Inovar ou Evaporar

“Não importa em que negócio você esteja, seu futuro será determinado pelas inovações que estão ocorrendo hoje” – Michael MichalkoUma pesquisa entre grandes Empresas multinacionais, em meados dos anos 90, constatou que 80% delas sabiam que a Inovação era fundamental para alcançar ou sustentar uma vantagem competitiva em um mercado em acelerada transformação, mas que somente 4% dessas Empresas achavam que aspecto estava sendo bem trabalhado por elas (Brian Clegg – I.N. Institute of Management – 1999). A disparidade é assustadora.
Em 2000, a inovação foi responsável por 50% do PIB norte-americano. (Revista ESPM) Hoje, não surpreende nem assusta a constatação óbvia de que focar com eficácia a inovação pode fazer a diferença entre a sobrevivência e o desastre, para uma boa parte das Empresas. Pode parecer radical mas, se você estiver lendo qualquer livro, revista, coluna ou artigo sobre negócios verá que Inovação e Criatividade são termos usados com extraordinária freqüência.
Por quê?
Mudar Ou Mudar

“Nada do que foi, será do jeito que já foi um dia.   Tudo passa, tudo sempre passará” (Lulu Santos)
Segundo Peter Drucker, “todas as pessoas (e todas as Empresas) têm que estar preparadas para abandonar o que fazem”. As aceleradas mudanças que vivemos, já proclamadas e descritas exaustivamente na última década do séc. XX, fazem com que produtos, processos e serviços se tornem obsoletos muito rapidamente. Inúmeros exemplos são conhecidos (na área da informática, é lançado um softeware novo no mercado mundial a cada 8 minutos). Isto faz com que uma boa parte da bagagem de conhecimentos e habilidades que foram adquiridos por uma boa parte de profissionais tornem-se, de repente, ultrapassados.
Quando surgiu o cinema falado, em 1927, H. M. Warner, da Warner Brothers, disse : “Com os diabos, quem é que vai querer ouvir os atores falando ?” O fato é que, com o advento da fala no cinema, mais de 80% dos atores perderam o emprego, por não conseguir se adaptar ao novo estilo de representação exigido pela aquela inovação. Charles Chaplin, Greta Garbo e alguns poucos sobreviveram.
Pensar O Novo De Um Jeito Novo

“Os padrões do passado tranqüilo são inadequados para o presente tempestuoso.Como a nossa situação é nova, temos que pensar de uma maneira nova e agir de uma maneira renovada”.
Abraham Lincoln
Dizia Albert Einstein que “nenhum problema novo pode ser resolvido pelo mesmo raciocínio velho que o criou”. As novas e crescentes exigências e os inesperados desafios no contexto do Mundo atual exigem que se pense e se aja de um jeito novo. Ao raciocínio reprodutivo e ao trabalho repetitivo, que imperaram soberanamente na Era Industrial, é preciso acoplar hoje o raciocínio produtivo e a ação inovadora, que resultem em vantagem competitiva. Esta mudança não é exterior às pessoas. Ela precisa se dar DENTRO das cabeças pensantes. “Sabemos muito bem como se produzem os bens materiais e, portanto, como podemos reproduzi-los a nosso gosto. Sabemos muito menos como se produzem os símbolos e as idéias”. ( Domenico De Masi – “A emoção e a regra”)

A Era Do Caos

A desordem é uma ordem que desconhecemos.

Chamamos de desordem a ordem que não dominamos. Uma nova ordem, mutante, está criando uma nova lógica. Com a globalização, quer gostemos dela ou não, a lógica das relações do mercado, da produção, da relação com o consumidor, das relações de trabalho, e outras lógicas estão sofrendo uma radical transformação. É preciso um pensamento e um comportamento criativos e inovadores para enfrentar estas “mudanças que mudam”.
E estes têm que ser desenvolvidos a partir do conhecimento e da experiência já consolidados. Não se inova a partir do nada. “Olhando para a estrutura da nossa rede neural, pode-se imaginar que novas idéias são a transformação das idéias já existentes” (Chan Bok – Axon Idea Processor) .
É necessária uma nova forma de raciocinar este repertório para que surja a inovação. De maneira bem didática, a inovação é a passagem de “o que eu sei” para “o que eu não sei”.
Criatividade E Inovação

“Criatividade é pensar coisas novas.
Inovação é fazer coisas novas”
Theodore Lewitt, da Harvard Business School
A inovação é fruto da criatividade mas, muitas vezes, Inovação e Criatividade são consideradas sinônimos.
Criatividade é meio e não fim; é processo e não produto. Precisamos do pensamento reprodutivo, sustentado pela memória, para repetir com segurança padrões, modelos, fórmulas e paradigmas. E isto é muito importante.
Hoje é necessário, ao mesmo tempo, o pensamento produtivo (raciocínio criativo) para produzir idéias novas que vão gerar coisas novas (Inovação). E isto é fundamental.
Estes dois modos de pensamento são opostos mas complementares. Inovar é o antônimo de iterar (repetir). Inovar é pensar o absurdo e transformá-lo em lógico.
Ainda Einstein : “Se, na sua formulação inicial, uma idéia nova não parecer absurda, ela provavelmente não é uma idéia inovadora”.
Escolher Alternativas

” O pior inimigo de uma idéia é a solidão.
Se você só tem uma idéia, como saber
se ela é a melhor idéia ?”
Inovar é gerar idéias alternativas.
Como fazer melhor o que já fazemos bem ? Como fazer em menos tempo, com mais economia, em menos etapas, com mais facilidade, com menos recursos ? Com mais facilidade para produzir, estocar, distribuir, etc ? Com outras pessoas ?
Inovar é gerar alternativas melhores para velhas soluções ou alternativas novas para resolver novos e velhos problemas. Fazer diferente pode fazer a diferença entre liderar ou correr atrás do líder. Para fazer diferente é preciso pensar diferente. Quem olhar para o Mundo novo com olhos velhos somente verá o Mundo velho. Um novo olhar exige uma percepção ampliada e um raciocínio divergente, um “estar insatisfeito” e um questionamento permanentes.
A máxima da Inovação deve ser : “tudo que funciona está ficando rapidamente obsoleto”. Então é preciso mudar rapidamente. Mas “mudanças não ocorrem simplesmente com slogans e discursos. Elas só acontecem quando se colocam as pessoas certas no lugar certo” (Jack Welch – Presidente da G.E.).
As Pessoas Certas
Nenhuma organização é inovadora.
São inovadoras as pessoas que estão trabalhando nas organizações.

Pessoas produzem idéias, equipamentos não. E idéias são o principal capital das Empresas inovadoras.
A Inteligência Inovadora não é capital das Empresas. É capital pessoal de quem a desenvolve. Cabe às Empresas que pretendem ser inovadoras saber atrair, desenvolver e manter este capital inteligente como condição básica para sua sobrevivência. E cabe às pessoas desenvolver este seu capital para se tornarem jogadores imprescindíveis neste jogo. Ou terem competência para ir jogar seu jogo em outros campos. Se forem, levam consigo este capital. Então, criar condições para que a cultura das organizações seja permeável ao novo, ao desconhecido, ao não experimentado e assumir o risco decorrente disto pode ser a diferença entre inovar ou evaporar.
Novamente Jack Welch : “O risco do erro faz parte do jogo. Trágico é não tentar”          Sylvio Zilber – Consultor Do Instituto Mvc

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