Jogo Da Mais Valia

Quando ouvimos “mais valia”, lembramos de Marx? Agora também quando ouvimos “mais valia” podemos nos lembrar de Cooperativismo e Economia Solidária através dessa atividade criada pela ITCP-USP!
Em 1998, quando participei da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da USP por nove meses, tive a tarefa de unir Jogos Cooperativos e Cooperativismo. Por mais que o Cooperativismo tenha como essência a Cooperação, esta ligação não é clara para todos! Por isso a importância de se introduzir os Jogos Cooperativos na metodologia de ensino da Economia Solidária.
Hoje em 2002, os Jogos Cooperativos continuam como instrumento metodológico fundamental nesta área e o caminho desde o início apresentou frutos!. A partir do trabalho inicial de implantação dos jogos, foi criado recentemente na Incubadora o “Jogo da Mais Valia” ou “Fábrica de Sapatos” para que também a população de pouca escolaridade aprendesse sobre a competição no mundo do trabalho e entendesse a exploração de sua força produtiva. Embora não seja exatamente um jogo, é um exercício de reflexão cuja vivência permite a clareza de uma alternativa de cooperação no trabalho, pois as pessoas percebem que podem abrir uma empresa coletiva, autogestionária e realmente vivenciar a cooperação mais próxima do real no campo profissional.
Objetivos
Tomar consciência da competição exploratória no mundo do trabalho, no tocante as remunerações e valorações; provocar a reflexão sobre aquilo que achamos natural no mundo do trabalho e propor formas realmente revolucionárias na organização do trabalho.

Recursos
Folhas de papel ou jornal, lousa, uma sacolinha plástica.

Número de participantes

de 1 à 50 pessoas

Duração
por volta de 30 minutos

Descrição
O focalizador fica no papel de proprietário de uma fábrica de sapatos, desejando contratar trabalhadores. Para que se efetue a contratação é necessário um contrato de trabalho, então se propõe que este contrato seja coletivo. Como? Os próprio funcionários escolhem o valor do salário que desejam receber por mês. Então o focalizador sai da sala por alguns minutos para que o grupo decida sozinho o valor. É aconselhável que o focalizador escreva na lousa a média de salário da categoria e o valor reivindicado pelo sindicato para dar uma base de escolha do grupo, porém este dado não é fundamental.
Ao retornar para a sala e obter a resposta do grupo sobre o salário, o focalizador oferece um valor que seja maior do que o pedido pelo grupo, para que se tenha a impressão de que estão ganhando “muito”. Depois, distribuem-se folhas de jornal como se fossem material para a confecção dos sapatos e pede-se que eles cortem o papel em vários pedacinhos. Cada pedacinho é equivalente a um par de sapatos.
Quando todos os participantes já tiverem cortado todos as folhas, é dito que o expediente daquele dia acabou, então o focalizador recolhe todos os pedaços de papel na sacolinha e diz que eles receberão pagamento daquele dia de trabalho que será feito em pares de sapatos e, para tanto, o focalizador deve dizer que cada par de sapatos equivale a, por exemplo, vinte e cinco reais (o valor pelo qual é vendido pelo patrão). O ideal é que o valor do par de sapatos seja equivalente a um dia de trabalho ou a metade facilitando o pagamento com os sapatos. A idéia é a de que cada trabalhador receba apenas um ou dois pares de sapato (depende do acordo firmado), enquanto todo o restante é concentrado pelo patrão.
Esse excedente do patrão é o lucro e trabalhamos com o grupo a natureza do lucro como proveniente da exploração da força de trabalho e a diferença entre lucro, na empresa capitalista, e retirada na empresa solidária, já que na segunda, não há a relação de exploração, uma vez que não há subordinação entre patrão e empregado.
Dicas
Se um trabalhador percebe que não importa o que ele produzir ele receberá o mesmo, o grupo pode concluir que se todos os trabalhadores tiverem esta consciência a produção cai e o patrão perde o ganho do excedente do trabalho do trabalhador rápido e produtivo.

Fonte
Kellen Gutierres, formadora em Economia Solidária pela Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da USP e facilitadora da Cooperando no projeto Oportunidade Solidária/Secretaria do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade.

 

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