O Silêncio Que Supera O Bem E O Mal

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Perguntaram a um homem eminente que havia viajado muito ao redor do mundo se poderia falar sobre alguém que tivesse conhecido.

Ele respondeu: “Viajei pelos sete climas, mas no mundo inteiro não vi mais

que um homem e meio.

A unidade foi um homem que morando numa zawya não falava nada de bom nem

nada de mal de ninguém.

A metade era um homem excelente nisto, que das pessoas somente falava o

bem.”

Enquanto o bem e o mal te acompanharem, não terás coração clarividente nem

alma consciente; mas depois que deixes um e outro, tua alma será absorvida

dentro do segredo da santidade.

“Le Livre Divine”(Ilahi Nama), Farid ud din Attar

Idolatria para cima

Alguém pede a um sufi:

— Ensine-me a rezar.

— Não somente você já está rezando — diz o sufi — mas uma parte de teu espírito está constantemente ocupada com rezas.

— Eu não compreendo, — replica o outro — já fazem alguns meses que sou incapaz de rezar a Deus, não sei por que razão…

— Você me disse: “ Ensine-me a rezar.” Você não tinha mencionado Deus. Ora a oração em que estás absorto há vários meses está endereçada a seus vizinhos, porque tu te preocupas constantemente daquilo que eles pensam de você. Você faz também uma permanente oração ao ídolo do dinheiro, pois é dinheiro que você deseja. Tua reza se endereça ainda a uma imagem da segurança e à uma imagem da abundância. Se você tem tantos deuses e se você reza tanto ao ponto que isto constitua uma parte permanente de teu ser, é porventura espantoso que não tenhas lugar para outro tipo de oração?

Do livro “O Buscador da Verdade” de Idries Shah

A Vida Sem Celular

No dia 28 de outubro de 2012 meu celular foi furtado. Eu terminara de ministrar uma palestra em um evento aberto e atendia a alguns participantes, como de hábito, quando alguém sorrateiramente foi ao palco e subtraiu o aparelho que estava dentro do bolsão frontal de minha mala executiva. Mais ainda, o meliante, provavelmente com apoio de outra pessoa, também acessou minha carteira, retirou todo o dinheiro e recolocou-a intacta em relação a documentos e cartões.

Fui dar por conta do ocorrido cerca de uma hora depois. E, honestamente, gostaria de encontrar o protagonista para prestar-lhe toda a minha… gratidão!

Lição 1 – Simplicidade

Após comunicar a operadora de telefonia celular e bloquear o aparelho, aproveitei que era um domingo e fui a um shopping para adquirir uma nova carteira. A minha não fora furtada, mas poderia tê-lo sido. E ao analisar seu conteúdo, desprovido de dinheiro, topei com diversos cartões bancários e de empresas, além de documentos de porte não obrigatório. Questionei-me: para que carregar tudo isso?

Cheques não são mais utilizados, título de eleitor só tem serventia a cada dois anos, cartões de fidelidade podem ser acessados pelo CPF. Assim, era preciso esvaziar aquela carteira que, de tão magra, precisou ser substituída.

Hoje carrego a habilitação, o cartão do convênio médico, um cartão de crédito e um de débito. Fim! E isso nos conduz a uma importante reflexão: precisamos resgatar a simplicidade.

Exemplificando, dois ternos e dois pares de sapatos são suficientes para qualquer homem, aliados a cinco camisas sociais e, por vaidade, igual número de gravatas. Isso me faz lembrar uma cena do filme “A mosca”, na versão dirigida por David Cronenberg, quando Jeff Goldblum abre seu guarda-roupas evidenciando apenas ternos pretos e camisas brancas, ao que sentencia: “Não quero perder tempo pensando no que irei vestir pela manhã”.

Lição 2 – Estupidez corporativa

No início da semana fui atrás de repor o aparelho. A tarefa parecia fácil, ao menos para mim, pois dentre os inúmeros modelos disponíveis eu sabia exatamente o que desejava: o mais barato, disponível por uma nota de cem reais. Porém, no momento de fazer a habilitação, um problema: o serviço estava bloqueado.

