Investir Para Evitar Demissões

Fórmula dos donos de empreendimentos estáveis é inovar e expandir serviços para preservar bons funcionários

Rio – Precaução, investimento e criatividade – essa é a fórmula usada por empresários de dois segmentos distintos que, até agora, não precisaram demitir para adaptar o orçamento à maré baixa na economia nacional. Ao contrário, contrataram e pretendem expandir os negócios. Mentora e sócia da rede de salões Beleza Natural, Heloísa Assis, a Zica, dá bem a medida: quer abrir mais 30 salões no País até 2012, o que significa mais 3 mil empregos diretos.

“A empresa continua familiar, mas contratei profissionais do mercado para colocar os negócios nos eixos”, revela a cabeleireira. Um deles é Gisella Pereira de Abreu, admitida em setembro, no espocar da crise econômica global. “Nem acreditei que seria contratada. Troquei emprego de 12 anos em rede de roupa feminina, por achar a área de salões uma das mais atraentes para trabalhar”, explica a nova gerente do Beleza Natural de Niterói. A funcionária anterior assumiu nova unidade em São Gonçalo.

Sócio de dois importantes empreendimentos na Lapa, centro boêmio do Rio – a casa de samba e a Pizzaria Carioca da Gema -, Thiago Cesario Alvim, 48 anos, dá sua sentença: “A crise não passou por aqui”. O empresário conta que não gosta de demitir e que faz qualquer coisa para evitar se desfazer dos bons funcionários. O próximo passo é inaugurar serviço de entrega em domicílio.

As mais recentes contratações, há dois meses, foram os garçons Sostines Dias da Silva, 34 anos, e Leone Fernandes da Costa, 24, que substituiu Luciano dos Santos, 30, promovido para o salão mais cheio, o da casa de shows. “Estava desempregado, e agora quero ficar aqui por bom tempo”, diz Leone.

NÚMEROS

3 MIL

Zica, sócia da rede Beleza Natural de salões, planeja abrir 30 unidades até 2012, expansão que vai gerar 3 mil empregos diretos. Desse total, 11 ou 12 vão ficar no Rio de Janeiro, incluindo o interior do estado.

Crédito escasso e queda nas exportações prejudicaram

A restrição ao crédito e a diminuição das exportações, reflexos da crise mundial, prejudicaram outros setores da economia brasileira, como indústria automobilística, de máquinas e equipamentos, bancos e financeiras. Como consequência, demissões em massa e férias coletivas em grande número de empresas. Os dados do PIB (Produto Interno Bruto – soma das riquezas do País) no último trimestre do ano passado representam o cenário atual: a queda de 3,6% na comparação com o trimestre anterior surpreendeu até os mais pessimistas.

O governo que, a princípio, subdimensionou a crise, se viu obrigado a lançar pacotes econômicos para estimular os setores mais afetados. Nos próximos dias será anunciado um novo programa habitacional.

No auge da crise, a Leader viu seu futuro mudar: a quase compra pela Renner foi desmanchada e a empresa teve que repensar seus negócios. “Todo o mercado teve que redirecionar as expectativas”, explicou Rogério Macedo, presidente da empresa. Este ano, a rede varejista inaugura quatro novas lojas, gerando 400 postos de trabalho.

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