de ouvir

– É preciso participar de todas as áreas, sempre com o foco no resultado – acredita o diretor de RH da Embratel, que foi gerente de serviços do banco Mercantil de São Paulo. Outro ponto considerado fundamental, segundo Correia, é a capacidade de ouvir as pessoas. “Cabe ao profissional de RH investir em estratégias de motivação” diz Correia.Diretor-geral da Russel Reynolds, Ricardo Rocco destaca que os participantes do dream team corporativo precisam mostrar claramente para os funcionários a missão da organização e fazer com que todos a sigam. “O bom executivo sabe para onde está indo, comunica isso e consegue que os outros o sigam”, diz Rocco.

Para tanto é preciso estar focado na estratégia. Pensando nisso, a vice-presidente de marketing da Credicard, Carla Schmitzberger, mudou o rumo da carreira. Há 15 anos, ela aceitou o convite para deixar a área de planejamento de produto da Procter & Gamble em troca de uma posição no setor de marketing da empresa. Carla foi apontada pelos caçadores de talentos como uma das integrantes do dream team corporativo que teria Paulo Perequito, da Multibrás, como presidente, Maurício Luchetti, da Ambev, na área de RH, Álvaro dos Santos, da Telemar, em finanças, Ricardo Meyer, da Bavária, em vendas e Silvana Cosso, de O Boticário, como diretora de desenvolvimento. – A Engenharia me trouxe a base de lógica necessária à gestão. O líder deve estar ciente ainda de que não é possível gerir bem, sem dar atenção às pessoas – diz Carla, que estudou Engenharia Química na UFRJ, tendo concluído o curso na Universidade de Cornell, nos Estados Unidos. A executiva passou pela Johnson & Johnson, trabalhou na Alemanha e no Canadá e assumiu sua atual posição na Credicard há quatro anos. A presidente da Mariaca & Associates lembra que a criatividade e noção da área de vendas são traços importantes na área de marketing. “Neste setor, a capacidade de comunicação é ainda mais importante”, comenta Iêda. Para Carla, a curiosidade também é fundamental. “Estar sempre disposto a aprender, ter flexibilidade e capacidade de se adaptar completam os traços necessários”, diz Carla. Débora Oliveira

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