Investir Em Treinamento De Acordo Com A Iso 10015

“Sem o treinamento profissional uma empresa torna-se cega e não observa os desafios do futuro ou se mutila e não é capaz de agarrar a oportunidade quando aparece”. Essa afirmação é feita pelo consultor e professor da Universidade de Basle, na Suíça, Raymond Saner, que estará participando do seminário internacional “Como obter retorno do investimento em treinamento”, que acontece no dia 01 de dezembro, em São Paulo. Em entrevista exclusiva ao RH.COM.BR, Saner explica qual a importância da Norma ISO 10015 para calcular o retorno sobre o investimento (ROI) de um treinamento e como as empresas brasileiras têm se comportado nessa área. Confira!
RH.COM.BR – Qual a proposta da norma ISO 10015 para a área de treinamento?
Raymond Saner -A Norma ISO 10015 oferece uma diretriz para organizar treinamentos in company em instituições privadas e públicas de uma maneira eficiente e eficaz. O mais importante é que a ISO 10015 interliga o treinamento com o desempenho do sistema de gerenciamento da organização, além de contribuir para o desempenho total e a competitividade da organização. Essa Norma está baseada nos princípios pedagógico e gerencial, visando incrementar o retorno de investimento no treinamento. Ela foi desenvolvida por um grupo de 22 países membros da ISO e se tornou disponível ao público apenas no ano de 2000.
RH – De que forma a ISO 10015 facilita o gerenciamento dos treinamentos?
Saner – A ISO 10015 observa dois aspectos-chave no treinamento in company. No primeiro deles, ela compreende a organização lógica e a sistemática do aprendizado de acordo com a tecnologia instrutiva como, por exemplo, a necessidade de avaliação, a formação de programa, o oferecimento de treinamento e a avaliação. Cada uma dessas etapas será monitorada através de ferramentas especificamente desenvolvidas para esses processos, originando assim um efetivo gerenciamento de informação que pode trazer uma melhoria contínua na tecnologia de treinamento e nos resultados. Ela também observa outro aspecto-chave, estando relacionada ao investimento do treinamento com necessidades concretas de melhoria do desempenho da organização. Por essa razão, o treinamento torna-se uma segurança com propósitos múltiplos, consistindo em aprendizado pessoal e aplicação organizacional das novas habilidades e conhecimentos adquiridos.
RH – As grandes empresas americanas e da Europa Ocidental têm destinado de 2 a 3% do total da folha de pagamento para os treinamentos corporativos. Esses seriam os índices ideais?
Saner – A média de 2 a 3% no investimento é uma taxa sensível de investimento no futuro de uma organização. Sem treinamento, o capital humano de uma empresa não será capaz de enfrentar os desafios no futuro. Sem treinamento e sem desenvolvimento contínuo, o pessoal está limitado às competências já adquiridas, no momento em que completaram a sua educação formal. O mundo não pára após o término da educação formal, ao contrário, temos que nos engajar num processo de educação contínua; caso contrário nossas empresas serão menos competitivas.
RH – Como vem se comportando os investimentos das empresas brasileiras na área de treinamento?
Saner – Algumas empresas brasileiras têm bons programas de treinamento, outras não têm quase nenhum. Sem o treinamento profissional uma empresa torna-se cega e não observa os desafios do futuro ou se mutila e não é capaz de agarrar a oportunidade quando aparece. No entanto, muitas empresas brasileiras não fazem ligação entre treinamento com objetivos do desempenho. Conseqüentemente, elas nunca saberão ao certo se o investimento através do treinamento valeu o tempo e o dinheiro gastos.
RH – É possível calcular claramente o retorno sobre investimento de um treinamento?
Saner – É possível, mas também é difícil. Muitos fatores e variáveis contribuem positiva ou negativamente para o desempenho do pessoal e assim torna-se difícil estabelecer claramente o que é devido ao treinamento, especialmente quando o sistema de gerenciamento de treinamento é pouco desenvolvido. As dificuldades não significam impossibilidade. Muitas empresas realizam uma avaliação total de value-for-money a cada cinco anos. Isso não é satisfatório do ponto de vista de que treinamento é para melhorar o desempenho individual no emprego e no resultado de desempenho na organização. A fim de otimizar totalmente o potencial de treinamento, é importante ter um tempo de retorno. A alternativa é instalar a ISO 10015, que ajudará a empresa assegurar o padrão profissional de treinamento e, mais importante, a transferência de habilidades aprendidas e conhecimento ao local de trabalho como parte do processo de treinamento. Também provê a informação necessária para conduzir a avaliação do retorno de investimento.         Patrícia Bispo

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