Mudança de Carreira: Dores e Alegrias

Tenho um amigo que ainda muito jovem era alto executivo de uma empresa multinacional. Não era rico, mas tinha um salário espetacular, carro da empresa à sua disposição, vários assistentes, bonificações sensacionais, fazia muitas viagens internacionais a trabalho, tirava férias duas vezes por ano, mas detestava seu trabalho e era profundamente infeliz. Passava o dia todo de terno e gravata e dizia brincando que não era um executivo e sim um “executado”.

Muitos o invejavam por sua posição profissional e queriam conseguir tudo o que ele tinha conseguido na vida, mas ninguém sabia o drama em que ele vivia. Sentia-se preso a um emprego burocrático do qual não gostava e que não lhe dava prazer. Ganhava bem, mas vivia do salário, então foi empurrando sua carreira ao longo dos anos.

O que gostava mesmo era de artesanato, pintura, coisas que fazia como hobby em casa, e nem seus amigos sabiam. Nas viagens que fazia ao exterior a trabalho, via aqueles artistas de rua vendendo seus trabalhos debaixo de sol, de chuva, no frio e no calor, mas percebia que eram felizes, pois gostavam do que faziam.

Um dia, não suportando mais viver aquela vida, tomou coragem, pediu demissão da empresa, vendeu seu carro, seu apartamento e se mudou para a Itália, onde começou a fazer artesanato e vender seus trabalhos em ruas e praças públicas. Livrou-se do terno e da gravata e passou a se vestir de maneira simples e confortável. Nunca foi tão feliz mesmo tendo baixado drasticamente seu padrão de vida.

Os amigos e familiares acharam que estava fazendo uma tremenda burrice ao largar uma carreira sólida e uma ótima condição financeira. Ninguém acreditou. Acharam que quando seu dinheiro acabasse, teria que voltar ao Brasil e começar tudo de novo.

Mas não foi o que aconteceu. Ele era um artista talentoso, acreditava em seu potencial e seus trabalhos começaram a vender muito bem. Da rua foi para um pequeno ateliê e continuou evoluindo. Com o passar do tempo, foi para um ateliê muito maior, começou a empregar pessoas, e prosperou. Conheceu uma italiana, se casou, teve 2 filhos e enriqueceu.

Hoje ele é um artista plástico conhecido não só na Itália, mas em vários países da Europa, e é profundamente feliz.

Ele correu um grande risco com a atitude que tomou? Sim.

As coisas poderiam não ter dado certo? Poderiam.

Mas se ele nem tivesse tentado, como estaria hoje? É claro que foi uma mudança “radical” de carreira, mas existem pequenas mudanças muito mais simples e que nos ajudariam a ser mais felizes na vida profissional e pessoal. No entanto, nós não temos coragem de agir. Acomodamo-nos na segurança de nossos empregos e vamos levando a vida. É lógico que muitas vezes temos pessoas que dependem de nós, de nosso salário, mas para isso existe uma coisa chamada “planejamento” .

O processo de mudança de carreira pode ser difícil mas não é impossível. Muitas vezes o preço da mudança é alto, os resultados demoram a chegar e é preciso perseverar. Ao contrário do que a maioria pensa, não é o dinheiro o fator que mais motiva e gera felicidade nas pessoas, e sim trabalhar no que dá prazer. Foi feita uma pesquisa que comprovou que 40% das pessoas entrevistadas mudaram de empresa, de emprego ou de carreira por um salário menor, simplesmente para estarem em contato com aquilo que as realizava profissionalmente.

Este assunto está tomando seus pensamentos nos últimos tempos? Você não é feliz onde trabalha, mas não tem coragem ou condições de mudar? Comece a planejar a mudança. O ano de 2009 está batendo na nossa porta, este é o momento!! Vale lembrar que o falecido ator Paulo Autran foi um advogado frustrado e infeliz por quase dez anos, antes de largar tudo e se tornar um dos maiores atores do Brasil.

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