Liderança Como Força Motriz Do Endomarketing

O homem no seu conjunto social pós-diluviano buscou organizar-se de modo a concretizar seus sonhos de realizações individuais e coletivas. A história delineia empreendimentos humanos em que os indivíduos, imbuídos de um sentimento de realização pessoal, concretizaram grandes feitos em nome do bem comum. Porém, as civilizações possuíam estruturas rígidas, pouco abertas para a inserção dos indivíduos nas organizações.

No passado as organizações eram militares e delas que vinham os modelos para planejar, organizar, comandar, coordenar e controlar. Desses modelos militares surgiu, nos tempos modernos, a face da nova organização que precisa de uma contínua inovação onde o indivíduo deve ser considerado parte integrante da estrutura organizacional, em que precisa deixar de ser apenas um recurso humano da organização para ser a própria organização, no seu sentido mais amplo e significativo.

Essa inovação contínua culminou, em última instância, num processo de modernização que se difundiu entre os teóricos da área de administração, sobretudo os de marketing, como endomarketing.

O endomarketing é definido por Cerqueira (1994) como sendo “um conjunto de processos, projetos ou veículos de comunicação integrada que permite a venda, a consolidação de uma nova imagem para dentro da empresa”. Ele parte do princípio de que o indivíduo deve voluntariamente comprometer-se com a organização de modo que, ele por si, co-relacione seus objetivos individuais com os objetivos organizacionais.

Todos já ouvimos falar da ilustração do “X BACON”, que relaciona muito bem o envolvimento e o comprometimento. Para que o “X Bacon” seja realidade, dois produtores precisam agir: a galinha e o porco. A galinha entrega o seu serviço em dia (o ovo) e se despede; o porco entrega a vida para que haja o bacon e só assim é possível ter um produto completo (o X Bacon). Esta história ilustra os colaboradores envolvidos no processo e os comprometidos com o processo.

Para que haja o comprometimento é preciso que uma força estimuladora surja no ambiente, propiciando o clima saudável de realização e produtividade. Denominamos tal força de liderança, ela deve ser a força motriz do endomarketing.

Nas organizações, em que o capital intelectual passou a ser a jóia da coroa, o gerente clássico não consegue dar sua contribuição, já que não está apto a lidar com essa outra dimensão do ser humano. A natureza do cargo desse profissional obsoleto tem muito mais a ver com capacidade do que com regência, que hoje se demanda.

Numa época que tanto se valoriza o conhecimento, fica cada vez mais claro que a vontade de aprender é inerente ao ser humano. Removendo obstáculos à criatividade e estimulando a circulação de idéias, bem como propiciando condições para o crescimento individual, essas empresas criam atmosfera favorável para uma manifestação maior dos potenciais de cada um e uma busca mais efetiva de realização pessoal. Essa busca de realização pessoal, em sintonia com os objetivos organizacionais, é que vai fazer com que cada pessoa contribua além daquele mínimo contratado, que seu salário compra.

Muitas propostas de mudança organizacional fracassam por se limitarem a apontar o que precisa ser feito para mudar a situação presente. Quando obtêm êxito, pagam por ele um preço muito alto. O engano dos gerentes convencionais está em achar que as pessoas são motivadas a agir apenas por tomarem conhecimento da realidade e da importância de efetuarem mudanças. Daí a frustração frente às análises sofisticadas, que retratam bem a realidade e apontam providências necessárias, mas não dão às pessoas o “motivo para a ação”.

A liderança no endomarketing deve ser capaz de gerar uma visão de futuro que seja motivadora – leva à ação – e compartilhada – interessa a todos, ao mesmo tempo em que faz com que seus liderados tenham uma percepção clara da realidade, administrando, então, a tensão criativa gerada. Isto a faz muito diferente do “solucionador de problemas”, que atua de fora para dentro, ao passo que sua proposta é de dentro para fora. Nos dizeres de Senge (1997:347), “na resolução de problemas, a motivação é extrínseca”, ao passo que “na tensão criativa, a motivação é intrínseca”. Estudiosos afirmam que ninguém motiva ninguém – esta energia deve vir de dentro das pessoas, ou não se mantém.

O endomarketing diz respeito mais a liderança de visão inovadora. Os colaboradores, por meio dele, integram-se as equipes, envolvendo-se muito mais com os demais membros. Têm claros seus papéis no contexto do empreendimento e, ao mesmo tempo em que procuram aplanar o caminho do desenvolvimento profissional, trabalham também o autodesenvolvimento e não perdem de vista a missão da empresa. Sabem, também, que precisará buscar e desenvolver novas habilidades, em conformidade com a nova performance desejada.  Antonia Bezerra Fonte: http://www.rh.com.br

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