Pivete

Rita Alonso

Sou moleque, sou pivete

Vendo bala, vendo chiclete

Sinto saudade

da vida que não cheguei a ter

Sou travesso, sou esperto

Vou crescer, virar doutor

“Podes crer”.

No vermelho do sinal

Pergunto quem vai querer

Meu freguês é o garoto perfumado

Que tem mãe, que é amado

Que estuda, vai à escola

Que nao cheira cola

Que não é moleque…

que saudade desse garoto

Que nunca cheguei a ser

Que saudade do amor de mãe

Que não cheguei a conhecer

Eu vou ser doutor

Acredite em mim,

“Podes crer”.

Que saudade desse garoto

Que nunca chegarei a ser

Que no vermelho do sinal

sempre repete:

-Não quero comprar

nem a tua bala

nem o teu chiclete!

Eu vendo bala

Eu não chupo bala

EU MANDO BALA