Ocorre que quando fiz o plano corporativo, adquiri também um modem para acessar a rede através de meu notebook. Entretanto, o aparelho não funcionava. Ao acionar a operadora, insistiam que eu deveria procurar o fabricante do modem! Após quase um ano sem solução e pagando por um serviço que não utilizava, cancelei-o. Contudo, a operadora insistiu na cobrança gerando um débito indevido, despropositado e ilegal, que surgiu naquele instante como impeditivo para habilitar um novo aparelho.

Dentro deste contexto, ou eu pagava por um débito injusto, ou não teria meu número de volta. Fiquei com a segunda opção, entrando para a restrita família dos “sem celular”.

Registre-se, neste momento, a incompetência da empresa de telefonia. Primeiro, ao não reconhecer e buscar solucionar o problema com o tal modem. Segundo, por obstar a habilitação do novo aparelho, perdendo receita – e mais um cliente. Terceiro, por conquistar o direito a uma ação judicial. Não tem jeito: empresas continuam sendo péssimas amantes de seus clientes. Lutam para conquistá-los, mas não aprendem a mantê-los…

No celular adquirido habilitei um chip pré-pago. Hoje, mantenho o aparelho desligado em meu carro, para utilização exclusiva em caso de eventual emergência.

Lição 3 – Liberdade

Vamos deixar claro que adoro tecnologia. Quando jovem, era pioneiro em adquirir gadgets. Também aprecio demais a praticidade, a ponto de instalar uma fechadura digital só para não ter que portar chave para entrar em casa. Mas estamos nos tornando escravos cibernéticos, com uma dependência patológica da tecnologia.

É preciso desligar dispositivos móveis algumas horas por dia para partilhar da companhia de familiares, amigos e de si mesmo.

Há anos o computador é meu instrumento de trabalho, de modo que já passo tempo acima do aceitável diante dele. Por isso, acho um despropósito ver como os smartphones tomaram conta do cotidiano, isolando as pessoas do mundo real, virtualizando as relações, minando o diálogo. E você sabe disso, pois está cansando de ver – e talvez protagonizar – as corriqueiras cenas de pessoas em volta de uma mesa de bar sem conversar, apenas dedilhando em suas minúsculas telas.

Viver sem celular fortaleceu meu instinto de planejamento, pois agendo compromissos, organizo-me para comparecer, saio com antecedência ou comunico previamente um eventual atraso. Trouxe-me segurança e serenidade, pois não sou interrompido em reuniões ou quando estou no trânsito. Permitiu-me a liberdade de ser dono do meu próprio tempo e não refém das demandas de outrem. Ademais, proporcionou-me momentos de intimismo, quando fico imerso em meus próprios pensamentos, ao invés de “aproveitar aqueles intervalos para telefonar ou enviar mensagem a alguém”.

Céticos de plantão e profissionais que notadamente dependem da comunicação instantânea e em tempo integral dirão que é balela. E eu lhes direi que, ainda assim, precisam aprender a desligar seus dispositivos móveis algumas horas por dia para partilharem da companhia de familiares e de amigos – além de si mesmos.

Tom Coelho é educador, conferencista e escritor com artigos publicados em 17 países. É autor de “Somos Maus Amantes – Reflexões sobre carreira, liderança e comportamento” (Flor de Liz, 2011), “Sete Vidas – Lições para construir seu equilíbrio pessoal e profissional” (Saraiva, 2008) e coautor de outros cinco livros. www.tomcoelho.com.br, www.setevidas.com.br tomcoelho@tomcoelho.com.br

A Motivação para Reter Talentos na Área de TI

O mercado de TI cresce cada vez mais, tanto no Brasil quanto em outros países. A necessidade de profissionais altamente qualificados para lidar com a tecnologia da informação acompanha esse ritmo, que tende a aumentar. A concorrência entre empresas do ramo é acirrada e, muitas vezes, pode oferecer melhores condições de trabalho. Então, o que se pode fazer para motivar um bom funcionário e reter talentos?

