Diversidade: O Óbvio E Imaginário

Com toda a franqueza vamos constatar o óbvio: no cotidiano organizacional, quem dá as cartas é o número 1 da empresa e este geralmente está muito mais afeito aos assuntos de produção, finanças e comerciais do que com pessoas (meu imaginário: mesmo porque isto é um assunto muito complexo que perde de 10 x 0 se comparado com aquilo que ele domina, ou seja, seu “porto seguro”). Desta forma, por conseqüência, funcionalmente são estas áreas que dão as cartas e as pessoas que as compõem, sabem disso. Acontece que, por via de regra, são pessoas cujo comportamento é naturalmente orientado para resultados e/ou procedimentos, sendo raros os indivíduos que estão voltados para pessoas. É invariavelmente no RH que encontramos aqueles com este perfil (exceções para ambos os casos, ao meu ver, devem ser admitidos somente se o perfil do cargo exigir e se estiver alinhado ao resultado esperado do mesmo). Até aí nada demais, já que estamos falando de diversidade humana. Ninguém é bom ou ruim e, numa perspectiva organizacional, são as pessoas certas nos lugares certos. O resultado é que essa mesma diversidade, que deveria ser um elemento riquíssimo para agregar valor ao negócio e ao relacionamento social entre os indivíduos, acaba muitas vezes como um paiol de pólvora, pronto a estourar por uma simples questão: o óbvio e imaginário.

Nota do autor: o óbvio é a constatação da realidade baseada em fatos e dados (sem interpretações), enquanto o imaginário é uma miopia da realidade pautada nas referências pessoais, associação de experiências vivenciais e valores intrínsecos daquele que julga e interpreta. Quando emitimos uma opinião ou construímos um senso sobre algo ou alguém a partir do nosso imaginário, não respeitamos o outro e deturpamos aquilo que é óbvio, ou seja, aquilo que os fatos e dados nos evidenciam como caminho para chegar à realidade. A pergunta é: porque as pessoas não buscam observar e entender o referencial da outra pessoa para ampliar sua própria perspectiva?

Jason Sagara

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