Independente Do Tipo De Entrevista, Você Poderá Ser Bombardeado Por Perguntas De Todo Tipo

Eis alguns exemplos típicos usados pelos entrevistadores:

O que você pode fazer por esta empresa? Sem conhecer os valores e objetivos da empresa, fica impossível responder a essa pergunta. Portanto, informe-se antes e procure avaliar como você poderá contribuir para que a companhia atinja suas metas. No fim das contas, o objetivo de qualquer profissional é resolver problemas. Portanto, se você conseguir identificar o problema da empresa e mostrar ao entrevistador como resolvê-lo, certamente estará um passo à frente dos concorrentes.

Onde você se vê em cinco anos? Mostre que você traçou um plano consistente de carreira, sabe para onde quer ir e como quer chegar lá.

Conte-me uma situação em que você falhou em sua carreira. Seja direto e procure descrever como aprendeu com o erro. Procure ter uma postura positiva sobre o evento.

Está faltando luz de manhã. Você sabe que tem 12 meias pretas e 8 azuis. Quantas meias precisa tirar da gaveta para ter um par perfeito? Nesse caso, o entrevistador quer testar seu raciocínio. A resposta é: você tem duas cores. Para conseguir um par da mesma cor, pegue três.

Qual a sua expectativa de salário? Salário não deve ser discutido no início da conversa, só depois de conhecer todas as atribuições do cargo e de saber se a empresa irá contratá-lo. Aí sim é hora de negociar.

NÃO SE ESQUEÇA DE QUE VOCÊ TAMBÉM ESTÁ LÁ PARA AVALIAR SE A EMPRESA É O LUGAR CERTO PARA VOCÊ. E essa é sua grande chance. Prepare uma lista de perguntas que possam ajudá-lo a conhecer melhor a companhia:

Como é um dia típico de trabalho nessa empresa?

Que responsabilidades terei nesse cargo?

A quem vou me reportar?

Qual o tamanho da equipe da qual farei parte?

Qual o estilo de gerenciamento da empresa?

Como o(a) senhor(a) vê a empresa em cinco anos?

NO DIA

NÃO DE VEXAME. Saiba o nome e cargo do entrevistador, o local, a data e o horário da entrevista.

VISTA-SE ADEQUADAMENTE PARA A OCASIÃO. Procure conhecer o perfil da empresa antes, e use essa informação na hora de escolher roupa, sapato e acessórios. Por exemplo, se você for fazer uma entrevista para uma empresa de consultoria, é mais indicado que use o terno completo. Já se for para uma empresa de Internet, pode dispensar a gravata. De qualquer forma, os fundamentos são eternos. Evite perfumes fortes. Confirme se a roupa está limpa. Para as mulheres: evitem saias curtas demais, decotes cavados e tecidos transparentes. Nada de maquiagem pesada. Para os homens, nada de paletó amarrotado, pastas ou sapatos surrados. Verifique se as unhas estão aparadas e limpas. A barba deve estar feita.

ADMINISTRE BEM SEU TEMPO. Tente chegar 10 minutos antes da hora marcada.

LEVE CÓPIAS DO CURRÍCULO, anotações feitas durante a preparação sobre suas competências e objetivos, papel e caneta.

DURANTE

NÃO ESQUEÇA QUE VOCE PODE SER AVALIADO DESDE O MOMENTO EM QUE PISA NA EMPRESA. Portanto, trate bem a secretária e os assessores e fique atento. Qualquer nova informação pode ser preciosa nessa hora.

“PENSE QUE A ENTREVISTA É O SEU PRIMEIRO DIA DE TRABALHO”, afirma o consultor americano Nick Corcodilos. “Sua atitude deve ser a de quem está ali para discutir um projeto, e não a de quem está mendigando um trabalho.”

TENTE MANTER SUA AUTOCONFIANÇA. Afinal, ainda não existe empresa no universo que valorize profissionais inseguros e sem iniciativa.

REFLITA BEM ANTES DE RESPONDER. Não se precipite, mas também não enrole. Jamais dê respostas monossilábicas, como “sim”, “não” e “é”.