A motivação é um fator importantíssimo: ela aumenta a produtividade e o bem estar no ambiente de trabalho, gerando satisfação tanto para o empregado quanto para o empregador. Porém, isso pode ser um grande desafio para as organizações, que precisam manter seus profissionais de TI ativos, dinâmicos e criativos e gerar oportunidades dentro da própria empresa. Mesmo difícil, a tarefa não é impossível. Como palestrante motivacional, observo que existem alguns passos fundamentais para quem deseja melhorar o desempenho e a satisfação de seus funcionários.

Uma boa remuneração não basta para motivar um profissional de TI. Existem muitas outras medidas que devem ser tomadas para isso. Um bom exemplo é a criação de um plano de cargos e salários. Com essas questões bem definidas, os trabalhadores da organização saberão até que ponto podem subir e quais oportunidades serão dadas em caso de promoção. Mostrar que é possível crescer e desenvolver-se em áreas técnicas específicas – ou até mesmo chegar à liderança – é essencial. Outro grande diferencial para empresas de tecnologia de informação é oferecer experiências no exterior, levando funcionários esforçados para trabalhar e aprender mais em outros países.

O ambiente de trabalho também possui um papel importante na motivação dos profissionais. Promover um clima organizacional favorável, que faça com que os funcionários sintam-se a vontade, é o ideal. Isso permite que os relacionamentos ocorram de forma mais natural, incentivando a formação de uma equipe forte e unida. E isso não é tarefa de uma única pessoa: tanto o gestor quanto os colaboradores devem buscar se expressar com clareza, para que não surjam desentendimentos e brigas. A comunicação interna é imprescindível para integrar os funcionários, então fortaleça esse conceito! Facilitar a interação e valorizar opiniões sobre o que ocorre na empresa faz com que todos se sintam parte dela.

Entretanto, de nada adianta tomar todas essas medidas sem dar nenhum feedback aos profissionais. Todos gostam de saber se seus resultados estão satisfatórios e se realmente agregam valor à empresa onde estão trabalhando. Reconheça os pontos positivos e, é claro, não deixe de dar conselhos sobre possíveis falhas. Sabendo em que ponto podem melhorar, os funcionários enxergam para onde devem direcionar seus esforços. Para isso, é bom realizar reuniões semanais privadas. Lembre-se: nunca exponha os erros de um funcionário em frente à equipe. Isso traz sentimentos de inferioridade e humilhação, tornando bem baixas as chances de permanência do profissional.

Deixar de dar valor à motivação pode ser um enorme erro. Profissionais felizes com seus empregos tendem a ser muito mais dedicados e confiáveis, o que alivia um pouco a pressão e a instabilidade na área de TI. Além disso, ela impulsiona a produtividade, gerando resultados muito melhores. A felicidade no trabalho pode parecer um conceito fantasioso para alguns, mas pode ser facilmente alcançada.

Marco Zanqueta é palestrante motivacional há 9 anos. Dedica seus conhecimentos da arte de falar em público, com seu know how de ator e mágico profissional há 21 anos para criar suas palestras motivacionais com mágica de um jeito moderno e pensando sempre em trazer resultados. www.palestracommagica.com.br

