Crônica no País do “Eu Acho”

As pessoas que não deveriam dizer, dizem. E com uma frequência gritante. São pessoas que detém cargos de chefia, representação, mandatos. São autoridades no assunto. É “eu acho” para cá, “eu acho” para lá. E a mensagem parece fragilizada, sem força, impregnada de um som repetitivo que incomoda. Mais: revela a ausência de comprometimento e segurança, pois “eu acho” é ambíguo, de quem fica “em cima do muro”. Um aluno de Concórdia uma vez disse, com propriedade “quem acha, não acha nada, não é professor?” É isso mesmo! Representa na mente do receptor o seguinte: “parece que não tem certeza do que diz”…

Veja José Roberto Guimarães, técnico campeão do vôlei feminino. Em entrevista ao jornal Nacional, perguntado sobre a renovação da equipe e o surgimento de novas e potenciais atletas como Dani Lins e Natália, o técnico respondeu, pelo menos, quatro vezes na mesma explicação que “achava” que elas tinham se comportado bem no Grand Prix. Observe: começa no Presidente da República e se espalha pela maioria das autoridades que falam na imprensa ou apresentações. Um “show” de “vícios de linguagem” e de “colocação inadequada” do termo.

Se você é profissional que lida com pessoas, cuidado! Mude, troque o seu “eu acho” por: a propósito de sua pergunta; com relação ao tema; considero apropriado que…; na minha opinião; a proposta colocada…; entendo ser necessário que…; a respeito do problema…; acredito ser pertinente…; é viável que tenhamos uma…; diante das circunstâncias proponho… Atenção. Cuidado. Quando é opinião representativa é conveniente utilizar a “terceira pessoa do plural”. Na nossa opinião, acreditamos, etc.    Fonte: Ultra Leve, Luzardo

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