Cuidado: Questões Pessoais Podem Interferir Na Imagem Profissional

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Por mais informal que seja o ambiente em que você trabalha, sempre é bom ter em mente algumas regras de conduta. Alguns comportamentos podem arranhar, de maneira irreversível, a sua imagem profissional. Nenhum empregado, ao ingressar em uma empresa, chega determinado a criar problemas. Mas, ao entrar, traz uma grande bagagem de conhecimentos, mas não só isso. “O novo contratado traz também personalidade –às vezes em formação–, imaturidades, defeitos, valores em descompasso com os da organização. O que vai acontecer daí para frente, ninguém sabe”, diz o psicólogo e filósofo Waldir Biscaro, de São Paulo.

Ele afirma que a imaturidade emocional é a principal geradora de perturbações nas relações de trabalho. Ela se manifesta no dia a dia, através de pequenos incidentes, que quebram a harmonia do ambiente profissional. O indivíduo deve responder por essa coleção de pequenos defeitos no cotidiano. Exemplos? Manifestações de mau humor que contaminam o grupo, falta de urbanidade ou de civilidade no trato com colegas, descuido com a qualidade de vida no local de trabalho (fumo, conversas em voz alta), manifestação de autopiedade… “Quem aguenta isso oito horas por dia, de segunda a sexta?”, pergunta Waldir.

A psicóloga Liz Verônica Vercillo Luisi, supervisora do curso de especialização em terapia familiar e de casal da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), diz que a mensagem profissional é expressa não só por conhecimento de idiomas, boa escrita e linguagem. “A comunicação vai muito mais além do que verbalizamos: todo comportamento tem valor de comunicação. Portanto, existem alguns que ameaçam qualquer qualificação ou certificado”, explica. Veja, a seguir, quais as atitudes –tipicamente pessoais– muita gente costuma apresentar no escritório, mas devem ser eliminadas do repertório.

  1. Levar o filho para o trabalho no dia em que não é “open”

A não ser que a empresa seja sua (e mesmo assim há muitos limites), jamais leve uma criança ao trabalho, a menos que tenha sido acordado anteriormente.

É melhor entrar em contato com o gestor e dizer que não tem com quem deixar o filho, que aconteceu um imprevisto.

Dificilmente uma criança não irá atrapalhar o ambiente de trabalho, pois requer atenção e cuidados que não podem ser dados neste local.

Se este tem sido seu problema, converse francamente com o gestor e proponha um adiantamento de férias até resolver com quem deixar seu filho durante a jornada de trabalho.

Se você vive esse problema com a criança de outro colega, vale a sugestão de conversar diretamente com ele, se vocês forem próximos e tiverem intimidade.

Se não for o caso pense em informar ao gestor o incômodo e peça que ele tome providências, mesmo porque possivelmente o incômodo não é só seu.

Seja qual for sua posição, lembre-se que há pessoas envolvidas e todos requerem carinho e compreensão.

Saiba falar, seja cordial e cooperativo, mesmo sabendo que tudo isso tem limites.

A forma como você lidar com esse assunto dirá muito sobre seu equilíbrio e inteligência emocional.

  1. Sair da sala toda hora para usar celular

Tenho observado a falta total de limites neste quesito, em todas as áreas e níveis hierárquicos.

Nas reuniões todos estão com celular ligado, parece até que o vibracal tornou-se antigo.

Será que realmente “todos” estão acostumados com o celular? Isso é um engano e acredito que em breve o uso do equipamento começará a ser restringido nas empresas.

Perde-se muito da produtividade e foco, sendo as ligações profissionais e, principalmente, pessoais.

Estudos dizem que demoramos cerca de 10 minutos (na melhor das hipóteses) para conseguir o mesmo nível de foco e atenção em uma tarefa, após uma interrupção.

Se o tema da conversa é relativo ao trabalho que está sendo executado, menos mal, caso contrário o desvio de atenção é total.

Todos na sua empresa usam indiscriminadamente o celular? Dê o primeiro passo e aja com profissionalismo.

Restrinja o uso, avise amigos e familiares, faça o possível para atender suas ligações nos horários de intervalo.

Além de ser ético e respeitoso de sua parte, você poderá cobrar o mesmo comportamento dos demais.

Você tem um amigo que vive no celular? Mostre o quanto isso pode ser prejudicial.

Se estiver trabalhando em grupo são várias as pessoas prejudicadas com a interrupção de apenas uma.

Inúmeras discussões, decisões e ações ficam esperando pela participação de todos.

