Mensagem A Garcia

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No ambiente corporativo, “Mensagem a Garcia” é uma expressão corrente, para designar uma tarefa muito difícil e espinhosa, mas que é absolutamente necessária, e precisa ser realizada de qualquer maneira, sob-risco de grandes perdas para a empresa. É tirada do texto criado pelo jornalista norte-americano Helbert Hubbard no século XIX, tem uma atualidade impressionante e é uma verdadeira aula de como avaliar

personalidades profissionais. Primeiro o autor nos conta como surgiu a idéia:

“A Mensagem a Garcia escrevi numa noite, depois do jantar, em uma hora para a revista “Philistine”. A idéia original, entretanto, veio-me de um pequeno argumento ventilado pelo meu filho Bert, ao tomarmos café, quando ele procurou sustentar ser Rowan o verdadeiro herói da Guerra de Cuba. Rowan pôs-se a caminho só e deu conta do recado – levou a mensagem a Garcia. É verdade – disse comigo mesmo – o herói é aquele que dá conta do recado: que leva a mensagem a Garcia.

Entretanto, dei tão pouca importância a este artigo que até foi publicado na revista sem qualquer título, mas começaram a afluir pedidos para exemplares adicionais: uma dúzia, cinqüenta, cem; e quando a American News Company encomendou mais de mil exemplares, perguntei a um dos meus empregados qual o artigo que havia levantado o pó cósmico. – Esse de Garcia – retrucou-me ele.

No dia seguinte chegou um telegrama de George H. Daniels, da Estrada de Ferro Central de Nova York, dizendo: “Indique preço para cem mil exemplares, o artigo Rowan, sob forma folheto, com anúncios estrada de ferro no verso. Diga também quando pode fazer entrega”.

Após, duas ou três edições de meio milhão se esgotaram rapidamente.

Além disso, foi o artigo reproduzido em mais de duzentas revistas e jornais. Tem sido traduzido, por assim dizer, em todas as línguas faladas.

A mensagem rodou países como a Rússia, Alemanha, França, Turquia,

Indostão e China. Durante a guerra entre a Rússia e o Japão, foi entregue um exemplar de “Mensagem a Garcia a cada soldado russo que se destinava ao “front”. Os japoneses, ao encontrarem os livrinhos em poder dos prisioneiros russos, chegaram à conclusão que havia de ser uma informação valiosa e não tardaram em vertê-lo para o japonês. Por ordem do Micado foi distribuído um exemplar a cada empregado civil ou militar, do governo japonês.

Para cima de cem milhões de exemplares foram impressos, o que é sem dúvida a maior circulação jamais atingida por qualquer trabalho literário durante a vida do autor, graças a uma série de circunstâncias felizes.

MENSAGEM A GARCIA

Em todo este caso cubano um homem se destaca no horizonte de minha memória. Quando irrompeu a guerra entre a Espanha e os Estados Unidos, o que importava a estes era comunicar-se com o chefe dos insurretos, Garcia, que sabiam encontrar-se em alguma fortaleza no interior do sertão cubano, mas sem que se pudesse dizer exatamente onde. No entanto, o Presidente precisava de sua colaboração o mais rapidamente possível. O que fazer?

Alguém lembrou: “Há um homem chamado Rowan; e se alguma pessoa é

capaz de encontrar Garcia, há de ser Rowan”. O Presidente lhe confiou uma carta com a incumbência de entregá-la a Garcia. Tomou a carta, meteu-a em invólucro impermeável, amarrou-a ao peito, e após quatro dias, saltou de um barco sem sequer uma cobertura, alta noite, nas costas de Cuba, se embrenhou no sertão para depois de três semanas surgir do outro lado da ilha, tendo atravessado a pé um país hostil e entregue a carta a Garcia.

O ponto que deseja frisar é este: MacKinley, o presidente, deu a Rowan uma carta para ser entregue a Garcia; Rowan tomou a carta e nem sequer perguntou: “onde é que ele está?”.

