Gerundismo: Vamos Estar Acabando Com Isso

Hoje estarei falando sobre um problema muito sério, que esteve incomodando a todos na última década, nos tratamentos pessoais e profissionais. Espero que eu não esteja incomodando-os com minhas palavras, mas quero estar explicando e evitando e algumas pessoas estejam falando de uma maneira tão irritante. Acredito que quanto mais eu esteja explanando a situação, mais pessoas estarão compreendendo o quão chato é estar falando desta maneira. Posso estar prosseguindo?

Já deu pra perceber que hoje vim falar do gerundismo, não é mesmo? Pensei em escrever a coluna de hoje toda no gerúndio para ver se o tratamento de choque resolve. Mas, temo que a eficácia não seja efetiva, então vamos da maneira tradicional (e correta) mesmo.

No meio corporativo alguns males ortográficos atormentam profissionais de diferentes culturas, níveis hierárquicos e sociais. Dizer que o português é uma das línguas mais complexas que existem, já virou um clichê. Mas, usar essa desculpa como pretexto para continuar abusando de erros crassos, já considero um pouco demais. O gerúndio, por exemplo, é algo que já foi tratado e retratado de diversas formas, e nem assim as pessoas conseguem se livrar da infestação de “indos”, “andos” e “endos”. E o mais curioso é que a maioria esmagadora das pessoas que utilizam o gerúndio em seu vocabulário, sabem conjugar direitinho o tempo verbal. Porém, conjugam a palavra errada. Ao invés de dizerem “eu farei o relatório”, cometem a irritante mania do “eu vou estar fazendo o relatório”.

Não pretendo dar uma aula de português aqui, até porque talvez eu mesmo cometa erros com a nossa língua. Quero, portanto, chamar a atenção de todos para a importância de sabermos nos comunicar adequada e corretamente, principalmente, quando representarmos a empresa em que trabalhamos.

Exatamente por isso, não me aterei apenas ao gerúndio, mas sim aos erros e vícios mais comuns observados dentro das corporações. “A nível de”, “há dez anos atrás”, “de menor”, “tinha chego atrasado”, “tons pasteis” são alguns exemplos. O uso redundante ou inadequado de algumas expressões pode passar a impressão de que o profissional é aquém do que ele realmente é, pois, convenhamos, falar bem é algo que independe de condição financeira para tal. Para falar bem, basta ler bastante. Ler bons jornais, boas revistas, livros e, até mesmo, assistir a documentários. À medida que observamos a escrita e a pronuncia correta das palavras e expressões, fica mais fácil assimilarmos quando as utilizarmos.

Outra questão fundamental é a escrita. É importante saber escrever bem. As novas gerações, principalmente, pecam muito em comunicações escritas, sejam elas e-mails, torpedos ou bate-papos. O fato é que os jovens acostumaram-se a se comunicar por meio de sinais abreviativos das palavras: vc, naum, kd vc, rsrsrs. Alguns abreviam tanto, que fica quase impossível outra pessoa entender o que eles querem dizer. E, vale lembrar que na comunicação profissional é melhor evitarmos abreviações, até porque tudo precisa ser muito claro para o interlocutor que receberá a mensagem. Não dá para pressupor que ele entenderá o que você quer dizer, através de abreviações. O ideal, como dizem, é colocar todos os pingos nos “i’s”, literalmente.

Outro detalhe que vale ser considerado é a habilidade de oratória. Uma coisa leva, não necessariamente, à outra. Quando nos sentimos seguros para falar, automaticamente fica infinitamente mais fácil falar diante de um grande número de pessoas. E, para adquirir segurança, uma boa dica é ter a certeza do que falamos e de como falamos.

Quanto ao gerúndio, faça o seguinte exercício: grave uma conversa informal sua com alguém, pode ser qualquer pessoa. Utilize o celular mesmo, hoje praticamente todos têm essa funcionalidade. Conte quantas vezes você utilizou o “estou falando”, “estarei mandando”, “estava incomodando” em sua conversa. Se tiver falado mais de uma vez, já significa que precisa ter cuidado com esse vício. O ideal é ler bastante, como falei, e observar, sempre que for escrever o “estar” como ele pode ser substituído pela palavra que você quer dizer corretamente conjugada.

DICAS:

• Leia bastante: revistas, jornais e livros;

• Assista a documentários, telejornais e canais de notícias;

• Ouça debates no rádio;

• Participe de palestras (os melhores palestrantes não cometem esse tipo de erro);

• Dedique um tempo da semana para escrever artigos sobre temas diversos e depois peça para alguém (que você confia) corrigi-lo.

Fonte: Bernt Entschev – Jornal Gazeta Do Povo

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