JAMAIS FALE MAL DO SEU EX-CHEFE OU DA EMPRESA EM QUE TRABALHOU. Isso mostra que você é pouco discreto e não sabe separar questões pessoais e profissionais.

NÃO TENHA RECEIO DE MOSTRAR SENTIMENTOS DE INSATISFAÇÃO OU RAIVA. Um estudo feito pela Stanford Business School revelou que visão crítica ajuda a convencer o entrevistador de que você é uma pessoa competente e que pode agregar valor. A pesquisa revela ainda que pessoas que demonstram atitude, em geral, têm um salário maior que as outras.

NÃO SAIA DA SALA ANTES DE FAZER AS PERGUNTAS AO RECRUTADOR. Verifique como será o processo de seleção daquele momento para a frente.

E SE…

Se você pensou que está preparado para a batalha, enganou-se. Ninguém está livre de armadilhas que podem tornar sua entrevista um verdadeiro fiasco. Veja como transformar um desastre em oportunidade.

* Se o entrevistador faz uma pergunta que você não tem idéia da resposta? “Fale-me sobre o modelo Value at Risk de avaliação de riscos”, dispara o entrevistador. Que fria. Você não sabe a resposta. Mas conhece um outro modelo. Então, siga em frente. Diga: “Conheço pouco o Value at Risk para fazer uma análise mais profunda, mas conheço esse outro método, que acredito ser extremamente eficiente”. Ninguém espera que você seja uma enciclopédia ambulante, mas que saiba defender suas idéias.

* Se o recrutador chama você pelo nome errado? Faça uma correção na hora. Educadamente diga que você é fulano e não sicrano e continue a conversa. Se o entrevistador continuar a errar, então diga: “Sei que o senhor conversa com muitos candidatos. Gostaria de checar se está com o meu currículo em mãos. Sou fulano de tal, formado pela universidade XYZ”.

* Se o telefone celular toca durante a entrevista? Desligue imediatamente. Peça desculpas. Aliás, o correto é entrar na sala com o celular desligado.

* Se você chegar atrasado? Tráfego congestionado, doença na família, nada disso justifica um atraso. O melhor a fazer é ligar para o entrevistador com antecedência, explicar o problema e pedir desculpas. Se o atraso for ultrapassar 15 minutos, esteja disponível para remarcar a entrevista.

* Se o entrevistador fala algo que você sabe que é incorreto? Se for um erro que você pode contradizer com números e dados, faça-o delicadamente. Ele pode estar testando você. Repita a frase com a correção, sem destacar que o entrevistador está errado.

* Se você comete uma gafe estúpida (como a de dizer no final de uma entrevista com o diretor da Pepsi que você sempre quis trabalhar na Coca-Cola)? Corrija a gafe rapidamente. Deixe claro seu compromisso com a empresa. E não tente justificar o equívoco dizendo que se confundiu porque teve ontem uma entrevista com o pessoal da Coca-Cola. Aí, meu caro, é o seu fim.

* Se você derrubar café na roupa? Tente conduzir a situação com bom humor. Pergunte onde ficam as toalhas de papel e peça licença para ir buscá-las. Não fique esperando alguém consertar a confusão que arrumou. Deixe claro que a entrevista é mais importante que o imprevisto.

DEPOIS

VOLTE PARA CASA E ANALISE A ENTREVISTA. Verifique o que funcionou e o que não deu certo e como poderia melhorar na próxima ocasião.

ENVIE UMA CARTA DE AGRADECIMENTO À EMPRESA no máximo 48 horas após a entrevista.

SE VOCE NÃO TIVER NOTÍCIA NENHUMA APÓS DUAS SEMANAS, ligue para o recrutador e verifique se ele precisa de mais algum dado sobre você.

SEJAMOS SINCEROS: nem mesmo toda essa preparação vai acabar de vez com o desconforto que é enfrentar uma entrevista. Afinal, trata-se de um momento em que você está sendo avaliado por um estranho — cada palavra, gesto e movimento pode fazer a diferença. Há o receio de ser mal interpretado, rejeitado e, por fim, de perder uma grande oportunidade. Mas se render ao desespero é a pior saída. Vá em frente. Prepare-se bem. Seja você mesmo — e procure sempre aprender algo quando se deparar com esse tipo de situação.