Negociação – Novas Perspectivas

Na era do conhecimento, informação, capital intelectual, globalização e Internet, a negociação assume uma função cada vez mais importante. Negociação é o processo de alcançar objetivos através de um acordo nas situações em que existam interesses comuns e divergências de idéias, interesses e posições. Importa em comunicação, processo decisório compartilhado entre as partes e solução de conflitos.
Existem alguns contextos que mostram a importância e a necessidade crescente de se negociar:
1) A todo o momento os meios de comunicação estão se referindo à fusões, incorporações, joint-ventures e alianças estratégicas, como necessidades de uma economia moderna, dinâmica e competitiva. As negociações estão presentes, não apenas quando se firmam acordos estabelecendo estes tipos de procedimentos, mas também nas suas implementações, quando pessoas, provenientes de culturas organizacionais distintas e até conflitantes, devem encontrar termos comuns e trabalharem numa mesma direção.
2) Um novo estilo de gerência que busca o máximo aproveitamento das potencialidades de pessoas, freqüentemente, bastante capacitadas, em que perdem, ou mesmo não encontram espaço, conceitos do tipo “manda quem pode, obedece quem tem juízo” ou “você é pago para fazer, não para pensar”, ou seja, quem pensa são os escalões superiores. Aos demais cabe apenas executar.
3) A nova estrutura organizacional, com o achatamento da pirâmide e diminuição dos níveis hierárquicos, em que as decisões em redes, equipes de trabalho e forças-tarefas, substituem as decisões de cima para baixo.
4) Os crescentes conflitos entre etnias, como o recente conflito em Kosovo, em que as formas não negociadas de solução redundam em procedimentos extremamente perversos.
5) As conseqüências negativas ou os custos do progresso. Entre eles a destruição de florestas tropicais, as chuvas ácidas, os resíduos nucleares, a destruição da camada de ozônio, o lançamento de dióxido de carbono na atmosfera, redundando em aquecimento, efeito estufa e a previsão de elevação dos níveis dos mares.
Assim, em virtude de todas estas situações, é preciso negociar. Mas também, é preciso que se identifique o que deve ser enfatizado e os enfoques a serem adotados nas negociações.
1) Mais do que nunca, é preciso compreender e desenvolver a capacidade de negociar ganha/ganha
O ganha/ganha é a forma mais difícil de negociar. Sem uma grande dose de competência fica praticamente impossível se chegar ao ganha/ganha. Existe mesmo alguma confusão a respeito, inclusive a crença subjacente de que negociar ganha/ganha é ser bonzinho. Em negociação o bonzinho é um perdedor. Para se chegar ao ganha/ganha é preciso que se tenha em vista dois fatores: as posturas dos negociadores e as formas de negociar. Nas negociações sempre existem alguns dilemas, entre eles os seguintes: 1- cooperação ou competição; 2 – verdade ou mentira; 3 – curto prazo ou longo prazo. O negociador com a postura ganha/perde escolhe a competição, a mentira e o curto prazo. Só opta pela verdade caso possa tirar proveito dela e pelo longo prazo caso possa criar uma relação de dependência. Tem como proposição básica: levar vantagem em todos os pontos. Vale tudo. O importante é não ser pego.
Já o negociador ganha/ganha tem como ponto base que a efetividade de um acordo é produto de sua qualidade por sua aceitação. Qualidade significa atendimento dos interesses legítimos das partes e aceitação é a adesão emocional e comprometimento com o que ficou acordado. E isto só acontece quando se consegue manter o relacionamento em nível construtivo, apesar de todas as divergências e conflitos de interesses.
Um outro ponto importante para o ganha/ganha são as formas de negociar. Existem duas formas, que são a barganha de propostas e a solução de problemas. Quem negocia barganha de propostas tem como conduta básica o exagero das vantagens e a diminuição ou ocultação das desvantagens de sua proposta. E procede inversamente com a proposta do outro lado. Exagero das desvantagens e diminuição ou desconhecimento das vantagens. Este tipo de negociação redunda numa verdadeira queda de braço e em soluções de qualidade inferior.
Já para se negociar solução de problemas é necessário que se conheça e se percorra todas as etapas do processo de solução de problemas e tomada de decisão, tais como, definição do problema, diagnóstico da situação, formulação de alternativas, escolha da solução e implantação da decisão ou do acordo. Mais ainda. Que se conheça a função do pensamento convergente e divergente em cada uma destas etapas. É em decorrência disto que negociar ganha/ganha é bastante difícil e demande muita competência.
Como exemplo, há um estudo sobre alianças estratégicas que mostra que, em muitos casos, não se chegou ao resultado esperado porque não se levou na devida conta todas as etapas do processo decisório e de solução de problema. Assim, dificuldades culturais não foram identificadas, bem como conflitos nos negócios e tamanho da concorrência. Ou seja, não foram consideradas todas as forças impulsionadoras e restritivas existentes.
Já, quando se adota a abordagem da solução de problemas, o investimento pode ser altamente compensador. Um caso clássico, neste sentido, é o da Wal-Mart e da Procter&Gamble, que negociavam na base da queda de braço e resolveram adotar a abordagem da solução de problemas. Como resultado, surgiu a criação de um sistema informatizado de inventário, com o qual, as duas empresas puderam poupar milhões de dólares, fortalecer o relacionamento entre elas e gerar negócios da ordem de 3 bilhões de dólares.
2) Uma questão básica: saber a diferença entre objetivo e alternativa e manter o foco.
Nem sempre os negociadores levam em conta que qualquer acordo é uma das alternativas possíveis e que a solução que encontrarem é tão boa quanto a melhor alternativa que conseguirem gerar. Assim, por exemplo, há casos de alianças estratégicas que falharam pelo fato dos negociadores verem a aliança como um objetivo em si mesmo, e não como uma alternativa para se chegar a um determinado objetivo. Em decorrência, fecham-se acordos sem que sejam avaliadas as reais necessidades, nem as alternativas de alianças que sejam mais adequadas, ou seja, perde-se o foco daquilo que é realmente importante.
