A Inveja É Uma… Coisa Boa!

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O sucesso dos outros incomoda você? O seu sucesso incomoda os outros?

A resposta mais provável para ambas as perguntas é sim. Ou pelo menos, as respostas sinceras. Não adianta esconder: todos sentem inveja. Sofrer com esse problema não leva a nada, mas encará-lo pode, sim, trazer bons resultados. O consultor Pedro Mandelli considera a inveja um sentimento barato. “Sentir inveja gera três trabalhos: sentir, abandonar e buscar a reeducação para receber os mesmos benefícios que o outro”, afirma.

Os motivos que levam alguém a sentir ciúmes do colega são muitos.

Um dos principais é a política de premiação, queixa frequente no Guia EXAME As 100 Melhores Empresas para Você Trabalhar. Os funcionários pesquisados reclamam muito do critério de promoção usado pelo chefe.

Portanto, um bom começo para, você líder, evitar os maus fluidos da inveja no seu ambiente de trabalho é tratar de criar regras claras de promoção e segui-las à risca. Patrícia Amélia Tomei, doutora em administração de recursos humanos pela FEA/USP e autora do livro “Inveja nas organizações” mostra outras formas para gerenciar a inveja dentro das organizações:

Incentivar a cooperação entre equipes, ao invés de estimular o individualismo

Criar uma estrutura de gestão participativa. As estruturas fechadas e os modelos autoritários de gestão dão margem à inveja

Promover de acordo com o mérito e o potencial de cada um. A politicagem é uma das principais reclamações sobre os chefes no Guia Exame

Combater as mentiras e os boatos com um sistema de informação competente

Ambientes competitivos criam um terreno fértil para a proliferação da inveja. E, na hora de combatê-la, infelizmente, nem todas as empresas têm as políticas citadas acima. Para saber se a sua inveja é forte responda às seguintes perguntas:

Você frequentemente se compara aos outros?

Você já menosprezou suas competências e talentos?

Você se sente irritado quando alguém ganha uma promoção ou consegue mudanças?

Você já se sentiu tentado a falar mal ou sabotar alguém?

Se você respondeu ‘sim’ para todas as perguntas, é um sinal de que encobre a inveja. A solução é tornar a inveja uma coisa positiva.

Procure na outra pessoa as boas competências que podem ajudar você a ser cada vez melhor. Idalberto Chiavenato, Ph.D. em administração pela City University, de Los Angeles, afirma que o segredo está em transformar a ‘inveja negativa’ em ‘inveja positiva’. “O ideal é fazer um ‘benchmark’ do outro, usando-o como trampolim para a sua renovação individual”, diz Chiavenato. “É um pouco a ideia freudiana de racionalização. Se a pessoa entender que está com inveja e conseguir tratar o invejado como um marco, o problema estará praticamente resolvido.”

Quer um exemplo de sucesso? Voltemos a Florença, no ano de 1504. Naquela época, dois artistas disputavam a atenção de todos os italianos: o jovem Michelangelo Buonarroti, 29 anos, e Leonardo Da Vinci, 51. Ambos alimentavam uma rivalidade enorme. Michelangelo sempre discordava de quem considerava Leonardo um gênio. Esse, por sua vez, não perdia uma oportunidade de criticar Michelangelo por pintar apenas figuras hercúleas. Relatos dão conta que durante um encontro, os dois chegaram a discutir em praça pública.

Historiadores juram que, na verdade, Michelangelo nutria uma certa inveja pelas obras de Leonardo. No entanto, fez disso algo positivo. Num canto de seu ateliê, ele estudava algumas inovações técnicas como o jogo de sombra e luz, inventadas por Da Vinci. Ou seja, uma inveja positiva que instigou Michelangelo o suficiente para construir uma carreira cujo currículo inclui obras-primas como a Última Pietà e a Capela Sistina. Guardadas as devidas proporções, você pode fazer o mesmo. Não inveje de maneira negativa, mas espelhe no outro o sucesso. Dessa maneira, a inveja se torna saudável para sua carreira

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