Anjos Do Empreendedorismo

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Pediu as contas no banco e, coincidência ou não, viu na televisão uma reportagem sobre um grupo de geração de renda apoiado pela Aliança Empreendedora, organização social que atua em Curitiba com o fomento e apoio ao empreendedorismo comunitário e de baixa renda.

Ana Paula procurou a entidade, começou a fazer pães de mel, mas, com a cabeça focada na ideia de ser dona do seu nariz, passou a frequentar cursos de capacitação de empreendedorismo. Entre aulas de marketing, técnicas de venda e relações com fornecedores, ela fez uma pesquisa junto ao público, para descobrir qual a receita de pão de mel preferida pelas pessoas. “Nada de bolacha seca, todo mundo queria uma bolacha macia, com recheio e cobertura”, conta ela, que logo achou um nome “gostoso” para batizar o novo empreendimento: Chamelle Pão de Mel.

Com a receita na mão e alguns conhecimentos de gestão na cabeça, ainda faltava o essencial para começar o negócio: dinheiro. Foi aí que ela recorreu a um outro instrumento disponibilizado pela Aliança Empreendedora: o financiamento colaborativo pela internet.

No Portal Impulso, criado para captar crédito para empresários de pequeno porte como Ana Paula, foi postado um vídeo contando a sua história. O objetivo era conseguir R$ 1,5 mil para a compra de uma batedeira, formas e outros equipamentos para a produção, microcrédito que foi fechado por meio de 54 pessoas, chamadas de Anjos Investidores, que viram sua história no portal e investiram no empreendimento.

“Foi um retorno muito bacana e rápido”, avalia. Hoje, ela atende encomendas para festas e hotéis. Sua capacidade máxima de produção é de 2.500 pães de mel por mês.

O que Ana Paula fez foi participar de um a forma de financiamento que ganha cada vez mais espaço em todo mundo, o crowdfunding. Traduzido para o português, seria algo como “financiamento pela multidão”. A ideia é fazer com que várias pessoas contribuam, com pequenas quantias, de maneira colaborativa, para viabilizar uma ideia, um negócio ou um projeto específico.

O processo é bastante simples e em geral segue o modelo do site americano Kickstarter, lançado em 2009, e que virou referência em plataforma para projetos artísticos no mundo todo. O autor do negócio ou projeto apresenta sua proposta em uma plataforma online. Ali, ele publica um vídeo que explica seu projeto, define o valor que pretende captar e promete recompensas para quem colaborar. Os brindes variam de acordo com a doação.

A partir daí, é só iniciar a divulgação do projeto nas redes sociais, nas rodas de amigos e contatos em geral. Os internautas interessados em apoiar o projeto fazem a sua contribuição, em qualquer valor, a partir de uma quantia mínima. Quando a meta de arrecadação for atingida, o dono do negócio dá a recompensa, não financeira, a seus colaboradores. Por exemplo, se o projeto anunciado for uma peça de teatro, os investidores podem receber ingressos. Se for um filme, podem ganhar uma cópia em primeira mão.

Se o projeto captar os recursos desejados, os donos da plataforma ganham uma comissão, que pode oscilar desde 3% até 10% do valor arrecadado. Mas se a meta não for alcançada, os investidores recebem seu dinheiro de volta, e tanto os donos da plataforma como o dono da ideia saem sem nada.

(Este texto foi produzido pela jornalista Maigue Gueths para a 12ª edição da Revista Soluções, publicação do Sebrae/PR. Para conferir essa e outras matérias, clique aqui e baixe a Revista Soluções.)

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