Jogos E Simulações Estimulam Ações De Treinamento

Desenvolver ações de treinamento que sejam atrativas para os profissionais e ao mesmo tempo eficientes é um desafio para gestores de recursos humanos. Esqueça a sala de aula, o papel e a caneta. Jogos eletrônicos agora são responsáveis pelo aprendizado lúdico de conceitos vitais no mundo corporativo. “Em primeiro lugar, o aprendizado deve ser divertido e seguro. E aprender num ambiente realista e desafiador propicia isso. O nível de absorção é maior”, afirma Jan Schilt, cofundador e presidente da GamingWorks, empresa especializada nos chamados business games, ou jogos de negócios. “Os jogos são baseados em conceitos, têm uma didática, o que garante a consistência do aprendizado”, completa.

Schilt esteve no Brasil este mês e participou de um workshop internacional promovido pela BR Academy, parceira da GamingWorks no Brasil. Na ocasião, ele apresentou o Apollo 13 – ITSM Case Experience, game em que os participantes ajudam a tripulação do Apollo 13 em sua missão à lua. No desenvolvimento do jogo são testadas habilidades como comunicação, tomada de decisão, liderança, foco no cliente, trabalho em equipe e gestão de processos, entre outras atribuições exigidas no mundo corporativo.

Aliar o lúdico ao aprendizado parece ser mesmo um bom negócio. Embora não haja números precisos sobre o tamanho desse mercado, Schilt afirma que, entre 2003 e 2008, o segmento cresceu a taxas entre 20% e 30% ao ano. Esse índice tornou-se mais modesto após a crise financeira internacional, quando os treinamentos ficaram atrelados a retornos financeiros, mas agora começa a mostrar fôlego novamente.

Segundo a consultoria International Data Corporation (IDC), cerca de 40% do mercado de e-learning corporativo nos Estados Unidos deve utilizar simulações ainda este ano, com um investimento de US$ 10,8 bilhões. Já o mercado mundial de Serious Games — jogos com o objetivo de educar e capacitar pessoas de forma dinâmica e eficaz, por simulação ou indução, baseadas em condições de interação cognitiva — está estimado em US$ 44 bilhões.

Brasil é terreno fértil

Se os games estão em franco crescimento lá fora, por aqui a coisa ainda não dá sinais de robustez. Schilt reconhece que o mercado brasileiro ainda é bastante incipiente, e, portanto, um terreno fértil para os agentes do setor. “O segmento de jogos em geral se recuperou da crise de 2008/2009 e neste ano está crescendo”, afirma Américo Amorim, vice-presidente de Comunicação e Marketing da Abragames (Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Eletrônicos). “No Brasil há cerca de 40 empresas de desenvolvimento, muitas delas trabalhando com jogos de treinamento”, afirma.

Para os próximos anos, a tendência dos jogos eletrônicos corporativos, assim como o de games em geral, é de migração para redes sociais e plataformas móveis, como smartphones e tablets. “Essas são as duas áreas mais fortes da indústria. A tendência é que os consoles (Xbox, PlayStation) e outras plataformas continuem perdendo importância e se tornem cada vez mais um mercado de nicho”, diz Amorim.

Lucas Toyama – Canal RH

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