Líderes Falham Na Hora De Engajar Pessoas

Apesar do reconhecimento no exterior, os líderes brasileiros ainda falham no momento de engajar seus subordinados. Poucos são os chefes que conseguem comunicar de forma clara as diretrizes e estratégias da empresa a equipe, o que tem comprometido de forma direta a produtividade no ambiente corporativo. A situação é tão crítica que por ano, 38 dias são perdidos nas companhias por questões de produtividade. É o que mostra pesquisa global realizada pela Proudfoot Consulting, com 235 organizações em 19 países, que ouviu mais de 800 executivos, dos quais 106 ocupam posições de comando no Brasil.

O principal fator da ineficiência no trabalho – 39% das respostas -, está ligado aos problemas de comunicação interna. Resultado, 13% das empresas nos últimos três anos apresentaram queda de produtividade, enquanto esse índice no resto do mundo é de apenas 6%, segundo revela o estudo. “O alto escalão sente dificuldades na hora em que precisa transmitir aos funcionários quais são as metas organizacionais e como elas devem ser atingidas”, diz Manfred Stanek, presidente da consultoria americana.

Uma das saídas apontadas por 31% dos participantes é o investimentos em treinamento, tanto dos chefes quanto da própria equipe. “Curiosamente, em outros países o despreparo dos executivos não foi citado como causador da baixa produtividade”, analisa. “Isso deve-se em parte à deficiência na formação dos profissionais e no desenvolvimento de suas habilidades de liderança”. Em contrapartida, apesar da grande preocupação demonstrada, 21% disseram não ter um orçamento voltado a ações que possam contribuir para o aumento da produtividade no próximo ano.

Por outro lado, entre as empresas que afirmaram manter recursos para 2007, a meta é alcançar níveis de produtividade acima de 20%, enquanto lá fora, as companhias planejam atingir um crescimento de apenas 7%, em média. “Quando há previsão de crescimento na produtividade, o Brasil se mostra muito mais competitivo. O que é um bom sinal”, observa. Quem chega bem próximo do país é a Ásia, que prevê um aumento de 19%.

Além dos problemas de comunicação, os executivos brasileiros vêem a falta de motivação como um ponto preponderante na queda da produtividade. Na pesquisa, ela aparece em segundo lugar, com 38% das respostas. O que de acordo com Stanek, reforça a responsabilidade que o gestor possui no engajamento de seus subordinados. Ou seja, a maneira como os líderes brasileiros atuam deixa muito a desejar. “E não falamos aqui apenas de salário”, ressalta. “Boa parte sente falta de um feedback do chefe, positivo ou negativo, e não vê, na maioria das vezes, o reconhecimento do seu trabalho “.

Para Stanek, o desafio do executivo brasileiro, que se destaca por ter um perfil ágil e flexível ao se adaptar aos problemas crônicos da economia, consiste em estabelecer metas de produtividade que mobilizem todos os funcionários das empresas em busca de benefícios comuns. E ao mesmo tempo, adotar uma postura capaz de engajá-los. “Ainda há um enorme espaço para ganhos de produtividade nas empresas brasileiras, uma exigência da crescente globalização e da necessidade de viabilizar um modelo de crescimento com abertura econômica”, avalia. “Ao contrário de outros países mais avançados, o setor privado brasileiro precisa investir mais em treinamento e qualificação profissional para suprir as deficiências do ensino formal”.    Andrea Giardino – 25/09/2006  – Valor Econômico

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