Criatividade: Você é Picasso ou Cézanne?

O espanhol Pablo Picasso tinha apenas 17 anos quando começou a pintar seus primeiros quadros. Aos 26, já havia criado a sua obra-prima – a tela “Senhoritas D’Avignon”. Em compensação, o francês Paul Cézanne só conseguiu obter reconhecimento na véspera de sua morte, aos 64 anos, quando pintou o genial “Château Noir”. (…)

O professor David Galenson, da Universidade de Chicago, explica que Picasso é a personificação da “inovação conceitual” – aquela que representa uma verdadeira quebra de paradigma. Pessoas como Picasso são jovens e não se deixam levar pelos padrões pré-estabelecidos. Seus trabalhos são feitos com um objetivo definido e muito planejamento – embora provoquem reações de espanto e, num primeiro momento, até de reprovação. Já Cézanne é o caso clássico de “inovação experimental”. São pessoas que não sabem muito bem aonde querem chegar e, por isso, passam a vida inteira tentando e errando. Nesse longo processo, suas técnicas de produção se tornam cada vez mais eficientes e o verdadeiro “salto criativo” acaba acontecendo ao final de uma jornada de trabalho exaustivo.

Inspiração versus transpiração – (…) A regra dos “dois caminhos” não serve apenas para as artes, e sim para qualquer tipo de pensamento criativo – inclusive aquele aplicado aos negócios. E é aí que surge a polêmica:  somente as empresas mais “jovens” têm condições de verdadeiramente quebrar paradigmas. Às demais, caberia a tarefa de buscar a eficiência e inovar continuamente, pouco a pouco, sem muito impacto. “No meio corporativo, as empresas que estão nos estágios iniciais de vida têm mais facilidade para interpretar o mercado e assumir novos riscos. Isso gera um ambiente favorável à inovação”, explica Mauro Anderlini, sócio-diretor da Edusys, consultoria especializada em processos de inovação. “Mas isso não significa que as grandes empresas não possam romper padrões”, pondera. Como exemplos, Anderlini cita o caso de companhias como a Dupont e a 3M, que são referências em inovação – embora tenham uma vida já bastante longa. “Não se pode confundir a criatividade artística com a criatividade dos negócios. São coisas diferentes” (…)existem dois tipos de pessoas inovadoras:

– Conceitualistas: aquelas que dão saltos criativos ainda jovens, por meio de um talento inato e muito planejamento. Exemplos: Pablo Picasso, que lançou sua obra-prima aos 26 anos; Orson Welles, que filmou “Cidadão Kane” também aos 26; e Wolfgang Amadeus Mozart, que compôs “O Casamento de Fígaro” aos 30.

– Experimentais: aquelas que só começam a aparecer no final de vida, depois de uma longa e extenuante jornada de tentativas e erros. Exemplos: Paul Cézanne, que pintou sua mais importante tela aos 64 anos; Alfred Hitchcock, que dirigiu “Um Corpo que Cai” aos 59; e Ludwig van Beethoven, que morreu aos 54 anos enquanto compunha a “Nona Sinfonia”.

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