Equipes São Sinfonias

Motivada pelo prazer que sinto ao ouvir uma bela melodia, embora não saiba tocar nenhum instrumento musical, sempre utilizo muitas músicas em meus trabalhos como psicóloga, consultora, palestrante e professora.
Já abordei anteriormente, em outro artigo, a emoção como a linguagem universal e, naquela ocasião, citei a música como uma das formas de expressão das emoções. Hoje, inspirada por um evento, que realizei em uma das maiores empresas brasileiras, e que teve a música – a sinfonia – como metáfora utilizada para o desenvolvimento da equipe, percebo o quanto essa idéia mobilizou o grupo.
A música, independentemente de sua letra, que certamente tem o seu valor, pois traduz crenças, expressões de sentimentos, dúvidas ou constatações, tem, especialmente em sua melodia e ritmo, uma linguagem verdadeiramente universal. É ela, a melodia, que traduz, a despeito de qualquer idioma, raça ou cultura, não só as emoções mais primárias como alegria X tristeza, vivacidade X letargia, mas também as mais profundas, tais como: amor, amizade, respeito…
Quando ouvimos e vemos um concerto, ou quando o grupo produz sua própria música, evidenciamos a importância de cada indivíduo, que precisa ter no seu instrumento, ou voz afinados, muita paixão pelo que faz, talento e muita prática, treino e dedicação. Mesmo nas apresentações grupais, nas bandas ou orquestra, a competência individual é mais que necessária e relevante para o sucesso do coletivo.
Por outro lado, se analisarmos o coletivo, fica absolutamente claro, que o bom resultado deste é muito mais do que a pura soma de partes – diferentes instrumentos ou vozes. A SINFONIA (conjunto de sons variados e harmônicos) exige a sinergia grupal e a maestria.
Paradoxalmente, o maestro, apesar de ser destaque, é o único que não produz sons, conforme comenta o Maestro Benjamim Zander, da Orquestra Filarmônica de Boston, hoje, requisitado palestrante que, através da música, mostra como a liderança pode ser a arte da possibilidade, quando líderes despertam nas pessoas as suas próprias possibilidades, que se traduzem no brilho dos olhos e no tocar ou cantar com a alma.
No evento já citado, fiquei muitíssimo feliz, quando percebi os efeitos positivos sobre as pessoas, que a idéia de usar a música, não só como relaxamento e dinamização, mas também como instrumento de trabalho, construindo juntamente com o grupo todos os importantes conceitos, que estão subjacentes ao desenvolvimento de uma equipe e assim, valorizar os aspectos da automotivação, da cooperação, do papel da liderança.
Aqui no Brasil muitas organizações têm apoiado a formação de CORAIS com os próprios colaboradores, contratando musicistas para desenvolverem trabalhos maravilhosos, cujo efeito positivo pode ser notado tanto no âmbito pessoal, quanto organizacional.
Ainda, pensando no poder da música como instrumento de transformação individual e social, vale citar uma banda formada, há 12 anos atrás, com meninos, hoje jovens, da favela de Vigário Geral, bairro pobre da periferia do Rio de Janeiro. Esse grupo, chamado de Grupo Cultural Afro-Reggae surgiu em 1993, como organização não governamental, “empenhada em dar oportunidade a jovens que estejam na ociosidade, já envolvidos com o tráfico de drogas ou muito próximo dele. Atuando sempre em comunidades pobres, o GCAR procura atrair esses adolescentes oferecendo atividades como circo, teatro, dança, esporte e, principalmente, a MÚSICA. Foi dentro de seus quadros que surgiu a BANDA, que acabou ganhando o nome da instituição”. Depois dele, vieram outros grupos musicais, inclusive a Afro Lata, uma Banda de meninos que, tocando latas, dão um show de criatividade, ritmo e talento.
Recentemente, assisti a um espetáculo, no qual, além da banda originária, se apresentaram outras bandas por ele formadas e treinadas. Um caso muito interessante que ilustra isto, foi o resultado da parceria entre o Grupo Cultural Afro-Reggae (hoje já conhecido internacionalmente) e a Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, que alguns integrantes da corporação voluntariamente formaram uma banda sob orientação e treinamento do GCAR, tornaram seu árduo trabalho de policiais, menos estressante e muito mais leve e humanizado, pelos efeitos da música e da dança do ritmo reggae, além de caracterizar uma quebra de paradigmas quando favela e polícia pareciam estar sempre em lados opostos!
Outra prova do imensurável poder da música sobre as pessoas é a sua capacidade de eternizar momentos. Tanto no aspecto profissional quanto no pessoal, associamos grandes momentos a determinadas músicas, seja porque nos lembramos do que ouvimos, seja porque imaginamos o que gostaríamos de ter ouvido, ou até, porque determinadas músicas expressam e são naturalmente associadas a determinados momentos e pessoas…
Existe um dito popular que “no Brasil tudo acaba em samba”, retifico isto, dizendo que tudo acaba em música, e concluo esta reflexão com outro estilo musical citando um trecho da música O sal da terra de Beto Guedes e Ronaldo Bastos:
Vamos precisar de todo mundo, um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças, é só repartir melhor o pão
…Tempo, quero viver mais duzentos anos
Quero não ferir meu semelhante, nem por isso quero me ferir…
Vamos precisar de todo mundo pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova vamos precisar de muito amor
A felicidade mora ao lado e quem não é tolo pode ver…
A paz na terra, amor…
Canta, leva a tua vida em harmonia…

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