Lidando Com o Cliente Que “Tem Suas Próprias Idéias”

“A tradução direta do termo “design” é desenho, mas deveria significar
projeto. Em uma definição pra lá de resumida, os designers criam a cara
do mundo civilizado. Quase todos os produtos e marcas que são vistos em
um espaço urbano foram criados por designers: de um parafuso aos botões
de um elevador. A cadeira em que você está sentado, o computador que
você usa, seu automóvel ou ônibus, tudo isso tem a mão de um designer”.
É assim que o Ph.D. em Comunicação Digital e fundador da agência
Hipermídia Luli Radfahrer descreve o trabalho do designer em seu livro
/Design/Web/Design: 2/.

Descrito pela professora do Infnet Graciana Fischer como guru do design,
Luli é um dos que afirma que a relação do cliente com o designer é
muitas vezes marcada por um grande “cabo-de-guerra”. O cliente muitas
vezes quer um produto que está na moda, ou que é igual ao de algum
concorrente, mas não entende que aquilo, às vezes, não está de acordo
com a sua empresa, seu serviço etc. Por que é tão difícil essa relação?

Luli Radfahrer, traz no primeiro capítulo do seu livro, um
questionamento que é feito por muitos profissionais da área: por que as
pessoas não questionam engenheiros, não criticam estradas? Por que não
tentam dizer como querem ser operadas para os médicos? Por que elas não
interferem nos trabalhos de tantas outras profissões? Mas quando o
assunto é design, a coisa muda de figura?

O próprio Luli pergunta “Por que, então, muitos insistem em alterar os
layouts do pobre designer ou diretor de arte, arruinando sua
legibilidade, impacto, unidade e harmonia ou combinando elementos de
layouts diferentes? Se contrataram os serviços de um designer, por que
querem mexer no seu layout?”.

A relação entre o cliente e o designer, muitas vezes, depende da forma
como é conduzida pelo próprio designer. “É sempre importante que o
cliente tenha um feedback sobre cada decisão que o designer toma, pois o
desenvolvimento de um projeto, especialmente para a web, não é algo que
ocorre do dia pra noite, necessita de um envolvimento do designer no
negócio do cliente, para que possa, com isso, desenvolver um layout e um
website que consigam transmitir aquilo que o cliente deseja e precisa,
atingindo seu público-alvo” diz Graciana Fischer, que também é doutora
em Design e Comunicação Visual.

Os designers reclamam que os clientes podam a criatividade e, às vezes,
inviabilizam projetos. Os clientes, por sua vez, chamam os designers de
prepotentes, arrogantes. Muita gente acha que qualquer um pode criar
qualquer coisa: um logotipo, uma marca, um layout. Na realidade, uma
escolha depende de pesquisa e muito estudo. O designer não escolhe uma
cor por acaso, não desenvolve um layout do nada. Ele estuda todos os
fatores, do cliente ao resultado, para que este seja satisfatório e
traga bons frutos.

Graciana atenta para os problemas que acontecem dos dois lados da
negociação: um deles é a falta de formação dos profissionais que se
autointitulam webdesigners. “São ‘profissionais’ sem o mínimo preparo,
que não procuram entender o negócio do cliente, não entendem que o
desenvolvimento de um website passa por vários estágios antes da
implementação propriamente dita (briefing, wireframe, layout, contrato
com especificação dos direitos autorais, responsabilidades, prazos e
orçamento), usam templates prontos para criação de sites e criam sites
fora dos padrões web e sem os mínimos critérios de usabilidade e
acessibilidade”, ressalta.

Por outro lado, há os clientes que estão sempre na defensiva, talvez
pela má fama dos profissionais. “Temos muitos clientes mal informados
sobre a importância do design (projeto) para que o website tenha um
custo x benefício que seja bom para todos, inclusive para seus próprios
consumidores. Clientes que querem interferir no layout sem o mínimo de
conhecimento de comunicação visual, ou que acreditam que um site pode
ser feito para a semana que vem, pagando o mínimo possível, porque o
primo do vizinho faz sites a R$ 99,00″, critica a professora.

Mas ela também dá a dica para sair dessa “saia-justa”: “Neste caso, o
melhor é pedir ao cliente para que ele faça seu site com o primo do
vizinho do que entrar na paranóia dele… Ou, então, ter muita paciência
para ‘educar’ mais um cliente para a importância da comunicação online
com eficácia e eficiência, ressaltando pontos de usabilidade,
comunicação visual, projeto e do quanto é importante para o negócio dele
um website bem feito”.

Graciana relembra que, quando o setor de TI começou a entrar no mercado,
passou pelo mesmo problema: “Somente o tempo amadureceu o mercado. Com o
design vem ocorrendo a mesma coisa. O primo do vizinho ainda está
fazendo sites até que os clientes percebam que precisam muito mais do
que um logotipo feito com clipart, mas um website que agregue valor aos
seus negócios e, assim, passam a investir em um projeto de comunicação
sério”.

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