Marketing Olfativo Invade As Lojas, Mas É Preciso Moderação

Em um mercado competitivo, as empresas procuram inovar para se diferenciar das demais e obter clientes fiéis. Uma estratégia para chegar a esse objetivo é associar sua marca a um perfume inconfundível. Para isso, aplicam-se técnicas do chamado marketing olfativo, prática recente no Brasil, mas já comum em outros países. Em termos imediatos, a ideia é que os ambientes climatizados deixem os visitantes confortáveis para que permaneçam mais tempo no local e com isso aumente a possibilidade de mais negócios. No longo prazo, entretanto, o objetivo é fazer com que marca e odor se tornem sinônimos.

Uma das redes de varejo mais sofisticadas de São Paulo e que utiliza essa ferramenta é a Le Lis Blanc. As lojas são aromatizadas com uma essência própria, criada em 2004. “Em todas as unidades há aparelhos com temporizadores, que exalam o perfume de tempos em tempos”, explica uma das coordenadoras da loja, Alessandra Aliperti.

Para ela, o marketing olfativo vai muito além de uma ferramenta que pode aumentar as vendas. “O ideal é criar uma identidade para a marca”, objetivo que, segundo ela, foi atingindo. “Hoje, o aroma da Le Lis Blanc é reconhecido em qualquer lugar pelos seus consumidores”, diz.

Alessandra lembra, ainda, que foram os próprios clientes, encantados com o aroma, que sugeriram à empresa criar uma linha de produtos que se aproximasse da essência do ambiente. Hoje além de o odor característico compor a identidade de marca, o cliente pode leva um pouquinho desse perfume para casa em forma de sabonetes líquidos ou velas aromatizadas.

Moderação

A aromaterapeuta Sâmia Maluf, fundadora e diretora da By Samia Aromaterapia, explica que o marketing olfativo ajuda a criar vínculos entre cliente e empresa, uma vez que a pessoa, ao sentir o aroma, se lembrará imediatamente da loja em que está. Além disso, ambientes levemente aromatizados também atraem clientes.

No entanto, para garantir a satisfação e a atração dos clientes e não o seu repúdio, é importante não exagerar no aroma. Essa regra também vale para garantir o conforto dos colaboradores, pois eles estarão ali todos os dias e por várias horas sentindo o odor da essência. A especialista lembra que um perfume muito forte pode até prejudicar a empresa. “Se o cliente for alérgico àquela fragrância e o cheiro estiver muito forte, o efeito pode ser contrário”, adverte.

Sâmia comenta que o marketing olfativo é uma ferramenta ideal para as empresas querem se diferenciar de seus concorrentes. “Quando uma pessoa é exposta a um aroma, a reação dela é instintiva; aquele cheiro pode trazer boas lembranças da infância ou de algum momento bom e associar essa memória a uma marca é vantajoso para a empresa”, comenta a especialista. Ela explica, ainda, que para uma essência ficar associada à marca da companhia, leva-se em média de dois a seis meses.

As estratégias de marketing olfativo são diversas, uma vez que os cheiros podem sugerir um clima mais sofisticado, sedutor, infantil, enérgico etc. Nos Estados Unidos, por exemplo, alguns cassinos utilizam essências na climatização do ambiente para que os apostadores não tenham a percepção de que o tempo está passando e continuem jogando.

Cheiros do varejo

De acordo com Rosângela Rocha Freire, especialista da Academia do Marketing, o setor varejista tem utilizado amplamente o marketing olfativo. “Pode ser o ramo alimentício, de moda ou de eletrônicos e afins, muitas empresas usam essa estratégia”, afirma. Segundo ela, empresas que prestam serviços, como consultórios e escritórios dos mais variados segmentos, também usam o marketing olfativo para gerar uma sensação de bem estar nos clientes.

Assim como Sâmia, Rosângela é outra especialista a ressaltar a importância da moderação na essência. Ela orienta as empresas que adotam o marketing olfativo a planejar a estratégia e contratar especialistas para produzirem o perfume. “É essencial fazer uma adequação da marca e do produto na medida certa para o público-alvo, tomando o cuidado de não exagerar no odor e causar efeitos até contrários aos que a empresa gostaria”, afirma.

Anderson Silva

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *