Alguns Perigosos Comportamentos Corporativos

Nas empresas mais avançadas gerencialmente, já se fala muito em clima e cultura. A cultura é “o caldo” que se forma a partir de atitudes e comportamentos dos proprietários e altos gestores, desde sua fundação.   Ao visitar uma empresa você poderá ver nas paredes e salas símbolos da cultura, que vão desde mapas envelhecidos, grampeadores com dezenas de anos de uso, máquinas velhas encostadas em algum canto como relíquia por ser a primeira da empresa…até ambientes mais “clean e modernos” com esculturas, iluminação e outros adereços….

As coisas que se vê no ambiente físico permitem ter uma ideia de como é o “jeitão da empresa”….se é conservadora, tradicional, formal, moderna….O clima é a “temperatura” do ambiente, conforme reflexos que a empresa esteja sofrendo em função do mercado e dos gestores. Se ao chegar a recepcionista te disser…”cuidado, que a coisa hoje tá azeda”, significa que as pessoas que estão criando esse clima não desligam seu “botão deixa prá lá”, quando chegam ao trabalho…”espalhando o terror”, como se diz na rádio peão.

Quando ocorrem fusões ou incorporações de empresas, normalmente profissionais são contratados para realizar um “ajuste cultural”, da antiga cultura de quem foi incorporado, para a nova cultura. E tratam o clima também, para recomeçar de forma mais harmoniosa e produtiva.   No Brasil, as grandes incorporações e fusões passaram por esse processo com profissionais que trataram o tema.     O clima exige um trabalho de RH e T&D, focando emoções, mudanças de paradigmas, absorção de novos conceitos e metodologias, tratar os sentimentos, mudar comportamentos.   O próprio autor atuou num projeto de 33 meses na Petrobrás, em que um dos focos era clima e cultura, com dezenas de eventos e mais de 2.800 pessoas treinadas e envolvidas.

Nesse foco, vamos tratar de alguns perigosos comportamentos corporativos, que influenciam o clima e cultura empresarial e por consequência os resultados das empresas.

Criar Feudos Corporativos,

Atuar de forma a criar Ilhas dentro das empresas, que se transformam em arquipélagos, quebrando a comunicação, interação, troca de energias e por efeito disso tudo, toda a possível sinergia que poderia ser obtida se todos planejassem resultados juntos, atuassem juntos passo a passo, em busca do resultado coletivo da organização……Esse aqui é “peixinho do homem”, é uma frase sussurrada em corredores ou até fora da corporação……Os empreendedores (criadores do negócio) e empresários (gestores do negócio), que adotarem esse comportamento para ter ao lado seus “mosqueteiros”, ou “escudeiros do rei”, podem se dar mal a médio e longo prazo, porque irão contaminar toda a cultura e criar um clima de “fervura constante” dentro de suas empresas. Nossa resposta é que trabalhem com organização das funções, definir bem as responsabilidades e autonomia, para que as pessoas possam se desenvolver pela competência e não pelo grau de “adulação ao patrão”.

Passar Por Cima Dos Níveis Hierárquicos

Por falta de crescimento pessoal, seja por formação, hábitos culturais, sociais e familiares, muitos donos de empresas ainda estão habituados a dar ordens, pedir realização de atividades diretamente aos subordinados de uma gerência ou outro gestor abaixo da sua posição……quebrando a hierarquia definida pelo organograma da empresa, mesmo que de maneira informal.. Essa atitude vai criar nas pessoas um posicionamento de defesa para se manter nos empregos…..e aí,…. “atendo primeiro o dono da empresa, o filho do dono, ou o meu chefe,… meu superior na empresa ?……Esse tipo de dúvida não vai ajudar nos resultados e sim atravancar os mesmos, atrasar decisões, misturar autoridades, conturbar o ambiente. Começar pela revisão do organograma é um bom caminho. E respeitá-lo, uma boa decisão.

Estimular A Fofoca Corporativa,

O autor tomou contato com um caso desses há algum tempo, o dono do negócio tinha o hábito de estimular a fofoca, para ficar sabendo de tudo nos bastidores, através dos escudeiros do rei.

Ele criou diferenciais de tratamento e atenção dentro dos grupos, sendo aparentemente amigo de todos, mas de forma particular tratando alguns como mais íntimos ainda, patrocinando cursos, eventos e trazendo-os para o grupo dos ESCUDEIROS DO REI.

Esse comportamento vai criar um sentimento de inveja e raiva ao mesmo tempo entre pessoas da organização, mensageiros que levam as informações ao REI, assim que caem na rede interna, mais rapidamente que a rádio peão.

Na verdade o ambiente interno dessa empresa é instável, porque as pessoas suportam a pressão da autoridade, clima e cultura, em nome do trabalho, mas pessoalmente tem suas queixas.   É um erro muito grave esse tipo de comportamento nos dias de hoje, de comunicação “vap-vupt”, “redes sociais bombando”, pessoas conectadas o tempo todo.

Ficar Em Cima Do Muro

Nos processos de decisão nos quais são importantes as manifestações e apoio de todos para que as soluções sejam colocadas em prática, um membro do grupo, seja familiar ou não, não se manifesta, coloca-se em cima do muro e os demais, por receio de contrariá-lo, vão adiando as decisões e consequentes soluções, prejudicando a empresa com isso….

Ora, vamos pensar…..se existe uma situação problema que precisa ser resolvida, uma decisão adiada, postergada vai fazer com que prejuízos da operação sejam maiores, que ela deixe de ganhar espaço no mercado, de ocupar novos nichos que poderiam ser atingidos se todos no grupo decidissem em conjunto……Aos envolvidos, cabe refletir, que se um acusar o outro e todos culparem os demais, ninguém tem razão, todos estão errados. É o que ocorre nas brigas entre casais ou pessoas comuns, quando dois se acusam mutuamente, ambos estão errados. E aquele que está em cima do muro e tenha poder de fazer alguma coisa para melhorar uma situação similar, que desça do muro e cumpra seu papel !   É como o treinador de futebol, que não decide a troca do jogador que foi mal no primeiro tempo.   O general, que não decide que lado apoiar na batalha.

Não Confiar Nas Equipes E Pessoas Da Empresa

Mantendo um clima de vigilância constante e estanque em todos os departamentos, onde as informações de um setor não são compartilhadas pelos seguintes no processo de gestão, onde até os e-mails corporativos usados pelos colaboradores tem suas senhas mantidas pelo empreendedor e os usuários não tem acesso, processos ainda existentes em alguns negócios, pelo natureza desconfiada dos proprietários com medo de serem roubados……

Há alguns anos em Mirassol, o autor teve contato com um empresário que passava parte dos finais de semana, vendo as fitas gravadas na produção, para ver se descobria alguém roubando sua fábrica……Moral, quebrou….

Ora, ter pessoas na organização é abrir espaço para que cresçam, desenvolvam eu potencial profissional e isso não ocorre sem treinamento, capacitação. Isso vai levar ao processo de delegação, que poderá conduzir à meritocracia, caso se visualize que é melhor pagar algum benefício pelos resultados acima do esperado do que empacar em patamares que não levam os negócios a ganhar “share” (fatia maior), no mercado……É preciso confiar nas lideranças nomeadas para cada cargo na empresa. E dar a elas a responsabilidade de gerenciar as pessoas, processos e resultados. Dar metas e cobrar.

Autor: Prof.João Mariano de Almeida, administrador de empresas, com pós em RH e mestrando em Gestão de Negócios, atuando desde 1981, em T&D (para formar e reciclar lideranças) e produtividade pessoal (redução dos ciclos das atividades).   Também desenvolve Projetos de Melhorias dos Resultados (PMR),focando marketing-vendas, compras-estoques, produtividade-processos, redução de custos-desperdícios, nas empresas familiares. Em RH, forma multiplicadores nos processos de avaliar desempenho-rever funções-atividades-responsabilidades-autonomia. É autor do kit de áudiolivros “As 10 Dicas para o Sucesso da Empresa Familiar”.

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