Murphy está entre nós

Sentado ao volante do meu Santana, parado na saída do estacionamento de um hotel cinco estrelas em São Paulo, senti que estava na maior enrascada da minha carreira. Tentava fazer o motor do carro pegar, e nada. Ao meu lado, sério e calado, estava o diretor do Yankee Group, Carlos Perry (hoje, vice-presidente), que estava hospedado no hotel e com quem acabara de fazer uma entrevista para a posição de diretor-geral. A consultoria americana se preparava para abrir o primeiro escritório no país. Tinha me saído muito bem na conversa, mas o meu sonho de assumir o comando da empresa no Brasil, aos 28 anos, estava indo por água abaixo. Finalizada a entrevista, tinha me oferecido para levar Perry ao aeroporto. Foi aí que tudo começou. Bastou o manobrista entregar o carro e o motor silenciou. Os manobristas do hotel, ansiosos para se livrar do abacaxi, sugeriram que empurrássemos o carro até a rampa de saída para forçar a partida do motor.

Constrangido, olhei para o lado e meu já ex-futuro-chefe continuava calado, sem proferir um único comentário. Era visível sua preocupação com o horário do vôo. Desci do carro e fui procurar ajuda.

Falei com os motoristas do ponto de táxi, mas não teve jeito. Voltei ao hotel, conversei com o gerente e pedi que providenciasse um mecânico com a máxima urgência. Logo em seguida cinco pessoas já estavam debruçadas sobre o capô tentando identificar o problema. O diagnóstico? Pode acreditar: falta de combustível.

Alguém correu até um posto e voltou com um saco plástico cheio de álcool. Conseguimos chegar ao aeroporto em tempo. Me despedi de Perry e, em pensamento, também do novo emprego tão desejado. Depois dessa gafe, achava que minhas chances haviam se esgotado. A grande surpresa aconteceu dois dias depois do episódio. Recebi um telefonema de Perry comunicando a aprovação do meu nome. Eu seria o diretor-geral do escritório do Yankee Group no Brasil. Feliz, não contive minha curiosidade e perguntei a Perry

o motivo por me oferecer a vaga mesmo depois da enorme gafe. A resposta: ‘Fiquei impressionado com sua capacidade de mobilizar as pessoas para ajudá-lo. Em pouco tempo, reuniu cinco homens para tentar resolver o problema’. A lição? Prepare-se antes da entrevista para evitar gafes. Mas saiba que imprevistos acontecem. Nesse caso, aproveite a oportunidade para mostrar sua habilidade em lidar com o inusitado.”

Cara a cara com o amigo

“No segundo semestre de 1999, depois de trabalhar um tempo na área de turismo, decidi buscar novas oportunidades. Nesse período, uma das minhas melhores amigas me deu uma dica quente. Ela trabalhava como gerente de atendimento a parceiros de uma empresa de Internet no Brasil, mas estava deixando o cargo. Por me conhecer muito bem, disse que eu tinha o perfil ideal e potencial para assumir a posição. Até aí,

tudo bem. Bastava eu me candidatar e enfrentar testes, entrevistas e tudo o mais. O problema é que o presidente da empresa no Brasil, ou seja, meu futuro chefe, era o mais novo namorado dessa minha amiga.

Certamente eu teria de passar por uma entrevista com ele, que já havia se tornado um colega pessoal. Isso gerava muita insegurança. Eu tinha várias dúvidas: como ele agiria na entrevista? Qual seria a melhor maneira de me apresentar naquele momento? O cara a cara foi inevitável. Já havia passado por duas conversas e havia sido aprovada: uma com a pessoa que seria meu chefe direto e outra com um dos diretores da empresa. Na hora da entrevista, tanto eu quanto ele acabamos adotando uma postura mais formal. Deixei as questões de amizade de lado e a entrevista foi focada no trabalho. Ele me explicou melhor o cargo, as áreas para as quais deveria prestar serviços, situações do dia-a-dia. Da minha parte, falei de habilidades, motivação e da vontade de aprender. A melhor maneira de se dar bem numa entrevista desse tipo é manter-se focada no trabalho.

