O Samurai Idoso

O Samurai Idoso

Perto de Tóquio vivia um grande samurai, já idoso, que adorava ensinar sua filosofia para os jovens. Apesar de sua idade, corria a lenda que ele ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.

Certa tarde, um guerreiro conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu por ali. Era famoso por utilizar a técnica da provocação: esperava que seu adversário fizesse o primeiro movimento e, dotado de uma inteligência privilegiada para reparar os erros cometidos contra-atacava com velocidade fulminante.

O jovem e impaciente guerreiro jamais havia perdido uma luta. E, conhecendo a reputação do velho samurai, estava ali para derrotá-lo, aumentando sua fama de vencedor.

Todos os estudantes manifestaram-se contra a idéia, mas o velho aceitou o desafio. Foram todos para a praça da cidade, e o jovem começou a insultar o velho mestre. Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou todos os insultos conhecidos – ofendeu inclusive seus ancestrais.

Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho mestre permaneceu impassível. No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se.

Desapontados pelo fato do mestre ter aceito tantos insultos e provocações, os alunos perguntaram: Como o senhor pode suportar tanta indignidade? Por que não usou sua espada, mesmo sabendo que podia perder a luta, ao invés de mostrar-se covarde diante de todos nós?

– Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente? – perguntou o velho samurai.

– A quem tentou entregá-lo – respondeu um dos discípulos.

– O mesmo vale para a inveja, a raiva, e os insultos – disse o mestre. Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carrega consigo.

O Obstáculo mais Difícil da Vida

O Obstáculo mais Difícil da Vida

Um grande sábio possuía três filhos jovens, inteligentes e consagrados à sabedoria.

Em certa manhã, eles altercavam a propósito do obstáculo mais difícil no grande caminho da vida.

No auge da discussão, prevendo talvez conseqüências desagradáveis, o genitor benevolente chamou-os a si e confiou-lhes curiosa tarefa.

Iriam os três ao palácio do príncipe governante, conduzindo algumas dádivas que muito lhes honraria o espírito de cordialidade e gentileza.

O primeiro seria o portador de rico vaso de argila preciosa.

O segundo levaria uma corça rara.

O terceiro transportaria um bolo primoroso da família.

O trio recebeu a missão com entusiástica promessa de serviço para a pequena viagem de três milhas; no entanto, no meio do caminho, começaram a discutir.

O depositário do vaso não concordou com a maneira pela qual o irmão puxava a corça delicada, e o responsável pelo animal dava instruções ao carregador do bolo, a fim de que não tropeçasse, perdendo o manjar; este último aconselhava o portador do vaso valioso, para que não caísse.

O pequeno séqüito seguia, estrada afora, dificilmente, porquanto cada viajante permanecia atento as obrigações que diziam respeito aos outros, através de observações acaloradas e incessantes. Em dado momento, o irmão que conduzia o animalzinho, olvida a própria tarefa, a fim de consertar a posição da peça de argila nos braços do companheiro, e o vaso, premido pelas inquietações de ambos, escorrega, de súbito, para espatifar-se no cascalho.

Com o choque, o distraído orientador da corça perde o governo do animal, que foge espantado.

O carregador do bolo avança para sustar-lhe a fuga, e o bolo se perde totalmente no chão.

Desapontados e irritadiços, os três rapazes voltam a presença do pai, apresentando cada qual a sua queixa de derrota.

O sábio, porém, sorriu e explicou-lhes:

— Aproveitem o ensinamento da estrada. Se cada um de vocês estivesse vigilante na própria tarefa, não colheriam as sombras do fracasso. O mais intrincado problema do mundo, meus filhos, é o de cada homem cuidar dos próprios negócios, sem intrometer-se nas atividades alheias.

Enquanto cogitamos de responsabilidades que competem aos outros, as nossas viverão esquecidas.

O Leão Apaixonado

O Leão Apaixonado

Um Leão pediu a filha de um lenhador em casamento. O Pai, apesar de contrariado por não poder negar, já que o temia, vislumbrou também na ocasião, uma excelente oportunidade para livrar-se de vez daquele incômodo.   Enfim, Ele disse que aceitaria em tê-lo como genro, mas com uma condição: Este deveria deixar-lhe arrancar suas unhas e aparar os seus dentes, pois sua filha tinha muito medo dessas coisas.

Feliz da vida, sem pensar duas vezes, o Leão concordou.

