Liderança – Diálogo E Atitudes Coerentes Ajudam A Vencer Conflitos

A imagem do chefe é, para seus comandados, daquela pessoa mais experiente, que por este motivo, é indicada para dirigir a equipe. E para muitos, experiência está diretamente ligada a idade. Mas e quando ochefe que assume é mais jovem do que muitos de seus subordinados? Para vencer a resistência inicial nada melhor do que diálogo e competência nas ações.

Na ACS, call center de Uberlândia, a supervisora de operação de atendimento ao auxílio às listas, Claudia Lino, 24 anos, comanda um grupo de senhoras, que em sua maioria tem mais de 20 anos de trabalho. Claudia conta que a relação com a equipe, apesar da diferença de idade, é ótima. “Elas me respeitam muito, me ajudam mais do que as ajudo. São muito receptivas às sugestões”, afirma Claudia.

Dona Geni Nunes, 52 anos, trabalha há 29 anos. Primeiro na Companhia Telefônica da região de Uberlândia (CTBC) e depois na ACS, sempre como atendente. Ela conta que quando entrou na empresa, os supervisores eram mais velhos. Hoje, ela trabalha sob o comando de Claudia, 28 anos mais nova. “Nosso relacionamento é muito bom. A idade não importa se a pessoa tem competência”, acredita. Mas nem sempre a convivência é pacífica.

Stefan Specht, 29 anos, comecou na Dalmier Chrysler aos 21 anos como estagiário de Engenharia Elétrica. Ao final da faculdade, se tornou trainee, o que o fez passar um tempo na sede alemã para treinamento. Lá, Specht se especializou no trabalho com motores com componentes eletro-eletrônicos, um sistema novo no Brasil.

– Na volta, trabalhei no desenvolvimento do caminhão leve Acelo, coordenando uma equipe, o que me valeu uma promoção ao cargo de supervisor na área de desenvolvimento de sistemas eletro-eletrônicos em caminhões aos 25 anos – conta. Na equipe, de 21 pessoas, existiam eletricistas e outros técnicos com mais de dez anos de experiência, mas tinham apenas o curso técnico em Eletrônica por falta de oportunidade.

Specht conta que sofreu muito preconceito na época. Precisou provar a todos por que o “moleque” agora era o chefe. “Enfrentei barreiras, pois alguns vinham com pedras na mão ao falar comigo. Mas eu procurava contornar a situação, respeitando o conhecimento que eles possuiam, e depois, questionando se não poderia ser feito de outro modo”, conta o executivo.

Não era só com sua equipe que Specht enfrentava preconceito pela idade. Nas reuniões de diretoria, os outros supervisores, muito mais velhos do que ele, questionavam sua capacidade. “O segredo é dar tempo ao tempo, não ser agressivo e sim, mostrar capacidade. Hoje, a equipe continua trabalhando junto, mas todos se respeitam”, conclui.

Juventude traz mais dinamismo para a empresa

Na loja Eleonora Presentes do Shopping Iguatemi, além de mais novo, Rodrigo Ribeiro Araújo, 24 anos, é o gerente homem entre as vendedoras mulheres e mais velhas, de 38 a 50 anos. Há apenas dois homens na equipe, de 28 e 29 anos. Araújo lembra que no início foi difícil.

– Trabalho há seis anos nesta loja. Comecei como estoquista, passando por vendedor, sub-gerente e cheguei à gerência há três anos. Primeiro elas desconfiaram, mas com o tempo, fomos ganhando confiança e tudo melhorou – conta o gerente que busca formas novas para motivar a equipe. Ele lembra que aprende muito sobre comércio com a equipe. “A clientela aceitou muito bem ter um gerente mais novo”, completa Araújo.

Jucineide Viana Guglielmi, 50 anos, é a vendedora mais velha da Eleonora Presentes no Shopping Iguatemi, bem como a mais experiente, com 30 anos de atividade no comércio. Neide, como é chamada pelos colegas, admira o gerente. “Ele tem muita capacidade. O respeito muito pelo cargo e como pessoa. Sempre nos deixa muito a vontade para falar”, diz.

O gerente financeiro do Shopping Nova América Claudio Freire, 35 anos, vive realidade semelhante a de Araújo. Começou na empresa em 1995, trabalhando no setor de contas a receber. Chegou ao cargo de gerente financeiro do Shopping há quatro anos. Em sua equipe, são oito funcionários, e a maioria é mais velha. “Foi uma aceitação tranquila. Quando se trabalha em equipe, o que conta é a experiência de cada um que é somada”, acredita conta.

João Teixeira Neto, diretor da Abilty Consultoria explica que é natural as empresas terem líderes jovens. A tática ajuda a rejuvenecer a estrutura. “Mas é preciso ter atenção ao colocar os jovens líderes em um pedestal, rotulando de “high potentials”, talentos. Rótulos são perigosos”, diz.

O executivo destaca que os jovens na liderança devem principalmente se preocupar em estabelecer um bom relacionamento com os comandados. Ele lembra o perigo da vaidade e a armadilha da arrogância. A melhor postura por parte da direção, segundo Teixeira Neto, é não criar estardalhaço em torno do novo líder. Ele lembra que conhecimento não tem a ver com idade, mas experiência. “A escolha é por potencial e postura”, resume.  Gabriela Godoi

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