O general Garcia já não é deste mundo, mas há outros Garcias. A nenhum homem que se tenha empenhado em levar avante uma grande empresa, em que a ajuda de muitos se torna necessária, têm sido poupados momentos de verdadeiro desespero ante a imbecilidade de um grande número de homens, ante a inabilidade ou falta de disposição de concentrar a mente numa determinada coisa e fazê-la.

A regra geral tem sido: assistência irregular, desatenção tola, indiferença irritante e trabalho mal feito.

Ninguém pode ser verdadeiramente bem sucedido, salvo se lançar mão de

todos os meios ao seu alcance para fazer com que outros homens o auxiliem, a não ser que Deus Onipotente, na sua grande misericórdia faça um milagre, enviando-lhe como auxiliar um anjo de luz. Leitor amigo, tu mesmo podes tirar a prova.

Estás sentado no teu escritório, rodeado de empregados. Pois bem, chama um deles e pede-lhe: – Queira ter a bondade de consultar a enciclopédia e fazer uma descrição resumida de Corrégio.

Dar-se-á o caso de o empregado dizer calmamente: “sim senhor”, e executar o que lhe pediste?

Nada disso! Olhar-te á admirado para fazer uma ou algumas das seguintes perguntas:

Quem é ele? – Que enciclopédia? – Onde é que está a enciclopédia? – Fui eu acaso contratado para fazer isso? – E se Carlos o fizesse? – Já morreu? – Precisa disso com urgência? -Não quer que traga o livro para que o senhor mesmo procure? – Para que quer saber disso?

Não há empresa que não esteja despedindo pessoal que se mostre incapaz

de zelar pelos seus próprios interesses, a fim de substituí-lo por outro mais apto. Este processo de seleção por eliminação está se operando incessantemente com a única diferença que, quando os tempos são maus e o trabalho escasseia, a seleção se faz mais escrupulosamente, pondo-se fora, para sempre, os incompetentes e os inaproveitáveis.

É a LEI DA SOBREVIVÊNCIA DO MAIS CAPACITADO. Cada patrão, no interesse comum, trata somente de guardar os melhores, aqueles que podem levar uma MENSAGEM A GARCIA”.

Adaptado do texto de Helbert Habbard – 01/12/1913

RESUMO

A importância dessa história é que existem poucos Rowans por ai. E são de pessoas como ele que o mercado precisa. Gente que ao receber um problema a ser solucionado, não importa como e onde, vai e resolve, ao invés, de não resolver coisa alguma e voltar com outros dez problemas novinhos de presente. Rowan não fez perguntas tolas e sem sentido, ele nem sabia quem era o tal Garcia, mas seu desejo em cumprir aquele pedido era tão grande que ultrapassava barreiras e lhe fazia “agir”.

É isso que falta no mercado. Pare com as perguntas idiotas e que só mostram como é grande o seu desinteresse e falta de criatividade na solução de problemas, não olhe para as barreiras e dificuldades elas sempre vão existir, faça com que seu desejo em cumprir o que lhe foi confiado seja maior que qualquer impedimento, comece a desenvolver a capacidade de solucionar problemas. Não espere que te tragam tudo já bem mastigado e as informações prontamente colhidas, vá você mesmo ao encontro delas. Trabalhar o tempo inteiro com facilidades ao alcance, ta cheio de gente por ai que é capaz de fazer. Para que você perceba as complicações em levar esta mensagem, Garcia estava escondido, pois caso fosse encontrado seria morto pelos espanhóis. Mesmo assim em menos de quatro semanas Rowan conseguiu entregar a carta passando pelo mar das Caraíbas e atravessando o deserto da ilha de Cuba.

Ele enfrentou obstáculos e não ficou esperando tudo pronto cair dos céus em suas mãos. Tomou decisões, seguiu em frente e conseguiu.

Mostrou como resolver situações inesperadas e difíceis. Basta ter interesse e disposição para correr atrás do que é preciso ser feito.

São pessoas assim que o mercado espera. São de pessoas assim que o mercado precisa.

Agora te pergunto. Você pode levar uma carta a Garcia?

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