Fui aprovada. A partir de então, começou minha segunda batalha. Como ainda não tinha muita intimidade com os assuntos da Internet, estudei muito. Fazia muitas perguntas e muita pesquisa antes de tomar qualquer decisão. Não queria que meus amigos me achassem legal mas incompetente. Não queria também que as pessoas no escritório misturassem as coisas, por isso me dediquei a cumprir bem todas as tarefas.

O resultado é que depois de oito meses esse mesmo chefe (e amigo) resolveu montar seu próprio negócio, e me convidou para participar da nova empreitada.”

A hora do vale tudo

“Estava frente a frente com um alto executivo de uma grande consultoria. Já era a minha segunda entrevista naquela empresa. Mesmo assim a situação era tensa. Todo seguro de si, o executivo pegou meu currículo e começou a analisá-lo. Após alguns segundos, olhou para mim e disse: ‘Vejo aqui que você recebeu um prêmio na área de negociação’. Concordei e expliquei que havia recebido o prêmio durante um seminário sobre o assunto. O executivo disse: ‘Um bom negociador sabe comprar, sabe vender, certo?’ Novamente, concordei com ele. Vale lembrar que estava concorrendo a uma vaga numa posição que exigia forte capacidade de negociação. Rapidamente, o diretor pegou uma caneta que estava à sua frente e pediu que eu vendesse o objeto para ele.

Surpreso com a proposta, chequei se ele queria mesmo que eu vendesse a caneta. Acredito que ele achou a pergunta muito fácil. Resolveu, então, mudar de idéia. ‘Não, deixe a caneta para lá’, disse o diretor. Nesse momento é que ele disparou a bomba em minha direção: ‘Supondo que eu seja um tetraplégico, venda-me agora uma raquete de tênis’. Tomei um susto. O quê? Como é que eu ia vender uma raquete de tênis para um tetraplégico? Eu tinha de achar uma saída. Respirei fundo. E comecei, então, a desenvolver um raciocínio. Perguntei ao executivo se poderia fazer algumas perguntas ao tetraplégico (interpretado por ele). Perguntei se ele era atleta. Ele disse que isso não importava. Perguntei qual era sua situação financeira. Respondeu que era bem de vida. Procurei saber se ele dava valor ao esporte. Afirmou que sim.

Depois dessa checagem, fiz a minha proposta. Disse que pertencia a uma instituição de caridade e que gostaria de contar com a colaboração dele. Afinal, ele tinha certa estabilidade financeira. Pedi, então, que doasse 20 raquetes de tênis para a entidade. E ele concordou na hora em fazer a doação. Resultado? Não vendi apenas uma raquete para o diretor, mas um pacote de 20. Fui chamado para trabalhar na empresa. Mas acabei optando por uma oportunidade de trabalho em outra companhia. Sei que em muitos casos os entrevistadores são extremamente agressivos na hora de testar o raciocínio e a criatividade dos candidatos. Mas nesse caso acredito que a simulação foi bem interessante. Cumpriu o objetivo.”

As armadilhas das dinâmicas de grupo

Para entrar no mercado de trabalho por meio dos melhores programas de trainees, os Jovens profissionais são bombardeados com testes de inglês, avaliações psicológicas, prova de conhecimentos gerais. Mas é na hora da dinâmica de grupo que o bicho pega. As dinâmicas são sessões de 3 a 4 horas, em que os candidatos realizam atividades em grupo, conduzidas por psicólogos e profissionais de RH. O objetivo é conhecer os aspectos comportamentais, como flexibilidade e motivação. São vários os causadores do pânico nas dinâmicas. Um deles é a própria concorrência entre as pessoas do grupo, o que exige alta performance dos candidatos. No ano passado, 7200 candidatos disputaram 31 vagas para o programa de trainee da Rhodia. “Por causa da grande quantidade de candidatos, as empresas não têm condições de aplicar entrevistas individuais nessa etapa do processo”, afirma Sofia do Amaral, diretora da Companhia de Talentos, empresa de São Paulo especializada em seleção. Outro fator que faz da dinâmica a pedra no sapato de muita gente é a própria falta de preparo de profissionais na hora de conduzir as sessões. Muitos colocam os candidatos em situações difíceis ou usam critérios de avaliação discutíveis.    Autor desconhecido

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