A Tenda Da Liderança

Não vamos acrescentar mais uma descrição dos traços de caráter ou dos processos de reflexão dos líderes. A análise que fizemos de numerosos dados coletados sobre as qualidades deles revela que todas as competências vitais de liderança podem ser agrupadas em cinco elementos, que comparamos às estacas de uma tenda:

Caráter. Nosso modelo começa com uma estaca central representando o “caráter” do indivíduo. Caráter pessoal é a parte central da eficiência na liderança. Os padrões éticos, a integridade e a autenticidade do líder são extremamente importantes. Com um caráter pessoal sólido, o líder nunca tem medo de ser franco e transparente. Na verdade, quanto mais as pessoas puderem vê-lo “por dentro”, mais o líder será respeitado. Sem esse tipo de caráter pessoal, o líder está sempre correndo o risco de ser “descoberto”.

Capacidade pessoal. A estaca da capacidade pessoal descreve a constituição intelectual e emocional e as habilidades do indivíduo. Inclui capacidade de analisar e resolver problemas e competência técnica, e exige a habilidade de criar uma visão clara e o senso de propósito. Grandes líderes precisam dessas capacidades pessoais. A liderança não pode ser delegada. O líder deve ser emocionalmente maleável, confiar nos outros e ter suficiente autoconfiança para comandar reuniões produtivas e falar bem em público.

Foco nos resultados. O foco nos resultados descreve a capacidade de impactar e de levar as tarefas até o fim. Ainda que se trate de um ser humano maravilhoso, se não produzir resultados balanceados e sustentáveis, não é um bom líder.

Habilidades interpessoais. A liderança se expressa por meio do processo de comunicação, e é o impacto que o líder tem sobre as outras pessoas. As habilidades interpessoais são a expressão do caráter do indivíduo e a janela através da qual vemos e sentimos esse caráter. Fizemos uma separação entre o impacto do líder sobre as pessoas e sua capacidade de obter resultados em outras áreas, como resultados financeiros, aumento da produtividade ou melhoria das relações com o cliente.

Liderança na mudança. Outra expressão de liderança vem da capacidade de produzir mudanças positivas. A mais alta expressão de liderança envolve mudança. Administradores cuidadosos podem manter as coisas caminhando, mas quando a organização está para enveredar por um novo caminho ou quer alcançar um desempenho superior, é preciso um líder. Para muitos papéis de liderança, as quatro primeiras estacas podem ser suficientes. A última estaca só é necessária para a liderança de uma mudança estratégica.

Falhas fatais

Percebemos cinco padrões de comportamento que consistentemente levam ao fracasso da liderança. A presença de uma ou mais destas características torna difícil a atuação de um líder eficiente.

1. Incapacidade de aprender com os erros. Os executivos que não avançam na carreira cometem mais ou menos os mesmos erros daqueles cujas carreiras vão de vento em popa; a diferença é que não aproveitam os reveses e as falhas como experiências de aprendizagem. Eles escondem os erros, não alertam os colegas sobre as conseqüências que podem advir, não tomam medidas imediatas para consertar o que fizeram e tendem a ficar “batendo na mesma tecla”, revivendo constantemente o que aconteceu. Os líderes extraordinários reconhecem logo o erro, alertam os colegas sobre as possíveis conseqüências e fazem de tudo para corrigir; em seguida, esquecem o assunto e seguem adiante.

2. Falta de competências e habilidades interpessoais básicas. Comportamentos como rispidez, autoritarismo, inflexibilidade, indiferença, arrogância e intimidação em geral levam à ruína dos líderes. Nenhum outro talento ou capacidade é capaz de suprir essa deficiência. Nenhuma combinação de inteligência, dedicação ao trabalho, sagacidade nos negócios e capacidade administrativa compensa a falta de habilidades interpessoais. Ser interpessoalmente incapaz destrói a carreira do líder, com certeza. Ficamos surpresos com a quantidade de pessoas em posições de gerenciamento e liderança a quem faltam habilidades sociais básicas. Quando falar com alguém, olhe nos olhos. Quando conversar, demonstre que está prestando atenção. Não domine a conversa. Interesse-se sinceramente pelas idéias e atividades do interlocutor. Ria das piadas e ditos bem-humorados. Elogie o empenho e os esforços do outro por uma boa causa. Sorria quando cumprimentar.

Essas habilidades são básicas no comando de discussões destinadas a identificar e resolver problemas, acompanhar, apresentar projetos, dar e receber feedback, e de reuniões produtivas com a equipe de trabalho.

3. Falta de receptividade a idéias novas ou diferentes. Rejeitar sugestões, insistindo em fazer as coisas à maneira antiga e fechando-se a novas idéias é maneira certa de afastar colaboradores e produzir duas conseqüências negativas. Uma é o impacto sobre os outros. As pessoas se sentem ignoradas, vêem suas idéias depreciadas e sua contribuição desvalorizada. Esta negativa em considerar novas idéias cria também um clima repressor de estagnação. O desenvolvimento do pessoal fica seriamente comprometido. Sob o comando de um líder assim, o moral despenca e a rotatividade de funcionários aumenta. Além disso, boas idéias e soluções deixam de ser aproveitadas, e a organização fica estagnada. Como as idéias interessantes são logo reprimidas, as pessoas param de pensar em maneiras melhores de fazer as coisas, e a organização perde a oportunidade de crescer com base em sugestões vindas das mais variadas fontes.

4. Falta de responsabilidade. O líder que não assume inteira responsabilidade pelo desempenho da equipe de trabalho está destinado ao fracasso. Uma qualidade-chave que distingue um líder extraordinário é o estado de espírito. Esses líderes vão além da responsabilidade pelo próprio desempenho, interessando-se pela produtividade de toda a equipe. A responsabilidade pode ser definida em quatro categorias: 1) comportamento com os colegas; 2) comportamento com os superiores; 3) comportamento com outras equipes; 4) valores e atitudes pessoais. Eles são responsáveis tanto quando o trabalho da equipe vai bem, como quando vai mal. Quando as coisas vão bem, o líder eficiente elogia diretamente o pessoal da linha de fogo. E se as coisas não vão bem, ele assume inteira responsabilidade e nunca sai distribuindo acusações.

5. Falta de iniciativa. A dificuldade em iniciar uma ação, fazer as coisas acontecerem e melhorar significativamente o desempenho do grupo é um balde de água fria nas aspirações do líder. Um líder deve fazer as coisas acontecerem. Falta de iniciativa é o oposto do que a organização precisa e espera. O líder com iniciativa analisa a realidade do momento e pergunta: Em que eu poderia fazer uma grande diferença? O que precisa ser feito, e só pode ser feito por mim? O que eu poderia fazer para criar uma diferença significativa no desempenho da equipe? Com base nas respostas, o líder com iniciativa adota as providências para fazer as coisas acontecerem.

Se você possui uma ou mais dessas características, procure corrigi-las, atenuá-las ou assuma um cargo onde a sua contribuição seja individual.

As organizações têm o dever de oferecer aos líderes mecanismos positivos para que possam corrigir comportamentos não desejáveis. Esses mecanismos podem incluir acompanhamento ou monitoria que garantam feedback contínuo, levando à modificação de seus comportamentos.

John H. Zenger, CEO da Provant, e Joseph Folkman, presidente da Novations, são co-autores de The Extraordinary Leader (McGraw Hill). Ação: Avalie os seus líderes com base neste modelo. John H. Zenger e Joseph Folkman

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