Crise e Criatividade

Quando eu era garoto havia uma frase muito comum nos adesivos dos carros e nas casas comerciais. Era assim: “Não fale em “crise”, trabalhe”. Depois veio a época em que se dizia que a palavra crise em chinês era a junção de dois ideogramas – sorte e oportunidade. Até hoje não encontrei nenhum chinês que pudesse me confirmar isto. Mas não tem importância, a história é boa. Sobre crises, quem tem mais de 60 anos, como eu, ficou especialista na matéria. Já vimos tanta coisa que é até bobagem ficar repetindo. Crises são como fenômenos naturais, vêm e vão, vêm e vão. Meu pai, para justificar, às vezes, o fraco movimento da sua oficina lançava a culpa na crise do café. Dizia que vivíamos num estado agrícola e que a economia girava em torno das boas safras e dos preços dos produtos. Naquela época ainda não se falava em commodities nem que as bolsas de Chicago e Londres determinavam os preços dos produtos que plantávamos por aqui. Se isso acontecia ou não, a gente nem sabia. Não tinha importância, éramos resignados e aceitávamos nossa sorte como meros fornecedores. Como não tínhamos muita coisa, tudo ficava por isso mesmo, éramos felizes e nem sabíamos.

Federico Amory – É o líder principal da Eficaz Consultoria de Gestão (Amory Serviços S/C Ltda)

Outra palavra que entrou no vocabulário dos negócios brasileiros, lá pela década de 70, foi a que designa a minha especialidade – “marketing”. Veio atrelada à necessidade da produção e da venda em larga escala e estimulou o consumismo. Hoje, esse tal de consumismo ameaça a ordem natural das coisas. E até a crise americana – subprime – o mundo aceitava tudo sem espernear muito; se o preço do barril do petróleo chegasse aos 200 dólares, tudo bem. Se há veículos demais congestionando ruas e estradas e os preços dos imóveis estão subindo ou os equipamentos eletrônicos trazem mais opções do que a gente realmente precisa, aceitamos numa boa. Hoje, depois de crises de todos os tipos: políticas, petróleo, bolsa, monetária, guerras, de valores ou até por causa da Copa do Mundo ou qualquer outra denominação que você possa dar, só digo que elas são nada, mas nada menos do que novas circunstâncias que se apresentam a um povo, num determinado momento.

Vamos isolar a palavra “circunstância” e entender seu significado. Ela quer dizer “o que está acontecendo no círculo ao nosso redor neste instante”. Louco é aquele que briga com as circunstâncias, pois irá perder sempre. O comedido vai estudar a nova circunstância, analisá-la, saber conviver com ela e ao final tirar proveito dessa crise/circunstância. Por isso, é bobagem ficar falando em crise. Analise-a, estude-a e tenha uma abordagem criativa para essa nova circunstância mundial. Não quero repetir o óbvio, mas, são nas épocas de crise que nascem as melhores idéias e invenções. O natal e o verão estão aí. Se você acreditar que estamos no meio de uma crise e não fizer nada, perde. Se você acreditar que pode inovar, criar novos produtos, serviços e abordagens para seu negócio, a sua chance de passar por este mau momento é sair melhor ao final dele.

Reúnam sua turma, sentem-se em volta dos problemas que os ameaçam, façam com que todos tenham boas idéias, coloquem ações no que pensaram e esta poderá ser mais uma crise na sua vida. O mundo não vai acabar amanhã. Disso tenho quase certeza.

Eloi Zanetti – especialista em marketing e comunicação corporativa, escritor. Eloi@eloizanetti.com.br

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