Algumas Reflexões Sobre Dinâmica De Grupo

Dinâmica Como Meio E Não Como FimAs dinâmicas de grupo existem para facilitar o processo ensino-aprendizagem, para auxiliar o professor de várias formas, como um meio de facilitar a compreensão de assuntos difíceis, de motivar e envolver os alunos, de tornar as aulas mais interessantes, aproveitar melhor o tempo disponível, descobrir talentos, ajudar no processo de seleção, estudar a solução para problemas reais ou, como são mais utilizadas, para promover a integração e melhorar as relações em grupos de estudo, trabalho, desenvolvimento de equipes, etc.

Uma coisa, todavia, devemos sempre lembrar: a Dinâmica de Grupo é um meio e não um fim é um canal e não o item principal do processo ensino-aprendizagem. Isso porque, infelizmente, muitos professores, descobrindo a riqueza da dinâmica de grupo, enchem seu plano e a própria aula, de dinâmicas e jogos, transformando a aula em um megashow de efeitos, capaz de ganhar um Oscar de efeitos especiais, como se fosse o Spielberg, agradando aos alunos pela “alegria” da aula, sem que isso resulte na aprendizagem propriamente dita de algum conteúdo ou técnica, isto é, sem alcançar o objetivo principal do curso.

Quando isso ocorre, muitas vezes, os próprios alunos que “gostaram” da aula são os primeiros a apresentar reclamações pela falta de objetividade, vazio da aula ou porque não sabem aonde o instrutor quer chegar.

“Uma das formas de transformar o jogo (dinâmica) em atividade inútil é usá-lo para atender a falhas no planejamento. É muito comum o profissional de treinamento e desenvolvimento receber convites dos mais diversos, como:
‘Escuta, você não tem um joguinho aí de meia hora? Estou com esse tempo sobrando no meu programa!’
ou:
‘Olha, você não tem um joguinho para fazer a integração da turma? Eles não se conhecem e o clima na empresa não está para peixe! Tenho vinte minutos para acalmar os ânimos do grupo.’
e ainda:
‘Vamos colocar um joguinho antes da teoria? Vamos ter duas horas seguidas de exposição e a turma pode dormir!’
Normalmente, essas solicitações partem de profissionais que desconhecem o potencial de um jogo, quando o facilitador tem tempo para trabalhá-lo de forma a alcançar os resultados propostos.

É preferível deixar o grupo descansar, ou fazer uma pequena pausa no programa, a aplicar um ‘joguinho’ para preencher tempo. Os participantes merecem que nós, facilitadores, ofereçamos o melhor para seu desenvolvimento!”  (Gramina, Jogos de Empresa, Makron Books, 1993).  Airton Soares

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