Usar o celular excessivamente é sinônimo de problemas graves para a carreira: má administração de tempo, dificuldade em impor limites e em manter o foco, falta de compreensão e respeito ao grupo de trabalho, para citar alguns.

  1. Ter um celular com toque escandaloso ou excessivamente engraçadinho

Já ouviu o comentário “se não tocar desse jeito não escuto”?

É sinônimo que a pessoa não está interessada em quanto o som ou o volume atrapalham os demais.

Faça uma análise crítica do seu celular: o toque é escandaloso? O volume está elevado? A música distrai os outros?

A resposta SIM para apenas uma dessas perguntas indica que seu celular não está preparado para o ambiente de trabalho.

Mesmo que o use apenas para questões pessoais, atendê-lo num ambiente de trabalho requer adaptações.

Caso você seja “vítima” de celulares que incomodam ou distraem, seja franco e, educadamente, aponte os problemas que o toque causa em você: distrai, assusta, tira o foco, desperta, dá raiva…

Numa empresa o toque do celular tem que ser mais “ameno”, causar o menor impacto possível.

Sem esse cuidado você pode deixar a marca de imaturo, infantil, irritante ou egoísta.

  1. Achar-se injustiçada(o), reclamar o tempo todo

Chamo esse comportamento de “síndrome de Hardy Har Har”, a hiena do desenho antigo “Leão da Montanha”.

Esse animal, conhecido pelas gargalhadas, no desenho é depressivo, acha que tudo vai dar errado, não acredita em ninguém… é “down” total!

Reconhecer-se assim é difícil.

Acate os comentários dos colegas que lhe dão “toques” dizendo o quanto você é (ou está) depressivo, pra baixo, triste, desiludido.

Pense se isso faz parte do seu cotidiano ou é momentâneo.

Qualquer uma das hipóteses deve levá-lo a uma conclusão: as pessoas ao seu redor não precisam – nem devem – conviver com negativismos, a não ser que escolham isso.

A negatividade não irá levá-lo a lugar algum, ou melhor, levará à descrença, falta de ânimo, ao afastamento dos amigos e colegas. Esforce-se para encontrar o lado bom das coisas.

Se seu primeiro impulso é focar o lado negativo, esforce-se para achar algo de bom.

Você trabalha com um “reclamão” ou mártir? Faça um esforço e ajude-o a encontrar o tal do ‘lado bom’ das coisas.

Talvez ele não esteja acostumado com esse exercício.

De acordo com sua proximidade e intimidade, converse seriamente com a pessoa e diga-lhe o quanto atrapalha sua imagem, sua carreira, o relacionamento com colegas e líderes.

Uma das piores características de um profissional é o hábito de reclamar (isso mesmo, na maioria das vezes é costume).

Consequências: afastamento dos colegas até o ponto de exclusão total.

Um profissional com essa característica tem dificuldade de agregar, relacionar-se, manter um grupo unido, ser líder.

5.Usar as redes sociais para dar alfinetadas

Você acha que seu salário é baixo em relação aos profissionais do mercado com a mesma função? Considera a comida do restaurante da sua empresa pior do que uma lavagem? Te obrigam a trabalhar por duas pessoas porque a colega deixa tudo para a última hora? Bem, antes de cogitar a possibilidade de procurar outro emprego, vá conversar diretamente com a pessoa que pode resolver o seu problema (o chefe, por exemplo). Em hipótese alguma,  use as redes sociais para desabafar, criticar ou mandar recadinhos desaforados. “Às vezes, você pode se esquecer, mas o ambiente das redes sociais é aberto e gera um histórico virtual. Por isso, evite comentários contrários às diretrizes da sua empresa ou críticas aos profissionais que fazem parte dela. Quando tiver suas reclamações, procure as pessoas responsáveis por recebê-las e trate o assunto diretamente com elas. E lembre-se: cada vez mais empresas estão monitorando o que se faz no mundo virtual”, diz o consultor Eduardo Shinyashiki. Sem contar que, dependendo do conteúdo da mensagem, existe o risco de demissão.

