Maturidade e Liberdade

3

Nos últimos tempos tenho observado uma “legião” de pessoas indecisas. Talvez indecisão nem seja a palavra mais adequada… creio que a melhor definição é “desejo-tudo-e-não-quero-abrir-mão-de-nada”. Simples assim.

Isso me faz lembrar das crianças, ainda muito pequenas, sem qualquer discernimento do que é delas ou não, do que podem ou não. Querem o seu brinquedo, o do irmão, do amiguinho e, se bobear, até do vizinho que nem está por perto…

Com o passar do tempo os pais – e os demais adultos que fazem parte do círculo da criança – devem orientá-las sobre os “meus” e os “seus”. Nem tudo é possível ter, nem tudo é nosso, nem tudo é posse. Algumas crianças assimilam isso mais facilmente do que outras, principalmente se os adultos são REALMENTE modelos desse comportamento.

De nada adianta pedir que o filho não faça tal coisa se os pais fazem. Onde está o exemplo? Cadê a coerência?

Então… vemos adultos mimados, com pouco ou nenhum discernimento sobre o que é “meu” e o que é “seu”, com baixíssima resistência à frustração, sem condições adultas de descobrir qual é o seu real espaço.

Voemos para as empresas a observar os adultos lá presentes. Alguma semelhança? Há alguém mimado, que não sabe “perder”, “birrento” e teimoso? Mas… serão mesmo adultos?

 

Será que também podemos observar “líderes” (entre aspas mesmo) cujos exemplos não são dos melhores? Há “líderes” que exigem respeito e não o praticam? Talvez alguns que sufocam a liberdade de expressão e criatividade e, em contrapartida, só produzem bem quando estão “livres”?

Os adultos maduros, equilibrados, que primam pelo seu próprio desenvolvimento, têm condições de discernir se os aprendizados que obtiveram foram os melhores… ou não. Quer dizer que, mesmo com dor e pesar, o adulto é capaz de decidir se a educação e orientação que recebeu foram as melhores para ele. Acredito que pais e educadores sempre dão o máximo possível de si, pois cada um dá o que pode, quando pode, da forma que pode. E mesmo com toda boa vontade, essas podem não ser as melhores orientações e suporte que aquela criança pode receber. Há que se considerar as diferenças individuais, para falar o mínimo

Por tudo isso, é necessário que nós, adultos, voltemo-nos para nosso eu interior. É importante saber como fazemos nossas escolhas, como decidimos qual caminho seguir, quais traços de personalidade e caráter temos e quais nos atraem ou afastam das pessoas. É fundamental aceitarmos o fato que não podemos ter tudo, a toda hora, da forma como desejamos. Há outras pessoas, o meio no qual vivemos, perdas e ganhos envolvidos, para falar o mínimo.

As crianças querem crescer rápido para serem adultas e terem liberdade; em contrapartida muitos adultos esquecem que há outros indivíduos por perto e, portanto, até sua tão falada e conquistada liberdade não é “tãããããão” livre assim.Maturidade, equilíbrio, bom senso, respeito a si próprio e ao outro, elevada capacidade de observação são apenas algumas competências e características fundamentais para a “prática de ser adulto”.

Escolher, decidir e arcar com essas responsabilidades fazem-nos pessoas e profissionais cada vez melhores.

Abraços e paz profunda!   Izabel Failde

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *