Adversidade

Quem nunca passou por adversidade, não é mesmo?

Pessoais, temos vários exemplos. Profissionais, igualmente.

Diz-se que mar calmo não forma bons marinheiros, então, é na adversidade que forjamos bons profissionais.

Em uma época, onde gerações inteiras de profissionais pensam que a adversidade é um problema e não uma solução, divido dois textos para reflexão.

O primeiro de Plutarco, filósofo:

Saber Contornar As Vicissitudes

Quando estamos febris, tudo quanto provamos nos parece amargo e desagradável, mas, ao vermos outrem saborear as mesmas iguarias sem fazer cara feia, não mais culpamos a comida ou a bebida: culpamo-nos a nós mesmos e ao nosso destempero. De modo similar, desistimos de incriminar as circunstâncias e de com elas nos preocupar quando vemos outrem aceitando as mesmas circunstâncias plácida e alegremente. Quando as coisas não correm na medida dos nossos desejos, muito contribuirá para o nosso contentamento pensarmos nas coisas agradáveis e encantadoras que nos pertencem; na mistura, o melhor eclipsa o pior. Quando os nossos olhos são ofuscados pela claridade excessiva, nós acalmamo-los olhando para a verde relva e para as flores; todavia, mantemos a mente absorta com o que é penoso e forçamo-la a remoer sem trégua os vexames, desviando-a violentamente de pensamentos mais reconfortantes.

Plutarco, in “Do Contentamento”

 

Como o ser humano gosta de um problema… Prefere ver a dor do que a felicidade. Prefere saborear a perda com gosto amargo do que perceber a oportunidade de uma futura vitória em aprender com seus erros.

 

 

E, o filósofo Agostinho da Silva igualmente corrobora:

 

Os Grandes Forjam-se na Adversidade

Todo o ambiente é favorável ao forte; de um modo ou de outro ele o ajuda a cumprir a missão que se impôs e a conseguir ir porventura mais além das barreiras marcadas. A derrota deve mais atribuir-se à invalidez do impulso interior do que aos obstáculos que lhe ponham diante, mais à alma incapaz de se bater com vigor e tenazmente do que às resistências, às invejas e às dificuldades que o mundo possa levantar perante Hércules que luta.
O mal que se vê é aguilhão para o bem que se deseja; e quanto mais duro, quanto mais agressivo, se bate em peito de aço, tanto mais valioso auxiliar num caminho de progresso; o querer se apura, a visão do futuro nos surge mais intensa a cada golpe novo; o contentamente e a mansa quietude são estufa para homens; por aí se habituaram a ser escravos de outros homens, ou da cega Natureza; e eu quero a terra povoada de rijos corações que seguem os calmos pensamentos e a mais nada se curvam.

Mais custa quebrar rochar do que escavar a terra; mais sólido, porém, o edifício que nela se firmou. A grandeza da obra é quase sempre devida à dificuldade que se encontra nos meios a empregar, à indiferença que cerra os ouvidos do povo, e aos mil braços que logo se levantam para deter o arquitecto. Se cai em batalha, pobre dele, podemos lamentá-lo; não o chamara o Senhor para as grandes empresas; mas se pelo menos a voz se lhe erguer clara, firme, heróica no meio do turbilhão, não foram inúteis as dores e os esforços: algum dia um novo mundo se erguerá das brumas e o terá como profeta.
Quem ia a perturbar ficará perturbado, quem ia a matar ficará morto. Não é com os mesquinhos artifícios, nem com o desprezo, nem com a mentira, nem pelo cansaço, nem pela opressão, nem pela miséria que se vencem os que pensaram num futuro e, amorosamente, com cuidados de artista, continuamente, com firmeza de atleta, o vão erguendo pedra a pedra. É necessário que se resista enquanto houver um fôlego de vida, mas que essa resistência seja sobretudo o contacto com a realidade da força criadora; é esta que afinal tudo leva de vencida e reduz oposições a pó inútil e ligeiro.

Agostinho da Silva, in ‘Textos e Ensaios Filosóficos’

 

E o que temos feito com a adversidade da vida?

Do limão, uma limonada? Uma caipirinha?

Mais do que apenas ver com olhos bons o que está acontecendo, temos que tirar lições de aprendizado e buscar nos erros o sucesso.

Por exemplo, chegou na audiência e o preposto não foi. E agora?

Se está preparado, terás o telefone do preposto, ou da empresa, ou ainda do escritório para ligar e tentar em cinco minutos resolver tudo.

Agora, se você mesmo chega atrasado e sem nenhum dado, a adversidade será um problema da vida ou um problema aprofundado/criado por você mesmo?

Somos resultado de nossas escolhas, jamais esqueça disto.

Podemos ter problemas, dificuldades, adversidade de outras situações na nossa situação, contudo, elas serão fruto de aprendizado se soubermos com elas aprender.

Adversidade, sim. Ficar parado, nunca. Deixar de aprender, jamais.

Gustavo Rocha-GestãoAdvBr CEO – Consultancy on Strategic Management and Technology-Bruke Investimentos CEO – Business, Valuation, M&A, Opportunities, Market Business and more.Web: www.gestao.adv.br | www.bruke.com.br

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