Eu! Falando em público?

A repercussão do artigo “Como está seu poder de comunicação?” (publicado neste site em 30/01/2006) ainda se faz sentir. Tenho respondido individualmente aos internautas que realizaram o teste que está lá dentro do conteúdo. Cada um deles manifesta um item, um ponto, sempre interessante e pertinente. Percebi que, em qualquer canto do Brasil, a importância da desenvoltura verbal, nas relações interpessoais e nas apresentações em público é, hoje em dia, indispensável. Poderia até dizer que a habilidade verbal é “fator” de inserção no mercado de trabalho e não estaria dizendo nenhum absurdo. Ao contrário.
Infelizmente, as habilidades da comunicação são competências que ninguém aprendeu e, ainda, não se aprende na escola. Em cada 10 jovens que chegam à fase adulta, 10 nunca tiveram aula e, principalmente, oportunidades constantes da prática de postura, de respiração, de dicção, de memorização, de fichamento para apresentação, de uso dos recursos áudio-visuais. Não sabe conduzir um trabalho de grupo corretamente que dirá tirar proveito de uma reunião ou de um debate. Nós não temos aversão às reuniões e aos debates? Claro! Nós não somos preparados para a mais importante das atividades sociais humanas. O confronto das ideias. Por isso, somos atrasados neste quesito. Resultado: líderes de “araque” movidos à demagogia. As lideranças deveriam surgir na escola e os liderados ficarem contentes em segui-los já naquela etapa importante da vida.
No meu livro “Eu. Falando em Público?”, faço um questionamento explícito para você. Uma pergunta que lhe faço e eu mesmo respondo assim: agora é a sua vez! Como, porém, você vai aceitar esse desafio? Ora, amigo, vou lhe adiantar alguns “truques” de comunicação em público. Partindo do princípio que o brasileiro “gosta muito de improvisar”, como em qualquer setor da vida humana, na oratória não seria diferente! Nossos dois últimos presidentes, um sociólogo e um metalúrgico provam isso: improvisar é com eles! Com ressalvas, é claro. Pelos motivos que você vai ler abaixo.
COMO PREPARAR UMA “FALA” DE IMPROVISO
* Se você aprecia falar de improviso não deixe a responsabilidade do discurso por conta da sua memória. Ela não é confiável neste caso.
* Não deixe o improviso por conta de sua auto-suficiência. Improviso na oratória não gera só “gafes”, gera efeitos indesejáveis.
* Se você vai falar e tem um tempo para se preparar analise se a “ocasião” pede um improviso ou um discurso mais qualificado, escrito.
* Tem o tempo disponível? Pare, analise, coloque no papel as principais idéias que envolvem a apresentação.
* O seu improviso então passa a ser um improviso prévio preparado. Grandes oradores falavam de improviso. Mas passavam horas preparando as idéias e, principalmente, os argumentos que iriam defender (Demóstenes, Cícero, Santo Agostinho, Padre Antonio Vieira, Churchill, Gandhi, Mandela, Carlos Lacerda).
* Avalie o cenário e a atualidade dos dados que você vai utilizar para não ser surpreendido. Use a técnica de Henry Kissinger diante dos jornalistas: imagine, antecipadamente, quais as questões que poderão ser lançadas contra você.
* Lembre-se que, sendo você uma pessoa que está no “exercício” de uma representatividade (presidente do diretório acadêmico, sindicato, associação, federação, direção etc) você tem que falar em “nome” do ente que representa. Fale “nós”. Deixa pra lá o “eu acho”.
* Há dois tipos, portanto, de improviso. O improviso em que você se prepara previamente. Coloca do papel todo o conteúdo ou ordena os tópicos e até os utiliza na apresentação futura, como “âncoras” escritos numa folha ou numa ficha.
* O outro improviso é o “inesperado”. Aquela fala em que você é instigado a se manifestar, na hora, sem aviso prévio.
* O improviso inesperado ou “inopinado” também merece muita atenção. Você deve “raciocinar” rapidamente se é o caso ou não de se pronunciar.
* Por quê? Porque no improviso inopinado você “não se preparou adequadamente”, pode estar cansado, desconcentrado, tratando de outro tema.
Sugiro a seguinte linha de raciocínio
* Onde é que você está presente? Se for uma cerimônia informal como aniversário, apresentação de um palestrante, que não tenha “outros interesses” e você tem habilidade, vá em frente. Faça sua fala, sem esquecer de anotar o nome dos presentes.
* Caso seja um evento político, um debate, uma cerimônia. Cuidado. Acenda a luz de advertência.
* O convite para o improviso inesperado pode ter “segundas intenções” e, portanto, você deve ter o jogo de cintura suficiente para verificar se não está entrando num “mato sem cachorro”. Construa, rapidamente, uma análise do contexto e da conjuntura, verifique se o cenário é favorável e se o público irá ganhar com sua entrada em “cena”. Se for para perder, caia fora.
O improviso inesperado segue uma regrinha cumulativa, criada por mim, em quatro etapas e que começa com o ensinamento de Demóstenes:
* Se não está preparado, agradeça.
* Se for pertinente, fale.
* Seja, então, breve e sucinto.
* E, de forma alguma, polemize no discurso inopinado.               Silvio Luzardo

 

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