6.Vestir-se de modo provocante ou displicente demais

Segundo a psicóloga Liz Verônica, roupas muito decotadas, transparentes, que mostram a barriga, que deixam top ou sutiã aparente, maquiagem em excesso e bijuterias imensas estão vetadas. “A imagem comunica possível vulgaridade, mau gosto e a ideia de alguém que quer seduzir outra pessoa. O que tem de chamar atenção é o bom trabalho, a cooperação e criatividade do profissional. Jamais a sua vestimenta e seu corpo”, diz. Para os homens, tênis, bermudas, calçados abertos, piercings, tatuagens à mostra, cabelos descoloridos e barba por fazer estão restritos a empresas muito específicas e informais, de ambientes estritamente internos. “Dificilmente essas roupas condizem com ambientes de trabalho convencionais”, explica ela. O “casual day” também merece atenção –não é dia, por exemplo, de investir em um visual que se usaria no clube.  “Se a dúvida aparecer, consulte alguém da sua confiança antes de ir para o escritório. Ao mínimo sinal de que a roupa é inadequada, troque”, diz o consultor Eduardo Shinyashiki.

  1. Pedir desculpas por tudo

Muitas vezes, pedir desculpas é visto como um argumento para justificar algo que não deu certo. Em uma relação afetiva –de casal, familiar ou de amizade– essa estratégia até pode ser válida, assim como o compromisso de se dispor a mudar e a melhorar. Em um escritório, no entanto, pedir desculpas o tempo todo demonstra fragilidade, incompetência para ocupar cargos de maior responsabilidade, dificuldade de tomar decisões e imaturidade. A dica para reverter esse quadro é do consultor Eduardo Shinyashiki: “Tenha uma atitude pró-ativa e, ao apresentar um resultado negativo, já demonstre também a solução para reverter o cenário. Dessa forma, as pessoas vão entender que você está preocupado com o sucesso das suas atividades, mesmo que, às vezes, as coisas saiam do programado.”

8.Usar excessivamente gírias e palavrões

Desde o uso excessivo de gírias, até a incapacidade de transmitir as mensagens que deseja da forma adequada, todo cuidado com a sua comunicação é importante. A competência comunicativa é uma das habilidades essenciais para o profissional em uma sociedade dinâmica e inovadora.  “Sugiro que cada pessoa ponha-se no lugar de seu chefe, de seus colegas e de seus subordinados no trabalho. Depois, pergunte a si mesmo que conceito eles fazem dela a partir do vocabulário que usa”, diz a psicóloga Maria Celia de Abreu, de São Paulo. “Se essa é a imagem que ela quer projetar de si mesma sobre os outros, que continue assim. Mas sabendo que haverá consequências. Não há como escapar das normas sociais que regem as relações humanas em um setor profissional”, diz. Mesmo nos setores mais informais, gírias e palavrões, em geral, são tidos como sintoma de imaturidade e falta de repertório para se comunicar.

  1. Dar bronca no filho pelo telefone

O dilema social da mãe que trabalha não está resolvido. Mesmo no século 21, é comum que a profissional que é mãe se sinta dividida, confusa, culpada, com dificuldade de estabelecer prioridades. E, em horário de trabalho, não vê outra saída a não ser controlar os filhos pelo telefone. “Ela pode achar que coisas desse tipo não prejudicam o desempenho profissional, que o chefe é amigo, que os colegas são compreensivos…Em geral, isso não é o que acontece de verdade”, diz a psicóloga Maria Celia de Abreu. Durante aquelas determinadas horas, o trabalho tem de ser priorizado. “E quem não o faz projeta uma imagem de pessoa displicente ou confusa”, diz ela, que, no entanto, acha que a mãe, individualmente, não pode ser responsabilizada por deslizes profissionais desse tipo. “É a sociedade que não fornece estrutura para que crianças sejam acolhidas durante as horas em que a mãe trabalha”. O jeito é se virar na hora do almoço para resolver as questões maternas ou, se não houver jeito, quando há poucas pessoas na sala. E sempre em tom de voz baixo.

  1. Falar demasiadamente alto

A equipe se sente constrangida quando uma pessoa resolve compartilhar a vida, dar instruções ou conversar com colegas praticamente aos gritos. “Isso é extremamente deselegante, interfere no desempenho das pessoas e as incomoda. Expressa falta de educação e de espírito de equipe. A imagem fica muito ameaçada, por melhor que sejam os colegas e superiores”, afirma a psicóloga Liz Verônica Vercillo Luisi. Dependendo do ambiente de trabalho, pode ser intolerável, como é caso de hospitais ou escolas, por exemplo. Silêncio e discrição são fundamentais à conduta profissional. E, mesmo que o seu trabalho seja um local descontraído, as pessoas precisam de concentração -e gritos nunca são agradáveis. Se for uma discussão, então, piorou. Inclusive ao telefone. Não discuta com namorados, pais, amigos ou qualquer pessoa no trabalho (mesmo que esteja usando o seu celular particular). Controle-se e deixe essa conversa para quando você chegar em casa.

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