Inspire-Se Com Espírito Empreendedor

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Hoje, trago como inspirador uma figura histórica. Ele não faz parte do rol de artistas, cientistas, ou atletas. Mas deixou uma marca relevante na história pela sua história.

Quer saber quem é ?

Ele é título de filme. É Brasileiro.

Tem titulo de nobreza!

Vem comigo e conheça:

Irineu Evangelista de Souza (1813-1889), o Visconde de Mauá, ou Barão de Mauá, nasceu em no município de Arroio Grande (*), então distrito de Jaguarão, estado do Rio Grande do Sul, no dia 28 de dezembro de 1813. Industrial, banqueiro, político e diplomata, é um símbolo dos capitalistas empreendedores brasileiros do século XIX.

Nascido no interior do Rio Grande do Sul, Irineu ficou órfão de pai aos 5 anos. Foi morar no Rio de Janeiro e aos 11 anos já trabalhava como contínuo, aos 15 era o empregado de confiança do patrão. Aos 23 já era sócio da firma escocesa onde trabalhava. Aos 27 anos, o ex-menino pobre viajou até a Inglaterra, conhecendo assim o país mais rico do mundo, visitando fábricas, fundições de ferro, muitos empreendimentos comerciais importantes.

De volta ao Brasil, resolve tornar-se industrial. Foi o primeiro do Brasil, aos 32 anos. Visitando uma fundição de ferro na Inglaterra, Mauá escreveu: “Era precisamente o que eu contemplava como uma das necessidades primárias para ver aparecer a indústria propriamente dita no meu país… é a indústria que manipula o ferro, sendo a mãe das outras, que me parece o alicerce”.

Aos 40 anos Mauá já estava rico. Investiu na indústria pesada, fundições, estradas de ferro, estaleiros. “Fabricava ferro, sinos, pregos e navios a vapor. Em menos de uma década tinha setecentos operários de várias nacionalidades”.

Fundou também a Companhia de Iluminação a Gás do Rio de Janeiro, companhias de navegação e companhias de bonde, e construiu estradas de ferro, inclusive a Estrada de Ferro do Recife ao São Francisco, a segunda do Brasil, e mais 17 empresas instaladas em seis países. O Barão foi precursor de multinacionais, da globalização e do Mercosul, e no Brasil seus negócios se espalhavam do Amazonas ao Rio Grande do Sul. Mauá era um empresário da diversificação. Tudo que era moderno tinha suas mãos. Financista, o Barão tinha bancos, empresas de comércio exterior, mineradoras, usinas de gás, fazendas de gado e sócios milionários em toda a Europa.

No Rio de Janeiro, Mauá tinha a melhor demonstração dos seus negócios com seus navios a vapor, sua estrada de ferro até Petrópolis, as luzes da cidade com a companhia de iluminação a gás dos lampiões, as velas que se consumiam nas casas, a água que chegava pelos canos de ferro instalados por seus engenheiros. Tudo no Brasil que significasse desenvolvimento e progresso, onde não houvesse escravos, tinha a marca de Mauá. Ele controlava 8 das 10 maiores empresas do país; as duas excluídas, eram o Banco do Brasil e a Estrada de Ferro D. Pedro 2º, ambas estatais. Sua fortuna em 1867, atingiu o valor de 115 mil contos de réis, enquanto o orçamento de todo o império contava apenas com 97 mil contos de réis. Sua fortuna seria o equivalente a 60 milhões de dólares, hoje.

Mas, o Visconde de Mauá era um estranho no ninho. No ninho de um país ruralista, escravocrata e latifundiário, cuja economia vivia sob o controle estatal. Por isso era incompreendido e até perseguido, era “desprezado e talvez invejado por D. Pedro II, o monarca iluminista que só admirava as letras quando não eram promissórias e números se fossem abstratos… Jamais tiveram alguma discussão pública … mas sua incompatibilidade de gênios era notória. Mauá cometia o supremo pecado de ser devotado ao lucro e isso o arqueólogo diletante, linguista e filólogo, astrônomo amador… botânico de fim de semana, D. Pedro II, não podia tolerar”.

Em conseqüência disso, os políticos partidários do imperador inviabilizavam quanto podiam os projetos de Mauá, até ao ponto de torná-los impossíveis. O Visconde era um gigante em terra de anões. Afinal depois de muita perseguição em 1875, Mauá faliu e pediu moratória por 3 anos. Vendeu tudo o que tinha ( 60 milhões de dólares ) pagou todas as dívidas e limpou seu nome.

Irineu Evangelista de Sousa, Barão de Mauá, era respeitado pelos grandes banqueiros ingleses, como “o único banqueiro confiável do Hemisfério Sul”. Morreu em 1889, famoso e respeitado na Europa. Chegou a ser citado por Júlio Verne num dos seus trabalhos. A perseguição e incompreensão dos poderosos proprietários escravocratas brasileiros que não se adaptavam à modernidade capitalista praticada por Mauá e que o levaram à falência constituiu um retrocesso e um dos mais lamentáveis fatos da história econômica brasileira do século XIX.

O Visconde de Mauá faleceu em Petrópolis-RJ, no dia 21 de outubro de 1889.

Fonte: Enciclopédia Barsa, Volume 9, ano 1997      Sigmar Sabin – sigmarsabin@bomdiahoje.com.br

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