A Violência É Genética?

O ser humano carrega o vírus da violência inserido não na mente, mas no seu código genético. Esse ingrediente maléfico é usado, inclusive e muitas vezes, pelos próprios Estados constituídos para justificar a própria paz. E para fazer a paz, fomentam a guerra. Além disso, o ser humano, isoladamente, como uma unidade, é covarde. Incapaz de agir até em defesa própria. Entretanto, se ofendido busca utilizar os recursos para se vingar. Sem armas, é um nada. Com uma arma na mão, transforma-se no justiceiro de sua própria insignificância. Assim, podemos explicar a alienação de pais despreparados para lidar com filhos, a intolerância das torcidas organizadas, dos grupos de extermínios, do crime organizado. É através da pressão, do achaque, da impiedosa demonstração de força, se insinuando através das ações persuasivas, que a violência prospera e se instala em todos os setores da sociedade, direta ou indiretamente. E o grupo maior, nunca irá procurar um grupo maior para enfrentar. Procurará demonstrar a sua força, com um grupo menor ou um indivíduo isolado, alvos “do poder” tresloucado e ignorante.

Há seis anos atrás, no dia dois de junho, o país foi sacudido por uma notícia que, pelo seu teor, exacerbou o grau de virulência da sociedade. Tim Lopes, um repórter investigativo, era executado por um grupo de traficantes, no Rio de Janeiro. O fato ganhou notoriedade pelo fato de se tratar de uma pessoa de trato afável e benquista, pai de família, premiado jornalista e defensor das causas sociais, que procurava imprimir o seu trabalho com ardor e eficiência. A morte violenta de Tim Lopes despertou a nossa própria fragilidade e a consciência de que todos somos alvo das ações predatórias de quem vive à margem da lei e da ordem. Ficamos acuados em nossa expectativa de que, no exercício de nosso trabalho, a liberdade de ir e vir, a manifestação livre do pensamento, não tem amparo e não é respeitada. Ficamos à mercê da sorte, pois cada vez mais se revela a fragilidade e a corrupção dentro das instituições que deveriam nos proteger e, a apropriação de ações deletérias para deixar o cidadão cada vez mais apalermado e descrente da autoridade pública, que é o agente primeiro, único e responsável pela nossa segurança.Silvio Luzardo Fonte: www.timlopes.com.br

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