Feito isso, ele tornou a fazer seu pedido, mas o lenhador, que já não mais o temia, pegou um cajado e o expulsou de sua casa. Assim, vencido, ele retornou à floresta.

Ouça, Por Favor

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Extraído do livro: Histórias para aquecer o coração dos adolescentes

Quando peço para você me ouvir e você começa a me dar conselhos, não está fazendo o que eu pedi.

Quando peço para você me ouvir e você começa a me dizer por que eu não deveria me sentir assim, está ferindo meus sentimentos.

Quando peço para você me ouvir e você acha que precisa fazer alguma coisa para resolver o meu problema, você não me ajudou, por mais estranho que pareça.

Não fale nem faça – apenas ouça.

Conselhos são baratos. Com pouco dinheiro, você compra uma revista, um jornal ou um livro cheios de conselhos. E isso eu posso fazer por conta própria. Não sou incapaz.

Talvez me desanime e hesite com frequência, mas não sou incapaz.

Quando você faz por mim alguma coisa que eu posso e preciso fazer por conta própria, você contribui para o meu medo e a minha insegurança.

Mas, quando você aceita como um fato natural que eu sinta o que sinto, por mais irracional que seja, aí eu não preciso me preocupar em convencer você e posso entender o que está por trás desse sentimento irracional.

E, quando isso estiver claro, as respostas serão óbvias e não precisarei de conselhos.

Sentimentos irracionais fazem sentido quando entendemos o que está por trás deles.

Talvez seja por isso que rezar funciona às vezes para algumas pessoas – porque Deus é mudo e não dá conselhos, nem tenta consertar as coisas. Deus apenas ouve e deixa você descobrir as coisas por conta própria.

Então, por favor, apenas ouça, apenas ouça.

E se quiser falar, espere um pouco a sua vez – e eu ouvirei você.

Estabelecimento De Uma Tradição

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Contos Sufi

Havia uma vez uma cidade formada por duas ruas paralelas. Um dervixe passou de uma rua para a outra, e assim que alcançou-a, as pessoas notaram que havia lágrimas nos olhos dele.

– Morreu alguém na outra rua! – gritou um homem e logo as crianças da vizinhança fizeram coro a essa exclamação.

Mas o que acontecera fora algo muito diferente. O dervixe estivera descascando cebolas. Em poucos segundos o eco do grito já alcançara a primeira das duas ruas. E os adultos de ambas se preocuparam e ficaram tão assustados que não se animaram a investigar devidamente as causas daquela agitação. Um homem sensato e sábio tentou chamar à razão as pessoas das duas ruas, indagando-lhes por que não se comunicavam para apurar o acontecido. Muito confusos para apreender o sentido daquelas palavras, alguns disseram:

– Pelo que entendemos há uma epidemia muito séria na outra rua.

Esse boato também se propagou como um incêndio incontrolável, levando a população daquela rua a pensar que a outra estava destinada a morrer. Quando foi possível restabelecer certa ordem, ambas as comunidades só pensaram numa saída: emigrarem para salvar-se. E foi assim que, de repente, as duas ruas ficaram vazias de seus habitantes. Ainda hoje, vários séculos passados, a cidade permanece deserta, e não muito distante dali há duas aldeias. Cada uma possui sua própria tradição, sendo que ambas estabeleceram a partir de um povoado construído por pessoas fugidas de uma cidade condenada por um mal desconhecido, em tempos remotos.

O Valor De Uma Pérola

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Num jardim, um galo percebeu uma pérola iridescente escondida no chão. Avidamente saltou sobre ela, desenterrou-a e tentou forçá-la garganta abaixo. Quando percebeu que o reluzente objeto não era a rainha dos grãos de arroz, cuspiu longe a pérola. Ele a havia experimentado, mas que teste duro tinha sido aquele!

A pérola dirigiu-se ao galo e exclamou: “Sou uma pérola brilhante e preciosa. Por azar caí de uma maravilhoso colar e fiquei aqui neste jardim. Pérolas como eu não existem em todas as partes.

Nem todos os oceanos possuem pérolas como eu. Apenas o acaso colocou-me a teus pés. Não posso ser encontrada com a mesma facilidade que se vê areia no mar. Se me olhasses com os olhos da razão, verias miríades de maravilhas e belezas.” Porém o galo cacarejou com uma voz orgulhosa: “Pois eu te daria a qualquer um que me desse apenas um grão de arroz em troca.”

