Como Conversar com o Chefe

Eu já vi muitos profissionais se prepararem cuidadosamente, meticulosamente, para fazer uma apresentação. Tem muita gente que até ensaia na véspera, para cronometrar o tempo. Entrevistas, então, nem se fala. Há quem mude até a marca do desodorante para se apresentar bem. Mas muito raramente eu vi algum funcionário se preparar para falar com o chefe.

E aquelas repetidas entradinhas na sala do chefe, que sempre começam com a frase “chefe, temos um problema”, podem influir muito mais na carreira de um funcionário do que uma ocasional apresentação ou entrevista. Quase ninguém se prepara para falar com o chefe, porque todos sempre acham que já sabem tudo o que irão dizer. E, na hora, percebem que faltam detalhes ou informações.
Ou então descobrem que o chefe não tem a mínima idéia do que o funcionário está falando. Estou dizendo isso porque, um dia, eu tive um chefe ótimo. Quando ele me contratou, ele me deu uma folha cujo título era “Como trazer um problema para o chefe”. E a folha tinha três perguntinhas, que a gente tinha que trazer já respondidas.
Primeira, qual é o problema? Segunda, qual foi a causa do problema? Terceira, quais são as possíveis soluções? Aí, vinha uma observação: o tempo para responder a cada uma das perguntas era de cinco minutos, no máximo. Se fosse preciso esticar o tempo, o chefe decidiria.
Em seguida, vinham dois lembretes úteis. Primeiro, se eu precisar de relatórios ou gráficos para ilustrar o que estou falando, devo trazê-los. Segundo, se eu precisar que outra pessoa me apóie ou dê informações, devo levá-la comigo.
Trabalhei quatro anos com esse chefe e nunca tive nenhum problema, muito pelo contrário. Principalmente porque, bem lá no pé da folha que ele me deu, havia um asterisco chamando a atenção para o ponto mais importante: Como posso deixar o chefe com a impressão de que foi ele, e não eu, quem resolveu o problema?

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