Lei Natural

Agosto de 2008: um filhote de baleia-jubarte teria confundido um iate com sua mãe na costa de Sydney, na Austrália. A pequena baleia – se é que baleias podem ser pequenas – nadava constantemente em volta do iate e tentava mamar em seu casco…

Fatos assim nos comovem, assim como assustam as notícias que só têm feito aumentar recentemente de mães que abandonam seus filhos, filhos que matam suas mães, cenas de violência em doses gigantescas…

O caso da pequenina baleia nos desperta para a tragédia humana. Temos o poder de dizimar espécies, destruir paraísos ecológicos, na mesma medida em que somos poderosos o suficiente para destruir cidades e espalhar o ódio. Ao mesmo tempo, carregamos a tiracolo um misterioso instinto de sobrevivência, que se não nos é tão claro e evidente quanto o dos animais, ao menos nos impele para sentimentos mais nobres, como o da compaixão.

Sentir tristeza pelo drama da pequenina baleia talvez seja uma maneira de mostrar a importância que atribuímos ao amor maternal. Filhos devem ficar com suas mães, numa relação de carinho e provimento que garante a vida e a perpetuidade da espécie. Somos regidos por esta lei natural, e nos sentimos mal toda vez que percebemos desvios e transgressões.

A baleia que procura por sua mãe, ou a mãe que abandonou seu bebê numa lata de lixo, são fatos que testam nossa capacidade de entendimento, ou o quanto estamos aptos a zelar pela leis que regem a natureza. O fato de se indignar, ou ao menos sentir compaixão, são sintomas vitais que além de apontar nossos desvios, mostram que somos parte de um mundo muito mais amplo do que simplesmente nosso universo de ocupações e preocupações.

Há os que lutam para salvar espécies em extinção, como há os que lutam por proteger crianças da violência de adultos. Diferente do que muitos dizem, a luta de todos tem a mesma importância na manutenção da lei natural que nos mantém vivos: o amor.

Alexandre Pelegi

 

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