Lealdade É Para Quem Merece

Segundo autor do livro ‘Escolhendo Líderes’, em algumas empresas o melhor a fazer é ‘entrar, aprender e sair’

Você está prestes a sair do emprego e se pergunta: estou sendo desleal? Para Joseph Daniel McCool, autor de Escolhendo Líderes (Editora Saraiva) e colunista da revista Business Week, essa preocupação nem sempre se justifica. Se a pessoa estiver deixando uma organização de relações pessoais difíceis e processos mal estruturados, a porta da rua é o melhor caminho. “Algumas empresas não merecem lealdade. Às vezes, é melhor entrar, aprender e sair.”

O especialista em liderança disse ao Estado que o Brasil se tornará um “ímã mundial de talentos”. McCool também falou das prioridades na hora da contratação e da importância do desenvolvimento de líderes pelas companhias. Veja os principais trechos da entrevista:

Por que o sr. defende o desenvolvimento interno de líderes?

É mais barato e menos arriscado. Se a pessoa já conhece a cultura da corporação, o risco de rejeição é menor. Buscar um talento no mercado embute a chance de choque cultural. Trazer alguém de fora só vale para empresas que querem interromper ciclos, trazer novas ideias, perspectivas e experiências.

Um ambiente hostil pode ser útil para desenvolver líderes?

Claro. Indivíduos que passaram por ambientes disfuncionais e viram maus-tratos em locais que não tinham líderes autênticos têm uma boa bagagem para seus próximos empregos.

Com o crescimento, gente de fora deve vir trabalhar no Brasil?

Ainda não é uma tendência. Mas, à medida que o Brasil cresce, vai requisitar talento de executivos com experiência internacional para ajudar a transformar pequenos negócios em grandes companhias. O Brasil apresentará oportunidades para brasileiros e estrangeiros que hoje trabalham nos EUA, na Europa e na Ásia.

Qual é o fator número um na hora de contratar um executivo?

Primeiro, a empresa deve se perguntar se o candidato ainda está em processo de aprendizado. Isso é refletido na educação, na humildade e no respeito aos outros. Em segundo lugar, a pessoa deve mostrar que se enquadra nas relações pessoais que a empresa quer desenvolver. O currículo vem depois.

O trabalhador deve se preocupar em ser leal ao empregador?

Os indivíduos devem julgar se os valores da companhia estão em linha com seus próprios valores. Há empresas que não são dignas de lealdade. Em algumas organizações, o melhor é chegar, aprender o que ela pode ensinar e ir embora.   Fernando Scheller, de O Estado de S. Paulo

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