E O Clima Por Aí, Tá Bom?

Uma das definições mais técnicas, embora restrita, de “clima” nos diz que se trata do “tempo meteorológico médio”, significando, efetivamente, “a descrição estatística de quantidades relevantes de mudanças do tempo meteorológico num período de tempo, que vai de meses a milhões de anos”. Bom, para nós que não militamos na área do conhecimento que trata deste assunto, a definição continua um pouco complicada.

Decifrando o conceito, após pesquisas bibliográficas e consultas aos especialistas da área, podemos definir “clima” como sendo o somatório dos diferentes fenômenos climáticos que ocorrem na atmosfera da terra, tais como frentes frias, tempestades, furacões etc. Estes, estão associados a um conjunto de variações dos elementos meteorológicos, compostos de vento, temperatura, umidade, pressão, precipitação etc., sendo a estatística a sua principal ferramenta de investigação. No entanto, o clima que queremos abordar neste artigo não é este dos fenômenos naturais que ocorrem no planeta, mas sim o CLIMA ORGANIZACIONAL.

O preâmbulo deve-se, tão somente, para exemplificar que, assim como aquele, o clima organizacional, com conceituação teórica bastante técnica, carente de decifração prática, também envolve uma série de fenômenos que gravitam na órbita da organização. Submete-se, via de regra, aos elementos internos, tais como a temperatura, pressão, precipitação etc. Isso leva-nos a simplificar o conceito de clima organizacional como sendo a atmosfera do ambiente de trabalho.

O clima organizacional pode ser bom ou ruim, instável ou estável, sujeito a tufões, furacões, tempestades ou a períodos de calmaria, tranqüilidade, com temperaturas que favoreçam a produtividade e a colheita de melhores resultados.

O clima da terra se sujeita às variações dos elementos internos meteorológicos, como também está associado, de maneira incontestável, às mudanças meteorológicas preditas pelas leis físicas determinísticas, assim como o clima organizacional. Este, além de sujeitar-se às variações internas, está atrelado, de maneira também incontestável, à cultura organizacional e à maneira de administrar de seus dirigentes, subentendendo- se como dirigentes, não apenas a alta direção da empresa, mas, também, todo o corpo de funcionários que constituem a média gerência organizacional, que em última análise, transmitem para os colaboradores as diretrizes, normas, percepções, desejos, insigths motivacionais, desafios e recompensas organizacionais.

Poderíamos aqui fazer algumas analogias entre os fenômenos climáticos da terra e das organizações, demonstrando o quanto são parecidos os terremotos com os lampejos de fúria dos chefes nervosos, causando rachaduras e, às vezes, desmoronamento das relações interpessoais. Outra semelhança é entre os tufões e aquele gerente recém-chegado que faz uma varredura nos processos e protocolos, como se nada do que estava instalado até a sua chegada fosse importante ou pudesse ser aproveitado. Mais uma similaridade é falar da enchente, advinda dos transbordamentos dos rios, comparando-a com aquele colaborador que vive extrapolando sua área de atuação, adentrando e ocasionando danos no trabalho e na autonomia do outro etc.

Dá ainda para comparar o pavor causado pela visão do raio à cara feia de funcionários, amedrontando e afastando as pessoas. Também é possível verificar o efeito assustador do trovão e perceber que, analogamente, seu efeito é muito parecido com o tom alterado da voz do gerente, quase que gritando com o seu colaborador, fazendo com que venha aquela vontade de não estar ali naquele momento. Poderíamos, ainda, relacionar fenômenos como o efeito estufa, o inverno rigoroso, os vendavais, dentre outros, com as altas temperaturas, com a apatia e/ou com o corre-corre percebido em algumas organizações em determinados momentos e situações.

O mais importante, no entanto, é registrar que assim como ocorre com o homem em relação ao clima da terra, nas organizações as pessoas também preferem o clima ameno, estável, que facilite a realização das tarefas, mas sobrevivem bem, frente às intempéries, desde que sejam previsíveis, planejadas, de forma a se organizarem para isso. Assim, é possível viver sob rigoroso inverno corporativo ou sob os efeitos de temperaturas muito altas, desenvolvendo- se, produzindo, obtendo os melhores resultados operacionais, sentindo-se feliz e realizado. Basta para isso sentir-se motivado, sendo este tema assunto para o nosso próximo artigo.

De toda sorte, recomenda-se uma análise sistemática do ambiente corporativo, alicerçado no profundo conhecimento da cultura empresarial, definindo com clareza, os pontos fortes e fracos da organização e, conseqüentemente, a necessidade de melhorar e mudar. Se a compreensão destas carências de mudança e/ou adaptação não ficar adormecida nas gavetas dos dirigentes, encarando o problema de frente, a administração oferece ferramentas capazes de manter, melhorar ou transformar o clima organizacional, propiciando o melhor ambiente para o sucesso.    Eugênio Maria Gomes

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