3) Flexibilidade é fundamental, ou a época das certezas já era.
Flexibilidade significa encontrar condutas e obter respostas apropriadas para cada situação. E o que dá certo num contexto ou para algumas pessoas, pode dar completamente errado em outro contexto ou para outras pessoas. Assim, como não se pode ter certeza de que estamos escolhendo o melhor caminho, devemos estar atentos aos feedbacks que estamos recebendo. Em última instância, o que importa não é o que se faz mas as respostas que se obtém pelo que se faz. E, se aquilo que estamos fazendo não provoca a resposta desejada, devemos mudar. Mas para isto é preciso, não só diagnosticar, mas também estar efetivamente conectado e ter repertório para se poder encontrar a forma mais apropriada de agir de acordo com as necessidades de cada situação.
4) Só entender do assunto não basta. É preciso trabalhar o processo e os relacionamentos.
Normalmente os negociadores estão tão focados no assunto, ou conteúdo da negociação, que se esquecem do processo e dos relacionamentos entre eles. E, o como se faz, freqüentemente é tão ou mais importante do que aquilo que se faz. Quer nos demos conta ou não, sempre estamos em alguma etapa do processo de negociação. Estas etapas vão da preparação até a implementação do acordo. Igualmente, é preciso estar atento aos relacionamentos. E relacionamento importa em emoção e comunicação. Assim, existem comportamentos, como a agressão e regressão, que dificultam ou mesmo inviabilizam um relacionamento construtivo, e que se manifestam, sobretudo, nos momentos de maior tensão e conflitos. Assim, estar atento ao processo e saber tratar as pessoas de forma adequada é algo que contribui significativamente para que se mantenha o foco naquilo que é realmente importante.
5 ) Informação é poder. Mas é preciso saber separar o joio do trigo.
A matéria prima do processo de negociação é a informação. Informações que são geradas e obtidas dentro ou fora da negociação. E, se a matéria prima estiver com defeito, o produto, ou seja, o acordo, estará comprometido. Assim, é preciso ter muito cuidado com o lixo, ou seja, informações distorcidas e difundidas de forma leviana. As vezes, difundidas com objetivos de manipulação, ou com o intuito de provocar distúrbios, de forma semelhante à transmissão de vírus em computadores. Portanto, saber obter e identificar, dentro do processo de negociação, as informações relevantes, separando o joio do trigo, se constitui numa das habilidades mais expressivas de um negociador.
6) A Internet facilita, mas não substitui o contato face a face.
Com a Internet, a possibilidade de se obter informações e de contatos que passem pelas barreiras da hierarquia se amplia significativamente. Entretanto, nada substitui o contato pessoal. É bastante comum ver pessoas que, em suas relações profissionais, só se conheciam, por exemplo, através do telefone, expressarem uma satisfação muito grande quando se encontram face a face. É no contato pessoal que se conhece a linguagem corporal, as expressões faciais, a forma de respiração. É muito difícil, senão impossível, estabelecer uma relação mais profunda e personalizada à distância e, consequentemente, criar um relacionamento de confiança.
7) Negociar em equipe, mais do que nunca é uma necessidade
Negociar em equipe, mais do que nunca, está se tornado uma necessidade imprescindível, sobretudo para os casos mais complexos, em que é impossível, para uma única pessoa, dominar todos os aspectos relevantes. Isto porque, o montante de conhecimentos e informações técnicas, jurídicas, econômicas e financeiras necessárias, é extremamente significativo. Além disto, uma pessoa que for negociar sozinha com uma equipe bem preparada estará em tremenda desvantagem. Para negociar bem em equipe é indispensável uma boa preparação, com uma definição precisa de papéis, procedimentos e códigos de comunicação. Em princípio, não é do nosso feitio dedicar muita atenção à preparação, seja nas negociações individuais, seja nas negociações em equipe. Se uma equipe bem preparada é extremamente poderosa, uma equipe despreparada pode se constituir num verdadeiro desastre.
8) É preciso desenvolver a capacidade organizacional de negociação
Normalmente, quando se busca capacitação em negociação, pensa-se somente em capacitação individual. Alguns poucos, em equipe e, raramente ou nunca, em capacitação organizacional. Isto tem sido sempre assim em função de uma compreensão fragmentada da questão. Entretanto, pode se constituir em grave erro, pois a capacidade de uma empresa, em termos de negociação, não depende apenas das capacidades individuais de seus negociadores. Negociadores excelentes, mas com condições organizacionais adversas, podem ter desempenhos medíocres e, o que é pior, serem responsabilizados por um desempenho, cujo fator determinante foi a baixa capacitação organizacional e não individual. É neste sentido que se faz indispensável compreender o que venha a ser e qual a importância da capacitação organizacional em negociação.
A capacitação organizacional de negociação procura dar resposta a seguinte pergunta: quais são as condições necessárias e suficientes para que negociações realizadas individualmente ou em equipe tenham êxito? Inicialmente devemos ter em mente que as negociações podem ser relativas a aspetos estratégicos, táticos ou operacionais. As negociações estratégicas são muito delicadas, isto porque em geral, erros ao nível tático e operacional, mesmo que importem em sacrifícios, podem ser assimilados. Já erros ao nível estratégico podem levar a empresa à falência. Assim, se as negociações ao nível estratégico forem mal conduzidas e concluídas, por melhor que sejam os desempenhos nas negociações táticas e operacionais, o resultado final, para a empresa, será extremamente duvidoso. Portanto, a identificação dos vários níveis de negociação e de suas importâncias relativas é o ponto de partida para que se possa identificar os processos, estruturas e recursos necessários para se chegar à competência organizacional em negociação.
Negociar, mais do que nunca, vem a se constituir numa habilidade essencial. Mas é preciso estar atento aos pontos que podem fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso. J Wanderley – Consultor do Instituto MVC

