Ideias Com Hora Marcada

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O jornalista Ryan Tate prega que estabelecer um horário para “riscar fora da caixa” pode render bons frutos

Criatividade não tem hora e nem lugar para aflorar. Mas estabelecer um espaço e um prazo para “riscar fora da caixa” pode render bons frutos. Pelo menos é essa a mensagem deixada por A Doutrina dos 20%, do jornalista norte-americano Ryan Tate, editor do blog Gawker.com. Segundo ele, oferecer aos funcionários 20% da jornada de trabalho para bolar novos produtos ou serviços deveria ser uma estratégia comum a todas as empresas que buscam a inovação como vetor de crescimento. No livro, lançado no Brasil pela editora Campus/Elsevier, ele descreve os casos de seis companhias que conseguiram implantar a metodologia dos 20% com sucesso – desde empresas de tecnologia como o Yahoo! até um singelo restaurante. “A despeito de todas as motivações racionais para explorar a doutrina dos 20%, o elemento catalisador mais importante é de ordem emocional. A criação livre e direta faz com que nos sintamos bem”, esclarece Tate.

 

A filosofia empregada por Tate vai na contramão da ideia de que a inovação só acontece quando conta com altos investimentos. Redondo engano. “Esse é o melhor momento para os projetos no estilo dos 20%. Tornou-se mais fácil e barato iniciar projetos graças aos avanços na computação, às velocidades cada vez mais rápidas da internet e à globalização de produção. (…) A doutrina dos 20% oferece maneiras de trazer o espírito de uma startup para a sua companhia e eleger recursos corporativos sem afetar os seus próprios”, escreve. Tate lembra, ainda, que as companhias devem focar projetos simples e rápidos de forma que se tenha um constante aprendizado e feedback sobre eles – algo que também ajuda a baratear o processo.

 

Uma das experiências contadas no livro é do Yahoo!, que criou o “Hack Day” (um trocadilho com a palavra hacker). Durante um dia inteiro, os programadores poderiam trabalhar no projeto que quisessem. A fórmula parte do princípio de que as pessoas são mais criativas quando podem dar vazão ao que gostam de fazer – e, no caso, aplicar esse entusiasmo a verdadeiras maratonas de programação. No entanto, ter prazer naquilo que se faz não deve ser sinônimo de dispersão. É preciso ter um espaço bem delimitado para apreciá-la – no caso do Hack Day, um final de semana. “O que todos eles possuem em comum é o fato de explorar o poder da concentração intensa em um mundo que cada vez mais nos distrai, e alavancar uma pressão direta emocional em um mundo que cada vez mais nos isola de nossos instintos primordiais de sobrevivência”, ensina Tate. Ao final, o autor apresenta um guia para quem deseja desfraldar a metodologia em vários passos, facilitando a vida de quem pretende aplicar a metodologia. Tudo não passa de uma questão de atitude – mesmo que concentrada em um lapso de tempo.  Marcos Graciani

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