Duas Pessoas Tão Diferentes. Pode Dar Certo?

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Duas pessoas se encontram em algum lugar, num determinado momento de suas vidas, sendo que -muitas vezes- nunca se viram antes. Por algum motivo que não vem ao caso tentar entender aqui, enamoram-se e decidem compartilhar suas histórias.

Personalidades adversas. Desejos tantos. Alguns sonhos se cruzam, alguns se complementam e, alguns ainda, chegam a ser inimagináveis para um ou para outro. Cada qual com suas crenças e suas preferências. Ritmos que podem se desencontrar em algumas situações.

Um é mais agitado. O outro, mais tranquilo. Um gosta de barulho, gente e novidades. O outro se sente mais confortável quando há silêncio e planejamento. Um é mais distraído. O outro, mais concentrado. Sábado à noite, um opta pela boate. O outro, pelo cineminha. E agora?

E agora que está posto o que nos torna indivíduos singulares. E eis que não restam dúvidas: mais do que torcer o nariz ou classificar como ‘esquisitas’, as diferenças podem ser celebradas e experimentadas como um convite ao inusitado!

Então, se a dúvida é “dá para conciliar boate e cineminha?”, a resposta é, certamente, “sim!”. Porém, é preciso querer, abrir a mente, abrir espaço interno para o que é novo, para o outro que é único, para o amor que é a arte de compor dois em “um” e desenhar uma nova possibilidade de existência. Sem nada excluir. Sem nada ignorar. Sem nada condenar à morte.

Claro que um relacionamento sempre nos convida a importantes reflexões, providenciais concessões e até muito bem-vindas revisões internas. Mas isso não significa que um tem de se anular para que prevaleça o outro.

É justamente na relação amorosa que podemos exercitar a delicada dança de ser dois e ser um, alternadamente. Harmoniosamente. Aliás, este é um treino que precisa ser feito dia após dia, enquanto o desejo for o de continuarem juntos. Pois bem: como?

Sempre parto do princípio de que não há conciliação possível sem que um se disponha a ouvir o outro. É preciso espaço para se colocar no lugar de quem quer boate. Colocar-se no lugar de quem quer cineminha. E, sabendo-se numa negociação onde o objetivo não é ganhar nem garantir somente a própria satisfação, é preciso, sobretudo, flexibilizar.

Ou seja, o segredo está, inevitavelmente, na flexibilidade! Nem que para isso seja preciso inventar uma planilha de satisfações do casal. Do lado esquerdo, anota-se tudo de que um gosta. Do lado direito, anota-se tudo de que o outro gosta. E, no meio, datas de um e datas do outro.

Penso que se a ideia é ser um casal, o ideal é que haja momentos de lazer e prazer juntos. Mas isso também não quer dizer que um e outro não possam ter seus momentos de lazer e prazer separadamente.

Às vezes, mais importantes do que as regras explícitas, são as regras implícitas que sempre regem as relações. É o desejo de fazer o amor valer a pena que mais conta! E, neste sentido, penso que vale considerar duas pontuações feitas por Jean Paul Sartre:

1- “(…) Devemos sempre perguntar-nos: o que aconteceria se todo mundo fizesse como nós? (…)”

2- “(…) O sentimento constrói-se através dos atos praticados. (…)”

Pois bem: será mesmo que seria interessante se relacionar com um igual? E, por fim, qual é o sentimento que você quer construir? Rosana Braga

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