 

P. Etessami, poeta persa, no livro O mercador e o Papagaio, Nossrat Peseschkian, Papirus Editora

Palestra

Conta-se que um palestrante muito famoso ganhava muito dinheiro como “expert” em educação infantil, sobretudo com sua palestra intitulada “Os 10 Mandamentos para os Pais bem sucedidos na Ciência do bem educar seus filhos”…

Era sobre dez “Leis” que todo pai e toda mãe deveriam seguir inexoravelmente. Dizia a todos como se comportarem diante do desafio de serem pais. Tinha resposta para tudo e todos, porém era solteiro e sem filhos. Certo dia, conheceu a Mulher de seus sonhos. Apaixonaram-se e casaram-se em seguida. Um ano depois, o casal foi abençoado com seu primeiro filho.

Não passou muito tempo e diante de uma nova realidade ele percebeu que sua Palestra melhor seria chamada de “As 10 Regras de Ouro indicadas para os Pais que desejassem ser bem sucedidos na Ciência do bem criar seus Filhos”.

No ano seguinte, o casal teve mais um filho, e diante das novas dificuldades e desafios que surgiram, o palestrante refez sua Palestra, passando chama-la de “As 10 Sugestões para os Pais bem sucedidos na Arte de criar seus Filhos”.

Mais um ano e mais um filho. Não muito tempo depois do nascimento de seu terceiro filho, o palestrante mais uma vez se viu obrigado a rever sua Palestra, a qual passou a ser apresentada com o título de “Tentativas para se criar os filhos nos dias de hoje”.

Após o nascimento do quarto filho, o Palestrante mudou de profissão.

Os Três Pedreiros

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Numa das minhas viagens encontrei três pedreiros a fazer a mesma coisa.

Perguntei ao primeiro: “O que fazes?”. E ele disse: Empilho tijolos e passo cimento entre eles…

Perguntei ao segundo “O que fazes?”. E ele disse: Construo prédios…

Perguntei ao terceiro “O que fazes?”. E ele disse: Estou ajudando erguer a universidade na qual brilhantes mentes se formarão; o hospital onde os cidadãos encontrarão cura e apoio para momentos difíceis e a catedral onde os homens de paz e boa fé se encontrarão para celebrar momentos sagrados!

Em Visita A Índia

Contos Sufi de Nasrudin

O célebre e contraditório personagem sufi Mulla Nasrudin visitou a Índia. Chegou a Calcutá e começou a passear por uma de suas movimentadas ruas. De repente viu um homem que estava vendendo o que Nasrudin acreditou que eram doces, ainda que na realidade fossem chiles apimentados. Nasrudin era muito guloso e comprou uma grande quantidade dos supostos doces, dispondo-se a dar-se um grande banquete. Estava muito contente, se sentou em um parque e começou a comer chiles às dentadas.

Logo que mordeu o primeiro dos chiles sentiu fogo no paladar. Eram tão apimentados aqueles “doces” que ficou com a ponta do nariz vermelha e começou a soltar lágrimas até os pés. Não obstante, Nasrudin continuava levando os chiles à boca sem parar.

Espirrava, chorava, fazia caretas de mal estar, mas seguia devorando os chiles.

Assombrado, um passante se aproximou e disse-lhe:

– Amigo, não sabe que os chiles só se comem em pequenas quantidades?

Quase sem poder falar, Nasrudin comentou:

– Bom homem, creia-me, eu pensava que estava comprando doces.

Mas Nasrudin seguia comendo chiles. O passante disse:

– Bom, está bem, mas agora já sabes que não são doces. Por que segues comendo-os?

Entre tosses e soluços, Nasrudin disse:

– Já que investi neles meu dinheiro, não vou jogá-los fora.

Passeio De Barco

Contos Sufi de Nasrudin

Nasrudim às vezes levava as pessoas para viajar em seu barco. Um dia, um pedagogo exigente contratou-o para transportá-lo ao outro lado de um rio muito largo. Assim que se lançaram à água, o sábio perguntou-lhe se faria mau tempo.

– Não me pergunte nada sobre isto – disse Nasrudim.

– Você nunca estudou gramática ?

– Não

– Neste caso, metade de sua vida foi desperdiçada.”

O Mulla não disse nada. Logo desabou uma terrível tempestade. O pequeno e desorientado barco de Mulla começou a encher de água. Ele se inclinou para o companheiro.

– Alguma vez você aprendeu a nadar ?

– Não – respondeu o pedante.

– Neste caso, caro mestre, toda sua vida foi desperdiçada, pois estamos afundando.