Liderança Efetiva

O que é “liderar”? – Esta é uma das mais antigas questões que tenho ouvido em todos os meus anos de contato com a administração de empresas e a gestão de pessoas. Uma das definições mais simples e diretas de liderança que conheço e que acho que a maioria dos profissionais aceita, é; “obter resultados através de outras pessoas”. Logo ser “líder” é ser capaz de conseguir que uma ou mais pessoas “mova-se” no sentido de um resultado comum.

Depois de muitos anos de teoria e prática, tanto acadêmica quanto profissional, decidi adotar o modelo que estou chamando de Liderança Efetiva e que tem sua base fundamentada nos conceitos da Servant Leadership.

Segundo o Michaelis, “efetiva” significa; “1. real, verdadeira; 2. que produz efeito; 3. Permanente. “Desta forma por “Liderança Efetiva” quero dizer a liderançaverdadeira, que não precisa da presença física do líder para “mover” os liderados a atingir os resultados desejados e que permanece ao longo do tempo.

Como isso é possível?

Servant Leadership é um termo introduzido em 1970 Robert Greenleaf – em uma publicação ainda não lançada no Brasil – para denominar a Liderança onde, para tornar-se “líder”, primeiro deve-se “servir”. Mais recentemente no Brasil, o sucesso do livro “O Monge e o Executivo” de James C. Hunter (ainda no ranking dos mais vendidos, segundo a revista “Veja”), divulgou o conceito da Servant Leadership através da estória de um executivo que aprende a liderar através do desenvolvimento da autoridade e confiança.

Mas espere aí! Depois de “penar” por anos até chegar ao posto de “chefe” e finalmente poder “ser servido”, que estória é essa de “servir”?

Em primeiro lugar, sabemos todos que há uma grande diferença em ser “chefe” – ocupar um cargo de “poder” imposto pela empresa – e ser “líder” – desenvolver “autoridade” pessoal, inspirando outras pessoas a atingir, com entusiasmo, os resultados organizacionais desejados.

Não há dúvidas de que o “poder” formal funciona – afinal as pirâmides do Egito foram construídas neste modelo autocrata – mas no mundo atual pode-se observar alguns “efeitos colaterais” deste modelo como a baixa produtividade, falta de criatividade, aumento do absenteísmo e rotatividade, baixa colaboração “espontânea” , “jogos” de poder, dentre outros.

Em segundo lugar, “servir”, neste caso, nada tem a ver com ser subserviente, obedecer a ordens ou realizar as vontades dos liderados, mas sim com satisfazer suas reais necessidades de segurança e bem-estar para que eles possam atingir as metas estipuladas.

Para o desenvolvimento da Liderança Efetiva, é necessário que o líder seja uma “escolha” dos liderados e não uma “imposição”. Desta forma, para o funcionário, “seguir” o líder e sua visão deve ser uma questão de missão pessoal no caminho de tornar-se o melhor que ele pode ser.

Se pensarmos no papel do líder com alguém que tem todas as respostas, recebe benefícios especiais da empresa e dispõe de todos ao seu redor atendendo prontamente às suas vontades, concordo que a situação acima parece utópica.

Mas seguindo os conceitos da Servant Leadeship, o papel do líder, em primeira instância, é prover seus liderados de tudo o que for necessário – física e psicologicamente – para que eles se desenvolvam pessoal e profissionalmente, para atingir a plenitude de suas competências no sentido de alcançar as metas esperadas.

O líder deve inspirar e influenciar seus liderados. E isso só é possível com o desenvolvimento da autoridade e confiança através de um comportamento consistente, verdadeiro, respeitoso e ético.

Em essência, o líder não trabalha para a empresa, trabalha para os seus liderados. Estes sim é que trabalham para a empresa, são eles que “produzem” os resultados. Cabe ao líder dar-lhes o “rumo” (visão) e provê-los do que eles necessitam para atingir as metas. Cabe ao líder desenvolver a comunidade empresarial e cuidar do clima organizacional.

Servant Leadership é a Liderança Efetiva porque gera nos liderados o sentimento espontâneo de que seguir o líder e sua visão é o caminho para o próprio desenvolvimento pessoal e profissional. Caracteriza-se assim como um processo auto-motivador que faz com que as pessoas sejam o melhor que elas podem ser no sentido de alcançar os objetivos da empresa, para o bem comum.

A boa notícia é que os conceitos da Servant Leadership são evidentes e auto -explicativos e, como habilidade, a Liderança Efetiva pode ser desenvolvida por todos que desejarem… e se comprometerem com o desenvolvimento pessoal. Sim, porque o fato de basear-se em conceitos simples e evidentes, não significa que seja fácil aplicá-los. É necessário mudar velhos hábitos e atitudes, e isso não é uma tarefa fácil nem rápida.

Então, o desafio de adotar este novo modelo de gestão de pessoas, não é o de aprender o “truque”, seguir “fórmulas” ou de assimilar novos conceitos, mas sim de empenhar-se em desenvolver novos hábitos e atitudes.

Como em todo processo de verdadeira mudança, o caminho para o desenvolvimento da Liderança Efetiva ou da Servant Leadership é árduo e desconfortável, mas tem um final altamente gratificante porque, como citei no início, produz resultados e é permanente. – Floriano Serra Júnior

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