Aperfeiçoamento Contínuo: Quinto Princípio

“Somos aquilo que fazemos repetidas vezes. Portanto a excelência não é fruto de um feito e sim de um hábito.”  Aristóteles

Continuando nossa conversa vamos prosseguir falando sobre o princípio do aperfeiçoamento contínuo e sua prática no dia a dia de nossas vidas incluindo aqui nossas organizações. Esta frase de Aristóteles serve para tantos exemplos de nossa vida que não deixo de repeti-la sempre que posso.

Muito mais importante do que saber aprender sempre é o querer aprender sempre! Pessoas e organizações, ou ainda, as pessoas nas organizações — e fora delas, têm consciência de que devem reciclar-se continuamente (isto é saber – ter consciência). Entretanto a priorização particular de cada problema a ser tratado no dia a dia, faz com que esta necessidade seja colocada em segundo plano (isto é querer – priorizar coisas e pessoas).

A prática do aperfeiçoamento contínuo pode ser avaliada/percebida:

* Pelo incentivo a busca de novas informações, tecnologias, processos etc.,

* Pela filosofia de que se aprende trabalhando,

* Pelo aprendizado obtido na busca de melhoria contínua que nem sempre é traduzida em ganhos imediatos,

* Incentivo e auto motivação para estudar,

* Atitudes gerenciais que estimulem o aprender com os erros.

Entretanto, se vamos falar de aperfeiçoamento contínuo, vamos falar um pouco de nós. De nada adianta a empresa criar esta condição se o meu não querer é mais forte que o meu saber. E aí a organização não pode atuar. Nós não mudamos as pessoas, elas é que mudam. Podemos, quando muito e se formos muito competentes para tal, criarmos condições para essa consciência de mudança e transformação, mas é só isso. Aperfeiçoamento contínuo está ligado diretamente ao nosso complexo sistema de valores e temos que compreender o quanto isto nos impulsiona ou nos impede de buscá-lo.

Encontramos pessoas que participam de palestras, custeiam seus próprios estudos, buscam intensamente oportunidades de aprendizado (e sempre encontram). Em contra partida existem os que ficam em casa assistindo a novela das oito. Nada contra desde que isto agregue valor à minha vida, afinal, de vez em quando assisto a novela das oito, geralmente no último capítulo onde conheço todo o enredo.

Portanto para aprender é preciso antes da mais nada querer aprender. Conheço profissionais que tiveram uma infância muito humilde, pobre ou com muito poucos recursos ou oportunidades de aprendizado. Porém sua vontade em aprender fez com que superassem estas dificuldades e hoje são pessoas competentes profissional e interpessoalmente.

Sim, porque o sucesso na vida não está apenas no aspecto da competência técnica, mas da interpessoal, da capacidade que temos em interagir com as pessoas ao nosso redor e aperfeiçoamento contínuo também compreende esta dinâmica.

Quando a empresa decide optar e praticar este princípio significa que estará desenvolvendo ferramentas gerenciais adequadas para tal, monitorando-se através de questões que devem ter respostas afirmativas como:

* Estimulamos o aprendizado dentro e fora da organização?

* Aplicamos ferramentas de gestão que buscam a solução de problemas e aprendemos com isto?

* Somos uma learning organization (organização que aprende)?

* Sabemos o que é gestão do conhecimento e a praticamos?

* Aprendemos com nossos erros e acertos? Estes momentos têm abordagem positiva ou punitiva?

* Nossos líderes são facilitadores/orientadores (o oposto de centralizadores, executores e autocráticos)?

Para nós, pessoas que buscamos a felicidade e o sucesso (a ordem não importa) o que devemos monitorar em nós mesmos para saber que queremos nos aperfeiçoar continuamente? Sem querer ser professor, filósofo ou terapeuta, aqui vão alguma dicas que pratico no meu dia a dia:

* Eu invisto pelo menos 40 horas por ano em treinamento e desenvolvimento gerencial, comportamental e generalista, além do desenvolvimento técnico; quantas horas você investe nisso?

* Gosto de participar de palestras, mesmo gratuitas ou fora de meu âmbito profissional, podem ser religiosas, filosóficas, metafísicas etc; você tem esse hábito?

* Numa palestra, onde sou ouvinte, sou de fato ouvinte; não prejulgo a informação do palestrante, procuro entender sua mensagem, não a critico de forma desqualificativa e concluo, somente a partir daí, se a mensagem serve para mim ou não; e você, afinal, como processa a informação recebida em eventos dessa natureza?

* Leio pelo menos um livro por ano, independente do número de páginas, sobre comportamento, filosofia, religião, qualidade de vida e assuntos relacionados; e você?

* Leio somente revistas de bom nível (HSM Management, T&D, Banas Qualidade, além dos artigos deliciosos deste site e da minha querida Izabel) e não revistas que falam de formar campeões, Mauricinhos e Patricinhas organizacionais porque eu sou um ser humano e não um Super Homem; e você, como está sua leitura?

* Para aqueles que acham caro estas leituras e práticas, lembro um ditado de um grande professor que tive em minha vida: meu avô, que era carpinteiro, mal sabia escrever e ajudou a pagar minha especialização na FGV:

— Filho estude! Pois o saber não ocupa lugar! Este artigo dedico a ele, que não está mais ao alcance dos meus olhos mas não sai de perto de meu coração.

Finalmente, este talvez seja o paradigma mais difícil de adotarmos porque ele implica a saídas contínuas de nossa zona de conforto mas sempre nos deixará preparado para um futuro, qualquer que seja ele.

Desejo a todos a capacidade de discernir e aprender continuamente. Joel Bueno da Costa Filho – joel@decisao.srv.br

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