Celular: Angústia e Ansiedade?

Os meios de comunicação de hoje em dia retratam em si o imediatismo da época em que vivemos. Não apenas a comunicação, mas a comunicação quase instantânea. O que de pronto já oferece um dado relevante, que é a ideia de estar sempre acessível ou ter constante acesso com outros seres humanos.

O celular, por excelência, representa esta quase compulsão do homem moderno. Talvez indique algum traço da solidão, que o indivíduo sente em seu interior, mas que não se apercebe, pois, atropeladamente, busca um modo de ignorá-la. E ao fazê-lo, perde qualquer possibilidade de conscientizar-se dela, e, consequentemente, de fazer algo a respeito.

Talvez o celular externe em última análise, certa prepotência, própria do ser humano, ao considerar-se indispensável, e, portanto com a legítima necessidade de que a qualquer momento o encontrem e ele possa encontrar também a quem desejar. Certo toque de poder, que o leva a sentir-se seguro.

Parece-me que estes traços, apresentados em roupagens justificáveis, baseiam-se na angústia e ansiedade que dominam, em alguma medida, o ser humano. O homem hoje, via de regra, se sente à deriva em meio às incertezas e violência que caracterizam a sociedade em que vive.

Sua consciência não sabe aquietar-se, não se sente confortável no silêncio interior, provavelmente porque perdeu o hábito de estar consigo mesmo. O Homem moderno é afoito, apressado, ansioso e nem sempre se dá conta deste fato. Distrai-se com tudo que é exterior e que, aparentemente, ocupe sua mente e dê a ele e aos que o rodeia, a ilusão de estar ocupado, de ter prestígio, de ser importante. Enfim, me parece que neste aspecto, mais uma vez o homem é vitima dele mesmo, e como tal, permanece mergulhado na ilusão, dando cada vez mais importância a tudo que lhe distraia a mente, e o distancie de seu ponto central, do seu eu mais profundo.

Não desejo criticar o uso em si do celular, pois é óbvio que tem suas vantagens e independente do que possamos pensar, ele é parte integrante da vida atual, e como tal deve ser utilizado. Talvez a questão não seja o uso do celular, mas o poder que ele pode exercer na vida das pessoas, a dependência que pode criar. Como tudo, não são as coisas que nos fazem mal, mas somos nós que fazemos mal às coisas. Essa idéia permeia diversas filosofias, e há que se levar em consideração a sabedoria dos que se dedicaram a buscar o sentido das coisas para melhorar a qualidade de vida do ser humano.

Cabe aqui um convite à reflexão, ao questionamento frente às novidades que surgem em nossa rotina. Mudanças saudáveis e que nos proporcionam conforto e maior destreza, mas que exigem de nós algo mais. Precisamos descobrir se estamos dispostos a pagar o preço ou não. E, acima de tudo, a possibilidade de se usufruir toda modernidade, sem dela nos tornarmos escravos.

A idéia que um grande homem sugeriu: “estar no mundo, mas a ele não pertencer” vale toda atenção que pudermos dar a ela.

Faço uma rápida alusão, uma quase brincadeira, na busca do entendimento das variáveis que interferem na conduta cotidiana do ser humano.

Ocorre-me então pensar sobre a Religião. Religião é Re ligação, reencontrar a unidade que se pressente, fazer parte. O celular poderia ser considerado um símbolo, bastante discutível, mas nem por isso descartável, desta possibilidade de unir-se ao todo. Mas é preciso cuidado, ou nos tornaremos vitimas de nosso próprio mal entendido. Muitas vezes a modernidade causa mais ansiedade, escraviza e até certo ponto, isola, tornando o homem compulsivo e impaciente. Faz, muitas vezes, perder o senso comum mais elementar, e o leva a excessos, e como tal, a prejuízos maiores do que ganhos.

Podemos afirmar, portanto, que tudo que possuímos não é bom ou ruim. O modo como utilizamos, a forma com que nos relacionamos com as coisas é que determina se o resultado será positivo ou negativo.

Fica o convite para cada um refletir sobre o assunto, que embora pareça tão prosaico, e tolo, pode abrigar em suas dobras, pistas bastante conclusivas na arte de se conhecer.                    Priscila de Loureiro Coelho – Gestão de Pessoas

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