As Diversas Formas De Amar

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De uma maneira geral, pode-se dizer que existem três diferentes formas de amar. Cada uma representa um momento definido da evolução das pessoas desde a infância até a idade adulta. O amor infantil é um amor carente. A criança ama seus pais – ou aqueles que dela cuidam – justamente pela necessidade que deles tem. Essa forma de amor, que podemos chamar de amor egoísta, é essencial para a sobrevivência e a única ao alcance das crianças e também daqueles que ainda não evoluíram de uma situação emocional infantil. A partir da adolescência já é possível desenvolver uma forma de amor que se manifesta sob uma perspectiva de troca. Assim, nos tornamos capazes de não apenas amarmos a quem nos ama, mas conseguimos oferecer à pessoa amada uma retribuição de amor. De um pleno egoísmo, o jovem evolui para a possibilidade de ser capaz de dar também, além de receber. Mas é no amor desinteressado, aquele que geralmente se consolida quando nascem os filhos, que culmina o desenvolvimento do sentimento de amor. É quando se ama independentemente da retribuição a ser recebida, quando a recompensa do amor vem do próprio prazer do sentimento generoso se desenvolvendo dentro de nós mesmos. E o elemento mais fundamental para o crescimento da capacidade de amar consiste na auto-estima, pois é a partir dela que cada um encontra alicerce para praticar o preceito de amar ao próximo “como a si mesmo”. A evolução da capacidade de amar é uma medida bastante precisa do desenvolvimento mental e espiritual de cada pessoa e pode ser vista no comportamento afetivo. Podemos observar se este comportamento se caracteriza pelo egoísmo, pela proposta de troca ou pela generosidade desinteressada. Nosso desenvolvimento espiritual depende de nossa capacidade de amar generosamente, pois somente assim estaremos praticando a caridade, sem a qual nada somos, nada valemos. Como disse São Paulo, na “Primeira Epístola aos Coríntios”, talvez o mais belo texto jamais escrito sobre a caridade: “Ainda que eu fale a língua dos homens e dos anjos, se não tiver caridade não serei mais que bronze que soa, se não tiver caridade, nada disso me aproveitará.”

Luiz Alberto Phy

 

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