Cinco Sinais Financeiros De Que O Negócio Não Vai Bem

Cinco sinais financeiros de que o negócio não vai bem

Tempo e paixão empregados na administração do próprio negócio costumam ser ingredientes indispensáveis para o sucesso. Mas, se os indicadores financeiros não apontam para o azul, dificilmente a sua empresa sobreviverá por muito tempo.  “Não é só porque a pessoa gosta muito do seu negócio que ele terá êxito. É preciso agregar valor”, diz Samy Dana, professor da Escola de Economia de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas.

Antes do naufrágio, no entanto, as empresas costumam dar sintomas de que as coisas não vão bem. Preste atenção e ganhe tempo para reverter a situação a seu favor:

1. Quedas seguidas no faturamento ou estagnação nas vendas

As vendas não têm crescido na comparação de um ano para o outro ou, ainda pior, elas têm diminuído. Esse é um sinal claro de que algo precisa ser feito. Em alguns momentos, o problema não é só com o seu negócio, mas conjuntural. “Se estamos em um momento em que o governo federal abre mão da arrecadação para estimular o consumo, é porque a situação não é boa para todo mundo”, diz João Carlos Natal, consultor do Sebrae.

Para Dana, da FGV, outra situação que pode colaborar para a queda nas vendas é o ciclo do produto. Logo após o lançamento, as vendas entram em crescimento. Depois de um tempo, esse ciclo atinge a maturidade e, então, entra em declínio. O tempo entre um ponto e outro da curva depende do mercado e do tipo de produto.

Segundo Natal, do Sebrae, dois movimentos podem ser feitos para melhorar esse cenário. Do ponto de vista de marketing, é possível pensar em estratégias para vender mais. “Comunique-se melhor com o mercado, vá em busca de novos nichos, novos clientes e novas oportunidades”, diz Natal.

Se o mercado estiver estagnado e não for possível aumentar as vendas, o empresário pode montar uma planilha, avaliar seus custos fixos ao longo de um ano e classificar os itens de maior para o menor impacto. Identifique o que é possível reduzir ou renegociar e mexa-se.

2. Estoques cheios

“Estoque é dinheiro parado. Faça o possível para minimizá-lo”, diz Dana, da FGV. O cálculo para esse número reduzido de produtos armazenados varia de acordo com o tipo de negócio. “Se você tem uma loja de carros e vende uma Ferrari por mês, talvez três seja um número razoável para ter em estoque”, exemplifica.

Segundo Natal, do Sebrae, muitas vezes os empresários pensam em buscar financiamento e não avaliam o valor imobilizado que têm em produtos estocados. Em setores com sazonalidade, como é o caso da moda, é importante ficar atento à época do ano para liquidar o produto antes que a estação mude.

3. Falta de capital de giro e endividamento

Uma das principais dificuldades das pequenas e médias empresas é o cálculo do capital de giro. Ele é fundamental para o bom andamento financeiro dos negócios e, no entanto, acaba deixado de lado muitas vezes. “O capital de giro é o descolamento entre o tempo para pagar os fornecedores e receber dos clientes”, diz o consultor do Sebrae. A dificuldade em realizar esse planejamento leva muitos empresários a recorrer ao empréstimo imediato, como o cheque especial, que costuma oferecer os juros mais altos do mercado. “Para colocar as contas em dia, o empresário deve levar em conta não apenas o valor negativo no banco, mas também o capital de giro”, diz Natal.

Para Dana, da FGV, a tomada de crédito no mercado nem sempre é uma opção ruim. “Uma linha de financiamento pode ser mais barata do que usar capital próprio, o qual está relacionado à remuneração de acionistas”, diz. Segundo o professor, o percentual de endividamento saudável varia de negócio para negócio e de acordo com o setor, mas fica entre 40% e 60% da receita, geralmente.

4. Aumento na inadimplência dos clientes

Segundo Natal, do Sebrae, considera-se inadimplência quando o título vai a protesto judicial. “Se há inadimplência, isso já é preocupante”, diz o consultor. De acordo com ele, os atrasos no recebimento de clientes devem ser considerados e calculados no capital de giro. “Quem está financiando a empresa quando há prazo para o recebimento é você”, diz.

Ele sugere acrescentar de 1% a 2% na formação do preço de venda, se o mercado e a concorrência tornarem isso possível, para tentar reverter os prejuízos. “Quando a inadimplência no mercado aumenta, os bancos aumentam os juros. O mecanismo é o mesmo nas empresas”, diz.

5. Quedas na produtividade e na rentabilidade

Para os consultores, não existe um percentual fixo esperado de rentabilidade em uma empresa. Mas alguns parâmetros devem ser observados. Segundo Natal, do Sebrae, o empreendedor deve perseguir uma rentabilidade maior do que a poupança – 6% ao ano, no mínimo. “Caso contrário, é mais barato aplicar esse dinheiro do que ter o trabalho de gerenciar uma empresa”, diz.

Segundo Dana, da FGV, quanto maior o risco, maior deve ser o retorno. “Em economia chamamos isso de custo de oportunidade do dinheiro”, diz. Outra referência é a taxa básica de juros, a Selic, que está em 8% ao ano.

Fonte – Pequenas Empresas & Grandes Negócios

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