Integração De Pessoal

Objetivos:

Começar a integração do grupo, partindo de algo fundamental: conhecer-se mutuamente, iniciando a relação interpessoal;

Romper o gelo desde o princípio, a fim de desfazer tensões;

Demonstrar que nenhum membro do grupo pode passar despercebido;

Dar uma primeira idéia dos valores pessoais dos membros participantes.

Tamanho Do Grupo: 25 a 30 membros.

Tempo: 45 minutos, aproximadamente.

Ambiente: Uma sala bastante ampla com cadeiras para acomodar todos os integrantes.

Desenvolvimento:

O animador inicia, explicando que o exercício que será realizado exige que todos se sintam à vontade. Isto obriga que todos saibam quem é quem. Não se chegará a um conhecimento grupal, a não ser conhecendo os indivíduos. Isto é possível conseguir de várias maneiras. O que se pretende com este é a apresentação a dois, para isso:

o animador solicita que os membros participantes formem subgrupos a dois, preferencialmente com parceiros desconhecidos;

durante uns 6 a 7 minutos, os subgrupos formados se entrevistam mutuamente;

voltando ao grupo único, cada membro fará a apresentação do colega entrevistado;

nenhum poderá fazer sua própria apresentação;

cada membro participante deve permanecer atento e verificar se sua apresentação, feita pelo colega, é correta e corresponde aos dados fornecidos;

a seguir, o animador pede aos participantes que se manifestem sobre a apresentação feita pelo colega e sobre o valor do exercício.

A Hora De Entrar Na Nuvem

A hora de entrar na nuvem

Na visão de Alexandre Kazuki, diretor de marketing da HP, o cloud computing veio para ficar.

Os últimos anos foram marcados pelo surgimento de novas tecnologias que impactaram a vida de milhares de empresas e milhões de pessoas. Smartphones, novas soluções de mobilidade, tablets, dispositivos “multiuso”, acesso irrestrito à informação… São novidades que aparecem a cada minuto – e cuja adoção se dá em uma velocidade incrível.

Muito desse fenômeno tem por trás uma mudança significativa no mundo da infraestrutura de tecnologia: o surgimento da computação em nuvem, ou cloud computing. É essa tecnologia que permite que as informações estejam disponíveis não só em nosso ambiente de trabalho ou em nossas casas, mas de maneira integrada e de fácil acesso.

O mercado corporativo brasileiro vem amadurecendo rapidamente na adoção da nuvem. Para as empresas, a virtualização de ambientes de TI foi o primeiro passo da jornada para a computação em nuvem. Virtualização, basicamente, é a técnica de separar aplicação e sistema operacional de componentes físicos. Por exemplo, uma “máquina virtual” possui a aplicação e sistema operacional tal como um servidor físico. A diferença é que eles não estão vinculados a um hardware específico. Em ambientes mais avançados, podem ser disponibilizados onde for mais conveniente.

Esse modelo permite que as aplicações possam ser portadas para outros sistemas operacionais e hardwares (físicos ou virtuais) de maneira fácil e rápida. Isso é muito comum, por exemplo, quando existe uma demanda específica por processamento em uma determinada parte de uma empresa; Pensemos no e-commerce, por exemplo: num período de promoção, existe a necessidade de maior capacidade para dar conta do número de acessos e compras realizadas. Ao adotar a cloud computing, a companhia que vende não precisa comprar novos equipamentos – basta contratar o serviço e a melhoria na capacidade para atender à sazonalidade. Outra vantagem é a possibilidade de trocar o investimento em TI (tecnologia da informação) por um serviço simples e prático. Trata-se de trocar despesas de aquisição por despesas operacionais – música para os ouvidos de qualquer executivo financeiro.

O mercado de serviços públicos de computação em nuvem cresceu cerca de 20% em 2012, em todo o mundo, ultrapassando a marca de US$ 100 bilhões em receita. A publicidade on-line está crescendo rapidamente também nesse nicho, tornando serviços (como o Gmail) acessíveis a grande parte da população e das pequenas empresas, que usam esse tipo de solução para tornar o seu dia a dia mais ágil e profissional.

As grandes empresas estão mais avançadas nesse sentido. Mas ainda estão começando a investir em sua própria infraestrutura de cloud para tornar suas aplicações, dados e ambiente de TI acessíveis em qualquer lugar do mundo – e de maneira extremamente segura. Bancos e instituições financeiras, ícones da busca por segurança e eficiência em tecnologia, estão aderindo massivamente à computação em nuvem.

Órgãos públicos, que precisam cada vez mais do auxílio da TI para atender à população de maneira eficiente, também estão aderindo à tendência. O Brasil, aliás, está evoluindo muito nesse sentido, com um plano estratégico para impulsionar a adoção dos serviços de cloud computing – envolvendo ações para o setores público e privado. A iniciativa é do governo federal e algumas das medidas fazem parte do programa “TI Maior”, nome popular do Programa Estratégico de Software e Serviços de Tecnologia da Informação, lançado em agosto pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Marco Antonio Raupp.

As grandes organizações e os órgãos públicos já sabem o quanto adotar computação em nuvem traz de benefícios para os seus negócios. Pequenas e médias empresas estão começando a descobrir que também podem usar o modelo para se profissionalizar e ser mais competitivas. E nós, os usuários finais de tecnologia, os consumidores de produtos e serviços, já estamos usando cloud computing sem nem saber. O que só prova o quanto essa silenciosa revolução é definitiva. Alexandre Kazuki – Diretor de marketing do HP Enterprise Group