Executivo é Quem Executa

Executivo é Quem Executa

Pesquisa contesta a eficiência do líder servidor de “O Monge e o Executivo” e exalta os executivos reservados e disciplinados. É o que mostra a reportagem de capa da edição de AMANHÃ que está nas bancas
Por: Andreas Müller / Redação de Amanhã”Veja bem: eu sou de origem alemã. Talvez eu não seja exatamente aquela pessoa capaz de despertar a maior empatia num primeiro momento”, pondera Lair Hanzen, diretor financeiro do Grupo Yara. Há três meses trabalhando na sede da empresa em Oslo, capital da Noruega, Hanzen fala pouco e em um tom de voz invariavelmente baixo. Às vezes, chega a ser difícil ouvi-lo sob o chiado intermitente do telefone. Mas as poucas palavras que atravessam o DDI entre Oslo e Porto Alegre não deixam dúvidas: na opinião de Hanzen, o carisma está longe de ser uma característica essencial para um líder corporativo. “O carisma até ajuda a ‘abrir a porta’. Mas não é o mais importante na hora de liderar. Importante, mesmo, é ter capacidade de realização. É ter credibilidade, determinação e uma capacidade de fazer as coisas acontecerem através das pessoas, e não apesar delas”, teoriza Hanzen.
Líderes como Lair Hanzen estão em alta. Eles não são carismáticos, não têm personalidades exuberantes e nem sempre se comunicam com sagacidade. Em compensação, têm disciplina, senso de organização e uma capacidade ímpar de executar – ou seja, dão resultados. “São os CEOs que nós costumamos classificar como PEP: persistentes, eficientes e proativos. Em outras palavras, são os CEOs que se concentram em fazer as coisas acontecerem”, detalha Steven Kaplan, professor de Empreendedorismo e Finanças da Universidade de Chicago, em entrevista a Amanhã. Em janeiro deste ano, Kaplan concluiu um amplo estudo sobre quais características são mais importantes para o sucesso de um líder. A conclusão foi surpreendente: os CEOs que apresentam melhor desempenho não se destacam pela habilidade no trato com as pessoas – e sim pela destreza com que executam tarefas e controlam rotinas. Para Kaplan, relacionar-se bem com colegas e subordinados é como falar inglês: um requisito elementar, quase banal, que não pode ser visto como diferencial de liderança.
A edição de julho da Revista Amanhã ajuda a desvendar o perfil dessa espécie de “líder fazedor” – que serve de contraponto ao ideal do “líder servidor”, tornado célebre no livro “O Monge e o Executivo”. Amanhã mostra por que a velha necessidade de humanizar as relações de trabalho está dando origem a uma geração de executivos muito legais, mas não necessariamente eficientes. E convida o leitor a fazer uma reflexão: afinal, até que ponto o líder precisa ser um sujeito encantador para liderar?
Que fique claro: Lair Hanzen não ignora as necessidades de se tratar bem as pessoas. Para ele, o líder tem de ter foco na realização – meta que só pode ser atingida por meio de uma equipe engajada, motivada, etc. “O líder precisa saber o que a empresa faz, como faz, etc. Mas não precisa ser o profissional mais ocupado da empresa. O essencial é dar a direção correta, tirar o melhor das pessoas e fazer com que elas façam a coisa acontecer”, explica o executivo, que mesmo falando pouco já presidiu as subsidiárias da Yara no Brasil e na Argentina.
*A imagem que ilustra esta reportagem é cena da peça “O Monge e o Executivo”, produzida por Vágner Molina: a parábola do líder ideal.

 

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