Aprender Empreendendo, Mesmo Que Fracassando

Aprender empreendendo, mesmo que fracassando

Fundos investem em quem já quebrou a cara com empresa própria. Por que as empresas não fazem o mesmo?

Em fevereiro, o Valor Econômico publicou matéria na qual afirmava que “muitos fundos de participações, especialmente aqueles voltados a negócios de tecnologia e internet, passaram a investir em empreendedores que estão em seu segundo ou terceiro negócio, depois de terem criado empresas que, por alguma razão, acabaram malsucedidas”. O motivo? “Pessoas que não se deixam abater por um revés em seus primeiros projetos, a ponto de começar tudo de novo, têm a propensão de criar negócios em série – um ponto importante para quem quer patrocinar companhias nascentes”.

Eu iria além, afirmando que, além dos investidores, esses empreendedores mal sucedidos deveriam interessar às empresas de todos os mercados, digitais ou não, para compor seus quadros.

Explico.

Tentar um negócio próprio, mesmo que sem sucesso, é uma excelente experiência profissional. É uma oportunidade de aprendizado ímpar, capaz de agregar maturidade por colocar alguém no papel de empresário . Trata-se, portanto, de uma chance de autoconhecer-se como profissional, de praticar uma espécie de checagem das próprias capacidades técnicas e das nuances que compõem o perfil psicológico, ao mesmo tempo em que se aprende a entender melhor o lado dos patrões.

O valor das aventuras empreendedoras, assim, não reside somente no aprendizado que se leva para potenciais novos negócios, mas também para dentro das empresas estabelecidas. Fala-se em “empreendores internos”, funcionários capazes de ter iniciativa para desenvolver projetos novos e colocá-los em funcionamento, fazendo as empresas crescerem. Ex-startupers malsucedidos podem ser excelentes empreendedores internos, se demonstrarem capacidade de aprendizado com os próprios erros. Um empreendor entrevistado pelo Valor lembra que “aprendemos muito mais com o fracasso. O sucesso legitima tudo e costuma levar o empreendedor a não analisar possíveis erros de estratégia”. Quantos funcionários de carreira têm essa oportunidade?

Ex-startupers não precisam compor maioria nos quadros corporativos, até porque tendem a ser donos de um perfil muito específico, que dificilmente se sente atraído por planos de carreira convencionais. Porém, podem ser chamados para projetos específicos, como criação de novos produtos, entrada em mercados desconhecidos etc. Teria muito a agregar e poderiam, paradoxalmente, fazer dessa sua especialidade: envolver-se em projetos de tiro curto, agregando o diferencial que têm: a coragem e a experiência de quem quebrou a cara tentando empreender.  Por que não? André D´Ángelo.

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